Produção brasileira no Disney+ deve ganhar espaço com uma novidade nacional por mês a partir de 2027.
- Um calendário com mais Brasil
- Do drama ao true crime
- O plano para chegar ao mundo
- Temporadas sem sumir do mapa
- A aposta vai além da quantidade
Um calendário com mais Brasil
O Disney+ quer transformar as produções brasileiras em presença constante no catálogo, e não em eventos que aparecem de tempos em tempos. Segundo Monica Albuquerque, responsável pelo conteúdo original da plataforma no Brasil, a meta é lançar uma produção nacional por mês a partir de meados de 2027.
Em entrevista ao Estadão, a executiva explicou que a frequência regular pode ajudar a aproximar a plataforma do público. É uma lógica simples: quando há novidades com alguma constância, fica mais fácil para a audiência acompanhar e criar vínculo com as histórias. Para quem já se cansou de esperar anos por uma nova temporada, a promessa chama atenção.
Mas vale o asterisco: o plano não significa que todo mês teremos necessariamente uma série grandiosa pronta para virar conversa de grupo. A proposta inclui diferentes formatos e tamanhos de produção. E, convenhamos, um documentário interessante pode prender mais do que uma série inflada só para preencher calendário.
Do drama ao true crime
A estratégia prevê variedade de gêneros: dramas, ação, comédia, documentários e histórias de true crime. A ideia é não tratar a produção nacional como uma prateleira de um único estilo. Isso importa porque o público brasileiro não assiste a uma coisa só, por mais que os algoritmos às vezes insistam em nos empurrar para a mesma bolha.
Um dos projetos já em andamento é Virando o Jogo, série sobre o jogo do bicho que terá Glória Pires, Carolina Dieckmann e Gabz no elenco. As filmagens estão previstas para começar em outubro de 2026, junto com a produção de outros projetos: três documentários e mais uma série. Amor da Minha Vida, estrelada por Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros, também acaba de ganhar segunda temporada, lançada em 9 de outubro de 2026.
Nos primeiros meses à frente da área, Albuquerque e a equipe se concentraram em conversar com roteiristas e realizadores e reunir projetos para desenvolvimento. Essa etapa é menos glamourosa que anunciar elenco, mas é onde se constrói uma programação capaz de durar. Sem histórias em desenvolvimento, a meta mensal corre o risco de virar uma corrida para entregar conteúdo a qualquer custo.
O plano para chegar ao mundo
A iniciativa também responde a uma orientação da matriz da Disney, nos Estados Unidos: ampliar a presença de histórias locais e buscar público além das fronteiras brasileiras. Albuquerque vê o país como um polo criativo com profissionais e talentos que podem ganhar projeção internacional com o apoio da estrutura da companhia.
Como referência, a executiva cita mercados como Espanha, Coreia do Sul e Turquia, cujas produções encontraram espectadores em vários países. Não é uma fórmula mágica, claro. Ninguém aperta um botão e transforma uma série em fenômeno global, muito menos uma plataforma. Mas uma oferta mais regular pode aumentar as chances de uma história encontrar seu público, aqui e lá fora.
Esse ponto é promissor, desde que a busca por alcance internacional não dilua o que torna cada obra brasileira. A graça não está em fazer uma versão genérica de uma série estrangeira, mas em contar histórias com identidade própria e dar a elas condições de circular pelo mundo.
Temporadas sem sumir do mapa
Outro desafio é reduzir os intervalos entre temporadas. A segunda leva de Amor da Minha Vida chegou dois anos depois da primeira, mas a terceira já foi confirmada. Albuquerque diz que a intenção é trabalhar para que as séries tenham temporadas anuais, começando o desenvolvimento mais cedo quando houver confiança no potencial de um título.
Fazer isso exige planejamento de roteiro, gravação e pós-produção. A executiva também aponta o tempo necessário para preparar versões em diferentes formatos, com dublagem e legendas. É um lembrete de que a série não termina quando a câmera para: ainda há uma maratona de etapas até o episódio aparecer na tela.
Impuros, que já gravou sua sétima temporada, é um exemplo de história brasileira com fôlego para continuar. E continuidade importa. Quando uma produção some por tempo demais, parte do público pode seguir para outra aventura, como quem troca de tripulação no meio da Grand Line.
A aposta vai além da quantidade
Uma produção nacional por mês é uma meta ambiciosa, mas o número sozinho não garante catálogo forte. O teste real será equilibrar frequência, diversidade e qualidade, sem sacrificar as equipes nem lançar títulos que desapareçam da conversa logo depois da estreia.
Se o Disney+ conseguir manter um fluxo consistente e apostar em histórias com personalidade, a iniciativa pode abrir mais espaço para criadores brasileiros e dar ao público motivos para voltar ao catálogo. Fenômeno ninguém encomenda: quem decide é a audiência. Mas, para uma série ter chance de conquistar fãs, primeiro ela precisa chegar até eles. E, nesse caso, aparecer com regularidade já seria um bom começo.
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