Skeet Ulrich lamenta que a saída de Melissa Barrera tenha interrompido o arco de Billy Loomis em Pânico.
- O arco que ficou pelo caminho
- Sam era a ponte para Billy
- A polêmica e seus efeitos
- A franquia segue sem a resposta
O arco que ficou pelo caminho
Para quem acompanhou os filmes recentes de Pânico, Billy Loomis aparecendo como uma espécie de alucinação na mente de Sam Carpenter era mais do que uma piscadinha nostálgica. Interpretado por Skeet Ulrich no filme original de 1996, o antigo Ghostface ganhou uma nova função ao surgir nos capítulos cinco e seis como parte da história da filha que ele nunca conheceu.
Em entrevista à Us Weekly, Ulrich lamentou não ter conseguido completar o arco de três filmes que, segundo ele, havia sido planejado. O ator foi direto: sem Melissa Barrera e Sam Loomis, não haveria motivo para Billy continuar aparecendo daquela forma. A ideia, portanto, não era simplesmente trazer um rosto conhecido de volta para arrancar aplausos de quem reconhece o elenco do primeiro longa.
E isso é uma pena. Pânico sempre brincou com as próprias regras e com o peso de suas continuações. Usar Billy como uma presença inquietante na cabeça de Sam tinha potencial para levar essa conversa adiante, especialmente porque a relação entre os dois carregava culpa, herança e uma boa dose de horror psicológico.
Sam era a ponte para Billy
O retorno de Ulrich funcionava porque estava ligado à protagonista de Barrera. Billy não voltava como um fantasma solto no roteiro, pronto para fazer turismo em Woodsboro. Ele existia dentro do conflito de Sam, uma personagem que tentava entender o que herdou do pai e o que poderia escolher ser por conta própria.
Essa conexão também dava uma camada diferente à franquia. Em vez de depender apenas de mais uma revelação sobre quem veste a máscara, os filmes podiam explorar o medo de Sam de repetir a violência associada ao sobrenome Loomis. Era uma linha dramática que ainda tinha espaço para crescer, mesmo sem transformar Pânico em uma saga de fantasmas e visões.
Quando Ulrich afirma que não existe Billy sem Sam, a fala não soa como um pedido para o personagem voltar a qualquer custo. É o reconhecimento de que a participação dele fazia sentido por causa da jornada dela. Tirar a protagonista e depois tentar preservar o mesmo plano seria como manter uma peça de quebra-cabeça depois de jogar fora a imagem da caixa.
A polêmica e seus efeitos
Barrera foi demitida pela Spyglass Media Group depois de publicar mensagens pró-Palestina e criticar as ações de Israel na guerra contra o Hamas. Na época, a empresa afirmou ter tolerância zero com antissemitismo e incitação ao ódio. A atriz condenou o antissemitismo, mas também defendeu seu direito de usar as redes para chamar atenção a questões importantes para ela.
O caso não ficou restrito a uma mudança de elenco. Ele alterou o rumo de uma história que, segundo Ulrich, previa três filmes com Billy ligado à trajetória de Sam. O ator e Barrera não apareceram em Pânico 7, e a ausência dela deixou uma pergunta inevitável no ar: o que teria acontecido com aquela relação entre filha e pai se o plano original tivesse seguido adiante?
Matthew Lillard, outro nome querido pelos fãs, também falou sobre o episódio. Depois de reprisar Stu Macher no sétimo filme, disse que se arrependeu de ter aceitado o papel sem considerar a situação de Barrera. É um comentário que mostra como a controvérsia continuou reverberando entre os próprios atores, não só nas discussões de quem acompanha a franquia.
A franquia segue sem a resposta
Há uma ironia difícil de ignorar: Pânico 7 recebeu críticas negativas, mas se tornou a maior bilheteria da série. O sucesso comercial mantém a faca afiada para novas continuações, e Pânico 8 já está em desenvolvimento com Nora e Lilla Zuckerman no roteiro. A franquia, como sempre, encontrou um jeito de continuar. Isso não significa que todas as histórias interrompidas tenham sido resolvidas.
O comentário de Ulrich bate justamente nesse ponto. Billy pode voltar em imagens, lembranças ou até em uma reviravolta típica da saga, mas a conexão que dava sentido à sua presença estava ligada a Sam. Sem ela, qualquer retorno corre o risco de virar só mais uma participação para fazer a plateia cutucar o amigo ao lado e sussurrar: “olha quem apareceu”.
Não dá para saber se o arco planejado teria sido brilhante, divisivo ou apenas mais uma boa ideia que a franquia precisaria desmontar no filme seguinte. Mas havia uma direção narrativa ali, e agora ela pertence à lista de caminhos que Pânico não percorreu. Para uma série que adora perguntar quem está por trás da máscara, essa talvez seja uma das respostas que os fãs nunca vão receber.
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