Carol Duarte encara um desafio inédito em O Segredo de Eva, filme italiano exibido no Festival do Rio 2026.
- Uma Eva cheia de mistérios
- A ponte com o cinema italiano
- Patrícia e a vontade de ir além
- Da tensão à comédia
Uma Eva cheia de mistérios
Depois de conquistar o público em A Força do Querer e emocionar em A Vida Invisível, Carol Duarte aparece em um terreno bem diferente. Em O Segredo de Eva, ela vive a protagonista de uma história que mistura fantasia e tensão, sem entregar todas as cartas de uma vez. E, pelo que a atriz contou, chegar perto dessa personagem foi tudo menos simples.
Eva é descrita como uma mulher misteriosa que percorre a cidade seduzindo homens. Mas o foco da trama não está só nesses encontros: depois de cada aproximação, os filhos deles começam a criar um vínculo com ela e acabam desaparecendo. É uma premissa curiosa, daquelas que fazem a gente querer saber o que está por trás do enigma, mas sem precisar transformar o mistério em spoiler de corredor.
A comparação com Sob a Pele, filme de Jonathan Glazer estrelado por Scarlett Johansson, ajuda a imaginar o clima: uma figura enigmática, uma lógica própria e uma sensação de que existe algo além do que vemos. Ainda assim, O Segredo de Eva tem sua identidade e um tempero mediterrâneo. Não é pouca coisa sustentar uma protagonista assim sem cair na caricatura de “mulher misteriosa” que só existe para confundir o espectador.
Na conversa durante o Festival do Rio, Duarte chamou Eva de sua personagem mais difícil de acessar. O universo dela é distante da atriz, então a construção precisou acontecer aos poucos. A ideia, segundo Carol, era encontrar uma interpretação verdadeira, sem forçar uma explicação nem cair em estereótipos. É um equilíbrio delicado: entender as ações da personagem sem fingir que ela é fácil de decifrar.
A ponte com o cinema italiano
O Segredo de Eva é o segundo filme de Carol na Itália, depois de La Chimera, de 2023. A experiência anterior abriu uma porta internacional para a atriz e também mostrou que trabalhar em outra língua podia render novos caminhos. Como ela fala italiano, o convite para voltar ao país veio acompanhado de uma oportunidade especial: fazer sua primeira protagonista italiana.
Também existe uma mudança de registro. La Chimera marcou sua primeira experiência cinematográfica fora do Brasil; Eva, por outro lado, é seu primeiro filme de gênero. Para quem costuma associar a atriz a trabalhos dramáticos, esse passo tem um apelo próprio. Não porque mudar de gênero seja uma obrigação para provar versatilidade, mas porque ver uma intérprete explorar ferramentas novas costuma ser mais interessante do que repetir a mesma fórmula até o último episódio.
O desafio, porém, não ficou só no idioma. Carol contou que filmes de suspense e terror costumam deixá-la ansiosa, então precisa estar num bom momento para assisti-los. Interpretar alguém que faz coisas nada legais também exigiu outra postura: em vez de defender Eva ou julgá-la, a atriz buscou cumprir o que estava no roteiro. Uma abordagem que combina com personagens que não vêm com manual de instruções.
Patrícia e a vontade de ir além
Quem acompanhou a terceira temporada de Os Outros viu Carol em outra personagem intensa: Patrícia. A atriz destacou o carinho pelo elenco e pela experiência de gravação, ao lado de nomes como Pedro Wagner, Odilon Esteves, Lázaro Ramos e Adriana Esteves, sob direção de Luisa Lima.
Patrícia vive num contexto difícil, no campo e com poucos recursos, mas não deixa que a realidade determine todo o tamanho dos seus sonhos. É justamente essa ousadia que tornou o papel atraente para Duarte: a personagem conserva a vontade de experimentar outras possibilidades, mesmo quando o caminho parece estreito. Num drama cheio de tensão, esse desejo de mudança funciona como uma faísca de humanidade.
Da tensão à comédia
O próximo contraste vem com Enfim Sós, série de comédia que deve marcar a estreia de Carol numa sitcom. E tem uma ironia boa aí: antes de ficar mais conhecida por trabalhos dramáticos, ela começou sua trajetória no teatro estudando comédia. Segundo a atriz, os amigos que a viram migrar para o drama chegaram a estranhar a mudança.
O convite, portanto, atende a uma vontade antiga. Carol também celebrou a chance de contracenar com Andréa Beltrão, atriz que admira. Entre uma protagonista enigmática no cinema italiano, uma personagem sonhadora em Os Outros e uma comédia no horizonte, a carreira dela parece seguir sem medo de trocar de marcha.
O Segredo de Eva foi exibido no Festival do Rio 2026, mas ainda não tem previsão de lançamento comercial no Brasil. Quando chegar ao circuito, a curiosidade vai ser acompanhar como Carol sustenta uma personagem tão distante de si e tão próxima do inexplicável. Para quem gosta de histórias que deixam algumas portas entreabertas, essa pode ser uma sessão daquelas que continuam rendendo conversa depois dos créditos.
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