O filme de Elden Ring pode custar quase US$ 200 milhões, um recorde para a A24 e uma aposta gigantesca em fantasia sombria.
- O orçamento é de chefe final
- As Terras Intermédias vão para a tela
- Quem está por trás do projeto
- O desafio de adaptar Elden Ring
O orçamento é de chefe final
A adaptação live-action de Elden Ring deve ter orçamento de produção próximo de US$ 200 milhões, segundo informações publicadas pelo The Wall Street Journal. Convertido para reais, o valor fica na casa de R$ 1,1 bilhão, embora a cotação possa mudar bastante até a estreia.
Com essa cifra, o longa se tornaria a produção mais cara da história da A24. Para ter uma comparação, o drama Marty Supreme, estrelado por Timothée Chalamet, teria custado cerca de US$ 70 milhões. Ou seja, Elden Ring pode chegar perto de três vezes esse valor. É um salto e tanto para um estúdio conhecido por filmes autorais e produções de escala mais contida.
O número chama atenção, mas não significa automaticamente que veremos uma aventura melhor. Orçamento compra cenários, efeitos, criaturas e tempo de produção; não compra atmosfera por atacado. Ainda assim, adaptar um mundo cheio de castelos arruinados, monstros colossais e paisagens de fantasia sem economizar no espetáculo parece uma escolha coerente.
As Terras Intermédias vão para a tela
Lançado em 2022, o jogo da FromSoftware leva os jogadores às Terras Intermédias, um reino devastado depois da destruição do Anel Prístino, artefato ligado à ordem daquele mundo. Seus fragmentos, as Grandes Runas, estão nas mãos de semideuses corrompidos por poder e loucura.
O protagonista é um Maculado convocado para reunir essas runas e tentar restaurar a ordem. É uma premissa épica, mas quem jogou sabe que Elden Ring não entrega tudo mastigadinho: muita história aparece em detalhes do cenário, descrições de itens e encontros que parecem ter saído de um pesadelo medieval. O filme terá de transformar esse mistério em narrativa sem virar uma visita guiada por nomes difíceis de pronunciar.
Essa liberdade para explorar e descobrir é parte do encanto do jogo. No cinema, porém, a história precisa avançar por outro caminho. O desafio será preservar a sensação de um mundo antigo e quebrado sem exigir que a plateia chegue com um guia de lore aberto no celular.
Quem está por trás do projeto
Alex Garland dirige o longa. O cineasta já comandou Ex_Machina, Guerra Civil e Tempo de Guerra, além de ter escrito Extermínio. É um currículo que combina ficção científica, tensão e imagens marcantes, ingredientes bem-vindos para levar a estranheza das Terras Intermédias ao cinema.
George R.R. Martin participa como produtor. Ele ajudou a criar a base do universo do jogo ao lado de Hidetaka Miyazaki, embora ainda não tenha sido informado se também atuará como consultor da adaptação. A presença dele pode ajudar a preservar parte da construção mitológica, mas a direção de Garland terá de encontrar sua própria forma de contar essa história.
O elenco anunciado reúne Kit Connor, Ben Whishaw, Cailee Spaeny, Tom Burke, Havana Rose Liu, Sonoya Mizuno, Jonathan Pryce, Ruby Cruz, Nick Offerman, John Hodgkinson, Jefferson Hall, Emma Laird e Peter Serafinowicz. Por enquanto, não foram divulgados detalhes sobre os personagens de cada ator. Dá para reconhecer nomes de Heartstopper, Alien: Romulus e The Last of Us, mas qualquer tentativa de escalar cada um como um semideus específico ainda é puro chute de fã.
O desafio de adaptar Elden Ring
Com estreia marcada para 3 de março de 2028, o filme terá tempo para construir uma produção de grande escala. O orçamento recordista também aumenta a curiosidade: a A24 está apostando alto num universo que não é exatamente conhecido por explicar seus mistérios com clareza e gentileza.
Na minha opinião, esse é justamente o ponto que pode separar uma adaptação interessante de uma fantasia genérica com armaduras bonitas. Elden Ring precisa parecer vasto, silencioso e um pouco hostil. Se o longa acertar essa sensação e criar uma história que funcione para quem nunca derrotou um chefe do jogo, os milhões terão servido para algo além de deixar os trailers impressionantes.
Por enquanto, temos um diretor com experiência em mundos inquietantes, Martin na produção, um elenco cheio de rostos conhecidos e uma conta de produção digna de uma runa lendária. A próxima grande vitória será provar que esse investimento consegue traduzir o espírito do jogo, e não só reproduzir sua escala.
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