Festival Press Start mistura games, anime e orquestra

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O Festival Press Start ocupa a Casa da Música, no Porto, com orquestra, anime, cosplay e videojogos até domingo.

Um festival para jogar e ouvir

Tem evento que entende que videogame não é só apertar botão e torcer para o chefão cair. O Press Start, na Casa da Música, mistura música ao vivo, performances, anime e cosplay em uma programação de três dias. A ideia é colocar diferentes pedaços da cultura pop no mesmo palco, sem tratar jogo como passatempo menor.

O destaque mais fácil de reconhecer para quem cresceu com um controle na mão é o concerto da Orquestra Sinfónica do Porto. Mas a programação também abre espaço para experiências mais experimentais e para uma Anime Rave. Ou seja: dá para sair de uma sala de concerto e, pouco depois, encontrar uma pista com DJs e concurso de cosplay. Mudança de fase sem tela de loading.

Sexta de anime e experimentação

A sexta-feira começa às 18h, na Cibermúsica, com uma mostra de publicações. Depois, a performance Intervenções Samânicas, de Sama, combina desenho com manipulação de som e imagem em tempo real, ao lado do músico David Veredas e da cineasta Luísa Sequeira. É o tipo de proposta que pode surpreender quem espera que cultura gamer seja apenas nostalgia e trilha sonora conhecida.

Às 20h, a Sala 2 recebe a Anime Rave, com os DJs Tha Klash e Yuura. A programação inclui concurso de cosplay e um talk show sobre anime e gaming, com atividades até às 2h da manhã. Uma noite para quem sabe que escolher o personagem é quase tão importante quanto escolher a build. E sim, o traje caprichado também merece seus aplausos.

Sábado com Final Fantasy e Zelda

No sábado, a Sala Suggia vira terreno de aventura para a Orquestra Sinfónica do Porto. O repertório reúne temas de jogos clássicos e mais recentes: entram Tetris, Mega Man 2 e Sonic 2, além de músicas de Final Fantasy, Tomb Raider e The Legend of Zelda: A Link to the Past.

É uma seleção que atravessa gerações e mostra como uma boa trilha sonora sabe fazer o trabalho pesado. Basta ouvir algumas notas para voltar a uma fase difícil, a uma exploração interminável ou àquela batalha em que a vitória veio com um fio de energia. Sob direção de Henrique Constância, o concerto ainda terá gameplay ao vivo, apresentado por Rémi Lesieur-Bridel e Jorge de Almeida. Não é só ouvir a música: é ver o universo do jogo em movimento enquanto a orquestra toca.

Domingo é hora de inserir moeda

O encerramento fica por conta de Insert Coin to Continue, concerto-performance da Digitópia, na Sala 2. A proposta trata o palco como um jogo: músicos, instrumentos, computadores e imagens atravessam níveis, regras e obstáculos. Tocar também significa jogar, testar caminhos e entender o que o próprio sistema está pedindo.

A ideia tem um charme especial porque traduz para o palco algo que qualquer jogador conhece: errar faz parte, repetir a tentativa também, e às vezes a regra só fica clara depois de algumas quedas. Em vez de colocar música e videogame em caixinhas separadas, a performance brinca justamente com o encontro entre os dois.

Arcades para fechar a fase

Tem ainda um bônus para quem participar de uma visita guiada à Casa da Música ou comprar ingresso para qualquer atividade do festival: acesso a um circuito de arcades e flippers que percorre cinco décadas da história dos videojogos. É uma boa chance de descobrir como os jogos foram mudando, e também de testar se a memória muscular dos tempos de fliperama continua afiada.

O Press Start aposta em uma mistura que faz sentido: a música dos jogos ganha escala sinfônica, enquanto anime, cosplay e máquinas clássicas mantêm o clima de celebração coletiva. Para fãs de Final Fantasy, Zelda ou simplesmente de cultura pop, o fim de semana no Porto promete mais de uma maneira de apertar start.

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