Deep Dish Dungeon: uma masmorra feita para explorar

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Deep Dish Dungeon nasceu de uma vontade simples: criar uma aventura cooperativa que seu próprio criador gostaria de jogar.

Uma masmorra para explorar, não só limpar

Quem conhece a Behold Studios por Knights of Pen and Paper ou Chroma Squad já sabe que o estúdio gosta de pegar uma ideia familiar e dar uma sacudida nela. Em Deep Dish Dungeon, a proposta é entrar numa masmorra com os amigos, descobrir seus segredos e dar um jeito de continuar vivo. Sair batendo em tudo que se mexe não é o centro da experiência.

Em entrevista ao Omelete, publicada em 6 de novembro de 2026, Saulo Camarotti, fundador e diretor criativo do estúdio, explicou que costuma procurar na própria biblioteca de jogos aquelas experiências que gostaria de encontrar, mas ainda não existem. Foi assim que tomou forma a ideia de uma aventura cooperativa focada em exploração, sobrevivência e criação de itens. É uma motivação direta, mas que costuma render projetos com personalidade: fazer o jogo que está faltando na estante.

Sobreviver também abre caminhos

A mistura de sobrevivência com metroidvania é o que dá liga à jornada. A masmorra não é gerada aleatoriamente: ela tem uma estrutura feita à mão, com áreas e mistérios para os jogadores aprenderem a navegar. Em vez de receber uma lista de tarefas e seguir um marcador, o grupo observa o ambiente, testa possibilidades e decide o que fazer.

Encontrar uma ferramenta pode mudar o jeito de explorar. Um martelo, por exemplo, permite quebrar grades enferrujadas e alcançar espaços antes bloqueados. Esse tipo de descoberta tem aquele prazer clássico de metroidvania: você volta a um lugar conhecido e, de repente, percebe que ele não era tão fechado quanto parecia. Só que aqui o avanço também depende de sobreviver, coletar recursos e preparar o acampamento.

Sem mapa e sem pressa

Uma escolha curiosa é não oferecer mapa. Os acampamentos espalhados pela dungeon ajudam o grupo a se orientar e funcionam como pontos de apoio, mas a proposta é que os caminhos fiquem na memória. Depois de revisitar corredores e reconhecer atalhos, a masmorra deixa de ser um amontoado de salas e vira um lugar familiar.

Isso conversa com o ritmo cooperativo que Camarotti descreve: os jogadores podem conversar enquanto exploram, trocar hipóteses e resolver juntos os enigmas do ambiente. Não há uma rota única nem uma tela empurrando o próximo objetivo. Para quem gosta de descobrir as regras de um mundo jogando, e não lendo um manual disfarçado de interface, a ideia tem apelo. Para quem precisa de um GPS até a geladeira, talvez seja melhor combinar a expedição com amigos pacientes.

Comida, identidade e comparações inevitáveis

O título foi comparado a Delicious in Dungeon, afinal, os dois colocam comida e masmorras na mesma conversa. Camarotti contou que a equipe já discutia o conceito do jogo antes de conhecer o anime, e fez questão de separar as propostas: cozinhar está presente em Deep Dish Dungeon, mas a aventura não é simplesmente sobre preparar monstros.

Os ingredientes vêm de alimentos do mundo real, como milho, mandioca, pimentão e feijão. Essa escolha também ajuda a dar ao jogo um sotaque latino-americano. O diretor criativo aponta ainda uma crítica à fantasia recorrente do aventureiro branco que invade um templo sagrado, leva seus tesouros e volta para casa como herói. É um detalhe importante: a dungeon não precisa ser só um parque de diversões para saqueadores com espada.

Visual retrô, ideias novas

A arte pixelada e o visual low poly puxam a memória para os jogos dos anos 1990, época em que Camarotti se apaixonou por games. Mas a escolha também tem um lado bem prático: uma equipe pequena consegue testar ideias e produzir conteúdo com mais agilidade do que num projeto 3D complexo. Nostalgia, aqui, não é desculpa para deixar o jogo parado no passado.

A iluminação dinâmica, por exemplo, usa recursos que computadores e consoles atuais tornam possíveis. O resultado combina uma aparência familiar com efeitos mais modernos, enquanto a exploração dá espaço para o grupo encontrar seu próprio jeito de avançar. Deep Dish Dungeon está disponível para PC e Xbox Series X|S, além de integrar o Xbox Game Pass. Para quem curte cooperativo com descoberta, acampamento e comida de masmorra sem transformar tudo numa corrida por loot, a proposta tem um tempero próprio.

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