Cara-de-Barro: terror brutal que já chocou a crítica

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As primeiras reações ao Cara-de-Barro apontam para um terror corporal sombrio, violento e bem diferente do padrão dos filmes de herói.

Um monstro fora do padrão

O novo longa da DC Studios passou por uma sessão antecipada para a imprensa, e as primeiras impressões vieram com um vocabulário pouco discreto: incrível, perturbador, brutal. Para um personagem conhecido por mudar de forma, talvez seja apropriado que o filme também fuja do molde mais familiar de aventura de super-herói.

As reações descrevem uma Gotham inquietante e uma história que aposta no horror, em vez de tratar o Cara-de-Barro como só mais um adversário esperando a vez de enfrentar o Batman. O diretor James Watkins, segundo os comentários, explora os poderes do personagem de um jeito inventivo e bastante sombrio.

Brandon Davis elogiou justamente essa combinação de atmosfera e criatividade visual. Para ele, o resultado tem ideias tortas, momentos grotescos e uma atuação de destaque de Tom Rhys Harries. É um tipo de elogio que sugere um filme interessado em deixar o público desconfortável, não em oferecer apenas uma sequência de cenas de ação com capa e trilha grandiosa.

O corpo como pesadelo

O principal chamariz parece ser o horror corporal. As primeiras reações falam em cenas violentas e imagens capazes de provocar aquela contorcida involuntária na poltrona. Sabe quando um filme mostra algo tão esquisito que você sente vontade de olhar, mas também de cobrir os olhos? Aparentemente, Cara-de-Barro quer brincar bastante com essa sensação.

O editor do Collider, Steven Weintraub, chamou atenção para a classificação para maiores de 18 anos e contou que a plateia reagiu em vários momentos da sessão. Não é confirmação de que cada cena vai virar um novo pesadelo pessoal, claro, mas indica que a produção não parece estar suavizando a violência para caber no padrão mais comportado dos filmes de herói.

Chris Killian também destacou a mistura de grotesco com romance gótico. Essa combinação pode ser o tempero mais curioso do longa: por trás da deformação e do sangue, existe uma história trágica sobre Matt Hagen. Se o filme conseguir equilibrar horror e emoção, em vez de tratar o personagem como uma coleção de efeitos, pode encontrar uma identidade própria.

Tom Rhys Harries no centro

Entre os elogios recorrentes está a atuação de Tom Rhys Harries. Peter Gray descreveu a interpretação como uma mistura de charme juvenil e ameaça silenciosa, enquanto Davis foi ainda mais entusiasmado ao afirmar que o ator se destaca no papel. É uma combinação interessante para Matt Hagen, um personagem cuja tragédia e monstruosidade precisam dividir espaço.

Naomi Ackie também aparece entre os nomes elogiados nas primeiras impressões, embora os comentários divulgados tragam menos detalhes sobre sua personagem. Por enquanto, o recado é simples: a conversa não está girando só em torno de maquiagem, sangue e poderes viscosos. O elenco parece ter sido parte importante da boa recepção inicial.

Um filme da DC sem manual de instruções

Uma notícia especialmente boa para quem não acompanha cada anúncio do universo compartilhado: Weintraub afirmou que o longa funciona sem exigir conhecimento prévio da DC. Ou seja, não parece ser preciso estudar uma linha do tempo inteira antes de sentar para ver um monstro de argila causando problemas. Um conceito que outros universos cinematográficos poderiam revisitar de vez em quando.

Jim Vejvoda, do IGN, comparou o filme a suspenses de vingança e produções de terror de baixo orçamento dos anos 1950 e 1960, além dos clássicos cult das décadas seguintes que homenagearam essa tradição. Já Peter Gray ressaltou que o clima de quadrinhos não tira o peso da brutalidade. A promessa, portanto, não é abandonar a origem do personagem, mas misturá-la com referências de horror mais antigas.

E nada de esperar uma aparição do Batman: uma das próprias reações alerta que o herói não está no filme. Para mim, isso soa menos como uma ausência e mais como uma chance de deixar Matt Hagen ocupar o centro da tela sem dividir os holofotes com o morcego de Gotham.

Quando ver Cara-de-Barro?

O filme estreia nos cinemas brasileiros em 22 de outubro de 2026. Vale lembrar que essas são primeiras impressões, publicadas depois de uma exibição antecipada, e não substituem uma crítica completa nem garantem que todo mundo vai sair da sessão encantado. Ainda assim, o entusiasmo parece vir acompanhado de algo concreto: elogios à atuação, à atmosfera e a uma abordagem de terror que não tenta se disfarçar de aventura convencional.

Se Cara-de-Barro cumprir essa promessa, a DC pode ganhar um filme de monstro com personalidade própria, capaz de funcionar tanto para quem conhece Matt Hagen dos quadrinhos quanto para quem só quer uma boa dose de horror grotesco. E, convenhamos, ver um vilão do Batman protagonizar um pesadelo corporal sem precisar chamar o Batman para resolver tudo já é uma mudança de forma bem-vinda.

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