XP Xbox: a jogada para levar games além das telas

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XP Xbox é a nova aposta da Microsoft para transformar franquias de videogame em filmes, séries, produtos e experiências presenciais.

Do controle para o cinema

A Xbox decidiu organizar em uma divisão só o trabalho para levar suas propriedades intelectuais para além dos jogos. Batizada de XP, numa referência aos pontos de experiência que a gente acumula nas partidas, a área cuidará de filmes, séries, produtos licenciados, parques temáticos e parcerias com marcas e criadores.

O movimento vem depois de resultados que seriam difíceis de ignorar. Um Filme Minecraft, lançado em 2025, ultrapassou US$ 550 milhões em bilheteria nas duas primeiras semanas e teve a maior estreia de fim de semana entre adaptações de videogames. Já Fallout, da Amazon Prime Video, mostrou que uma adaptação pode agradar quem conhece o jogo e ainda conquistar gente que nunca encostou num controle.

Para a Microsoft, a mensagem é clara: franquias fortes não precisam ficar presas ao console. Para nós, fãs, a pergunta é outra: essa expansão vai contar histórias que fazem jus aos jogos ou só estampar personagens conhecidos em mais produtos?

Quatro frentes, uma só missão

A XP será dividida em quatro áreas. Xbox Pictures ficará com cinema e televisão; Xbox Products cuidará de produtos licenciados; Xbox Places vai supervisionar parques e experiências presenciais; e Xbox Partnerships coordenará colaborações com marcas, patrocinadores e criadores.

Segundo a empresa, essas iniciativas já existiam em equipes diferentes. A novidade é reuni-las sob uma liderança única. É uma decisão que faz sentido: quando cada projeto corre numa direção, a marca pode acabar parecendo uma coleção de ações desconectadas. Com uma estratégia comum, fica mais fácil transformar um jogo em universo de entretenimento, e não apenas em uma sequência de lançamentos com o mesmo logotipo.

Os planos de parques de Minecraft nos Estados Unidos e no Reino Unido ajudam a mostrar o tamanho da ambição. Os projetos têm investimento superior a £ 85 milhões e previsão de abertura entre 2026 e 2027. Imagine um passeio em que construir, explorar e sobreviver saem da tela. Para a criançada, pode ser um sonho; para os adultos, talvez seja a chance de finalmente provar que sabem fazer uma casa melhor que uma caixa de terra.

Quem vai comandar a expansão

A liderança da divisão ficará com Kayleen Walters, que deixa a presidência da Mojang, estúdio de Minecraft. Ela trabalhou por 13 anos na Lucasfilm e participou do relançamento de Star Wars. Depois, acompanhou a expansão de Minecraft, que passou de 350 milhões para 425 milhões de unidades vendidas, além de ajudar a levar seus produtos licenciados ao grupo dos 20 maiores do mundo.

Walters também foi produtora executiva de Um Filme Minecraft e já trabalha na sequência, que está em filmagem. Ou seja, não chega à XP só com apresentações bonitas em PowerPoint: ela conhece de perto duas marcas gigantes e tem experiência em levar universos queridos para novos formatos.

O catálogo já está em movimento

A XP não parte do zero. Entre os projetos em desenvolvimento estão versões live-action e animada de Gears of War para a Netflix, um filme de Sea of Thieves produzido por Destin Daniel Cretton, de Shang-Chi, e uma adaptação de Call of Duty prevista para 2028, com Peter Berg e Taylor Sheridan. Também há uma série de Wolfenstein em desenvolvimento.

Fallout segue como um dos principais exemplos do potencial dessa estratégia: a segunda temporada alcançou 83 milhões de espectadores nas primeiras 13 semanas, e uma terceira já está em desenvolvimento. A concorrência, porém, não está parada. Super Mario Bros.: O Filme e sua sequência somaram bilhões em bilheteria, mostrando que a disputa por histórias de videogame virou negócio grande de verdade.

O desafio é não perder a alma

Há um ponto que não dá para ignorar: a criação da XP acontece enquanto a Microsoft enfrenta demissões, fechamento de estúdios e cortes em equipes de jogos. A expansão para cinema, produtos e parques pode abrir novas fontes de receita, mas não apaga as preocupações de quem vê a estrutura tradicional de desenvolvimento encolher.

O plano de se tornar a maior companhia de entretenimento do mundo é ambicioso, para dizer o mínimo. Mas tamanho não garante boas histórias. A XP vai valer a pena se usar o alcance da Xbox para ampliar universos sem tratar cada franquia como uma máquina de vender ingresso e camiseta. Como fã de cultura pop, eu torço para ver mundos mais ricos, não apenas mais prateleiras cheias. O próximo nível depende de equilibrar negócio e criatividade.

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