A Mostra de Cinema de São Paulo reúne premiados de Cannes, Veneza e estrelas que prometem sessões disputadas.
- Um cardápio para cinéfilo
- Premiados que merecem a fila
- Hollywood chega com histórias pesadas
- Fora do holofote também tem filme forte
- Como escolher sua sessão
Um cardápio para cinéfilo
Festival de cinema é aquele momento em que a gente tenta equilibrar a curiosidade, o horário da sessão e a distância entre uma sala e outra. Na 50ª edição da Mostra de São Paulo, a disputa promete ser especialmente acirrada: há títulos premiados em festivais internacionais, produções brasileiras e filmes com atores conhecidos de Hollywood.
Entre os destaques estão Fjord, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, e Tigre de Papel, drama que abriu o evento. Já Primetime chama atenção pelo protagonista Robert Pattinson e por uma trama que parece feita para deixar a conversa pós-sessão bem animada. A seleção também tem histórias menos óbvias, da Coreia do Sul à Bulgária.
Premiados que merecem a fila
Fjord, dirigido por Cristian Mungiu, junta Sebastian Stan e Renate Reinsve em uma história sobre duas famílias que se aproximam numa vila isolada. A tensão aparece quando a filha adolescente de um casal surge machucada e as diferenças na criação das crianças passam a pesar. É uma premissa que troca sustos fáceis por desconforto familiar, e a Palma de Ouro ajuda a explicar por que tanta gente quer garantir ingresso.
Outro título para ficar de olho é Amor Possível, do sul-coreano Lee Chang-dong. A convivência entre dois casais, iniciada num funeral, vai mexendo com atrações e conflitos que pareciam controlados. O filme venceu o Grande Prêmio do Júri em Veneza e tem 164 minutos. Sim, é bom escolher uma sessão em que você não esteja contando os minutos para correr ao metrô.
Também premiados, A Aventura Sonhada leva uma arqueóloga a investigar um universo de crime numa cidade de fronteira e conquistou o Prêmio do Júri em Cannes. Mulher Desconhecida, vencedora do Leão de Ouro em Veneza, acompanha uma jovem empregada doméstica cujo passado durante a Segunda Guerra ameaça vir à tona. São filmes de ritmos e cenários diferentes, mas com aquela ambição que costuma render boas conversas na saída.
Hollywood chega com histórias pesadas
Em Primetime, Pattinson interpreta o jornalista Chris Hansen, que tenta salvar uma emissora em crise com um programa controverso: flagrar suspeitos de crimes contra menores ao vivo. O tema é espinhoso, e a ideia de transformar casos reais em espetáculo promete levantar questões que vão além do suspense. As sessões estão marcadas para os dias 19, 20, 25 e 29, em salas como Cinesesc, Cultura Artística e Reserva Cultural.
Já Tigre de Papel coloca Adam Driver e Scarlett Johansson numa Nova York de 1986. Dois irmãos perseguem o sonho americano com um negócio ambiental, mas acabam enredados pela máfia russa. Dirigido por James Gray, o drama foi o filme de abertura da Mostra e terá sessões nos dias 16 e 27. Não é exatamente a versão tranquila do empreendedorismo que aparece em palestra motivacional.
Fora do holofote também tem filme forte
Para quem prefere descobrir histórias sem depender de rostos famosos no cartaz, Feito Pipa é uma aposta brasileira. O longa de Allan Deberton acompanha Gugu, às vésperas dos 12 anos, e sua relação com a avó. A seca revela ruínas de uma cidade submersa perto de casa, mudando o cotidiano dos dois. O filme foi premiado em Berlim e terá sessões nos dias 21 e 29.
Há ainda O Outro Lado das Redes, dirigido por Aaron Sorkin, que aborda Mark Zuckerberg a partir de documentos vazados sobre os efeitos das plataformas na política e na saúde mental dos jovens. Para completar a seleção mais ligada à atualidade, o documentário Musk, de Alex Gibney, investiga as contradições corporativas e a influência política de Elon Musk. Com 235 minutos, é bom reservar uma fatia generosa do dia.
Como escolher sua sessão
Os horários vão de 16 a 31 de outubro, em salas como Cinesesc, Cine Belas Artes, Cultura Artística, Reserva Cultural e Espaço Petrobras de Cinema. Como alguns dos títulos mais comentados podem esgotar rápido, vale conferir a programação completa e organizar o trajeto antes de comprar. Maratona de festival é ótima; perder o começo do filme porque a sessão era do outro lado da cidade, nem tanto.
Se a ideia é começar pelos favoritos do público, Fjord, Tigre de Papel e Primetime formam um trio chamativo. Mas a graça da Mostra está justamente em sair do caminho mais óbvio: um drama premiado da Coreia do Sul ou uma produção brasileira podem acabar sendo a sessão que você vai recomendar para todo mundo depois. Escolha com carinho e deixe espaço para uma surpresa.
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