Razão e Sensibilidade quebra recorde antes da estreia

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Razão e Sensibilidade já chega aos cinemas com um recorde de bilheteria no bolso e Daisy Edgar-Jones à frente do elenco.

O recorde que Austen esperava há dez anos

Jane Austen voltou a conquistar as bilheterias, e desta vez não precisou de zumbis para isso. A nova adaptação de Razão e Sensibilidade, estrelada por Daisy Edgar-Jones e Esmé Creed-Miles, tem estreia doméstica projetada em US$ 6,7 milhões nos Estados Unidos. Se a previsão se confirmar, será a maior abertura de uma adaptação de época baseada na obra da escritora, sem ajuste pela inflação.

A marca supera os US$ 5,3 milhões de Orgulho e Preconceito e Zumbis, lançado em 2016. Sim, aquela mistura de romance de época com mortos-vivos ainda segurava o recorde. Entre as adaptações mais tradicionais de Austen, o destaque era Orgulho e Preconceito, de 2005, com Keira Knightley e Matthew Macfadyen, que abriu com US$ 2,8 milhões.

É um feito curioso porque mostra que o público ainda encontra espaço para histórias de duas irmãs, escolhas difíceis e sentimentos que não cabem numa mensagem de texto. E, convenhamos, o drama romântico de época tem um charme que nem o algoritmo conseguiu aposentar.

Um número forte, mas com contexto

Antes de coroar o filme como a nova rainha do baile, vale olhar para o cenário inteiro. Apesar do recorde entre as adaptações de Austen, a projeção deixa Razão e Sensibilidade na quinta posição geral do fim de semana nos cinemas norte-americanos. É uma boa largada, não uma dominação absoluta do reino.

Também existe uma diferença importante entre os lançamentos. Algumas adaptações anteriores chegaram primeiro a poucas salas e só depois ampliaram a distribuição. Comparar estreias feitas em condições diferentes é como comparar uma luta de One Piece com regras distintas: o placar conta, mas o contexto muda bastante a leitura.

O orçamento estimado é de US$ 25 milhões. As projeções apontam para uma arrecadação mundial entre US$ 85 milhões e US$ 120 milhões caso o longa mantenha uma trajetória parecida com a de outros sucessos inspirados na autora. Por enquanto, isso é uma expectativa, não dinheiro já depositado no cofre da Universal.

As irmãs Dashwood estão de volta

Na trama, Elinor Dashwood, interpretada por Edgar-Jones, e Marianne Dashwood, vivida por Creed-Miles, enfrentam problemas familiares, financeiros e amorosos. A história acompanha duas irmãs que lidam com o mundo de maneiras diferentes: uma tende a conter o que sente, enquanto a outra deixa a emoção falar mais alto. O título, como dá para notar, não está ali só para ficar bonito no cartaz.

O elenco também reúne Caitríona Balfe como a senhora Dashwood, George MacKay no papel de Edward Ferrars, Frank Dillane como John Willoughby e Herbert Nordrum como coronel Brandon. A direção é de Georgia Oakley, com roteiro de Diana Reid. É um grupo interessante para revisitar personagens conhecidos sem tratar o romance como peça de museu.

A produção chega ao Brasil em 29 de outubro e marca o retorno da obra aos cinemas mais de três décadas depois da versão de Ang Lee, lançada em 1995. Aquele filme arrecadou US$ 43,2 milhões mundialmente. Agora, a nova adaptação precisa conquistar tanto quem já sabe de cor os dilemas das Dashwood quanto quem ainda não teve seu primeiro encontro com Austen.

Austen ainda conversa com o público?

Os primeiros sinais de recepção são animadores: o longa aparece com 90% de aprovação do público verificado no Rotten Tomatoes, empatado com as versões de 1995 e de Orgulho e Preconceito de 2005. Essa avaliação pode ajudar o filme a permanecer mais tempo em cartaz, embora nota de público e bilheteria nem sempre caminhem de mãos dadas.

O recorde importa, mas talvez o mais interessante seja ver uma história escrita há mais de dois séculos continuar encontrando plateia. Austen falava de dinheiro, reputação, família e casamento, assuntos que mudaram de figurino, mas não desapareceram. A nova versão tem uma boa oportunidade de provar que essas tensões ainda rendem cinema, desde que não confunda elegância com falta de personalidade.

Agora a pergunta é se a curiosidade da estreia vai virar fôlego nas semanas seguintes. Com uma recepção inicial positiva e um elenco conhecido, Razão e Sensibilidade começa bem. Para transformar recorde de abertura em sucesso duradouro, vai precisar convencer o público de que essa história merece ser vista na tela grande, não apenas lembrada com carinho pelos fãs das adaptações anteriores.

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