Jujutsu Kaisen já deixa claro que ser protagonista não garante final feliz. Yuji sofre muito, mas há heróis de anime que enfrentam destinos ainda mais sombrios.
- Trauma não é competição, mas…
- Morrer, voltar e lembrar de tudo
- Quando o corpo também paga a conta
- Esperança no fim do mundo
- Ainda dá para sair por cima?
Trauma não é competição, mas…
Atenção: há spoilers de várias obras nesta lista. Yuji Itadori perde o avô, recebe uma sentença de morte adiada e vê Sukuna transformar seu corpo em instrumento de massacre. É um pacote de sofrimento que faria qualquer um pedir transferência da Escola Técnica de Jujutsu.
Mas dor não é placar de campeonato. A ideia aqui não é diminuir o que Yuji enfrenta, e sim lembrar que o anime tem protagonistas presos em ciclos de morte, luto, perda de identidade e apocalipses bem pouco interessados em oferecer terapia.
Morrer, voltar e lembrar de tudo
Subaru Natsuki, de Re:Zero, parece ter ganhado um poder útil: sempre que morre, volta a um ponto anterior. Só que cada tentativa começa com uma morte, e muitas são brutais. Pior: ele é o único que se lembra das linhas do tempo apagadas, incluindo as vezes em que falhou em salvar quem ama. É como viver o mesmo pesadelo sem poder contar a ninguém que ele aconteceu.
Rintaro Okabe, de Steins;Gate, também acaba carregando sozinho memórias que ninguém mais tem. A busca pela linha temporal certa o obriga a encarar repetidas vezes a morte de pessoas próximas. O cientista excêntrico do começo vai cedendo espaço a alguém exausto, e Steins;Gate 0 mostra quanto esse fardo pode quebrar uma pessoa.
Quando o corpo também paga a conta
Phos, de Land of the Lustrous, começa como uma gema curiosa e cheia de energia. A cada perda e substituição de partes do corpo, porém, muda também sua identidade. O mangá leva essa transformação a um destino de isolamento tão longo que até mil anos parecem uma pausa para o café.
Fushi, de To Your Eternity, descobre que a imortalidade é menos superpoder e mais condenação: cria laços, aprende a amar e vê as pessoas queridas morrerem enquanto continua vivendo. Ichise, de Texhnolyze, percorre outra estrada sem saída, perdendo partes do corpo e assistindo à cidade decadente ao redor consumir as poucas conexões que ainda lhe restam.
E aí vem Guts, de Berserk. A infância já começa marcada por abuso e violência, e o breve pertencimento que encontra no Bando do Falcão termina em tragédia. Depois do Eclipse, passa a carregar a Marca do Sacrifício e a lutar num mundo que parece ter assinado contrato para piorar sua vida a cada capítulo.
Esperança no fim do mundo
Denji, de Chainsaw Man, começa endividado, faminto e sem quase nada. Quando finalmente encontra um lugar e pessoas a quem se apegar, a história não demora a mostrar que pequenas felicidades podem ser arrancadas dele. Seu desejo de viver com algum conforto parece simples; o universo, aparentemente, acha isso provocação.
Vash, de Trigun, escolhe continuar sorrindo e tentando proteger a humanidade, apesar da culpa, das perdas e da traição do irmão. Esse otimismo não apaga a dor: deixa mais claro o tamanho do esforço necessário para não se tornar aquilo que o feriu.
Shinji Ikari, de Neon Genesis Evangelion, é uma criança abandonada pelo pai e convocada para lutar numa guerra apocalíptica que nunca pediu. Já Akira Fudo, de Devilman Crybaby, ganha poderes demoníacos sem perder a humanidade e, mesmo assim, não consegue impedir que o medo e a violência destruam o mundo e as pessoas que ama.
Ainda dá para sair por cima?
O que aproxima esses personagens de Yuji não é apenas a quantidade de tragédias, mas a pergunta que cada história faz depois do golpe: o que sobra de alguém quando quase tudo lhe é tirado? Yuji continua tentando encontrar sentido no sofrimento e proteger os outros, mesmo quando o próprio corpo e a própria culpa viram parte do problema.
Guts segue em frente por pura teimosia; Vash tenta responder à violência com compaixão; Okabe insiste em buscar uma saída. Não existe uma régua justa para comparar quem sofreu mais. Mas, se Jujutsu Kaisen já parece cruel, essas histórias mostram que a ficção japonesa ainda tem várias maneiras de olhar para o protagonista e dizer: hoje também não vai ser fácil.
Sugestão para o seu Set-up Nerd:
Encontramos produtos incríveis com desconto!















