Jesse Eisenberg recusou O Outro Lado das Redes, e Aaron Sorkin admite que não esperava ouvir um não.
- A recusa que Sorkin não previu
- O plano de convencimento
- Dinheiro não era o argumento
- Quem assumiu o papel?
- O que vem por aí?
A recusa que Sorkin não previu
Depois de viver Mark Zuckerberg em A Rede Social, Eisenberg parecia uma escolha quase automática para voltar ao papel. A atuação no filme de David Fincher foi tão marcante que rendeu ao ator uma indicação ao Oscar. Para Aaron Sorkin, roteirista do longa de 2010 e agora diretor e roteirista da continuação, a lógica era simples: ele já tinha sido ótimo como Zuckerberg, então por que não topar de novo?
Sorkin contou à Entertainment Weekly que encontrou Eisenberg em uma festa quando ainda faltavam algumas páginas para terminar o roteiro. Disse que enviaria o material em algumas semanas, e o ator sorriu. O cineasta afirma que, naquele momento, nem cogitou a possibilidade de receber uma recusa.
Mas foi exatamente isso que aconteceu. Eisenberg não quis retornar como o fundador do Facebook. Não há, no relato de Sorkin, uma grande briga ou uma treta de bastidores para transformar em novela: o ator simplesmente não estava convencido de que queria fazer o filme.
O plano de convencimento
A resposta negativa fez Sorkin tomar uma atitude pouco comum para ele. O roteirista explicou que montou um plano para conversar com Eisenberg, reunindo argumentos a favor da participação. Entre eles estavam os momentos mais interessantes que o personagem teria na história e o fato de o ator já ter demonstrado que sabia interpretá-lo.
Em outras palavras, Sorkin abriu o jogo sobre o roteiro e tentou apresentar o papel como uma oportunidade criativa, não apenas como uma reprise de um sucesso antigo. E dá para entender o raciocínio: voltar a um personagem tão associado a um filme celebrado pode ser uma baita chance, mas também corre o risco de parecer repetição com outro nome na capa.
As conversas não mudaram a decisão, embora Eisenberg tenha dito que elas o deixaram mais perto de reconsiderar do que imaginava. É um detalhe que mostra que a tentativa não foi ignorada, mas também não bastou para virar o jogo. Às vezes, nem um monólogo afiado de Sorkin resolve. E olha que esse homem sabe escrever diálogos feitos para convencer uma sala inteira.
Dinheiro não era o argumento
O cachê oferecido pelo estúdio também entrou na conversa, mas não serviu de isca. Sorkin sabia quanto estavam propondo e disse que Eisenberg não é motivado por dinheiro. Na avaliação do cineasta, a quantia poderia até desanimá-lo, em vez de atraí-lo.
Sorkin relacionou essa postura à preocupação do ator em não criar os filhos com dinheiro demais à disposição. Ele chamou a atitude de admirável, ainda que tenha brincado que ela era irritante para quem estava tentando convencê-lo a aceitar o papel. É um comentário curioso em Hollywood, onde muitas decisões parecem começar e terminar com uma cifra: aqui, o argumento financeiro não teve o poder de um roteiro bem escrito.
Quem assumiu o papel?
Sem Eisenberg, Mark Zuckerberg será interpretado por Jeremy Strong, conhecido por viver Kendall Roy em Succession. A troca chama atenção porque Strong tem uma presença bem diferente da de Eisenberg. Em vez de tentar reproduzir a interpretação anterior, a continuação terá espaço para apresentar outra leitura do bilionário.
A trama acompanha Frances Haugen, ex-funcionária do Facebook interpretada por Mikey Madison, e Jeff Horwitz, jornalista vivido por Jeremy Allen White. A dupla está ligada à divulgação dos chamados Facebook Files, documentos internos que deram origem a reportagens sobre preocupações envolvendo a saúde mental de adolescentes, a desinformação e conteúdos relacionados à violência política.
O foco, portanto, muda de uma disputa sobre a criação da rede social para as consequências do poder que ela acumulou. A continuação não precisa repetir o duelo de bastidores do primeiro filme para manter a tensão: desta vez, o conflito passa pelos documentos, pelas decisões internas e pelo impacto real da plataforma.
O que vem por aí?
O Outro Lado das Redes marca o retorno de Sorkin ao universo de A Rede Social, agora também atrás das câmeras. O cineasta explicou que voltou ao tema porque, na visão dele, o algoritmo do Facebook atravessa a vida de todo mundo. É uma premissa que dispensa muito esforço para parecer atual: basta abrir o celular por alguns minutos.
O filme será exibido no Brasil durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A ausência de Eisenberg certamente vai alimentar comparações com o longa original, mas a mudança de ator pode ser mais do que uma curiosidade de escalação. Com Strong no papel e uma história centrada nos Facebook Files, a sequência parece interessada em olhar para um capítulo diferente, e talvez mais incômodo, da trajetória da empresa.
Se Sorkin achava que o retorno de Eisenberg era garantido, agora a pergunta é outra: será que a nova interpretação de Zuckerberg vai conseguir se livrar da sombra do filme de Fincher? A resposta fica para a tela, mas a recusa já virou parte da história da produção.
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