A Casa do Dragão: Estadão viu a batalha da Goela (set)

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A Casa do Dragão volta com tudo: o Estadão acompanhou o set da terceira temporada na Inglaterra e mostrou como a Batalha da Goela ganha vida antes de estrear neste domingo, 21.

A forja da Goela: tanque, água e caos coreografado

Leavesden, na Inglaterra, é aquele tipo de lugar que você espera ver ficando lotado de magia, e não de logística pesada. Só que no set de A Casa do Dragão, a magia virou engenharia: foi lá que a equipe do Estadão acompanhou, por um dia inteiro, a filmagem de uma parte crucial da Batalha da Goela, conflito decisivo que abre a terceira temporada neste domingo, 21.

A cena acontece com navios se aproximando para o confronto entre os aliados de Rhaenyra, liderados por Corlys Velaryon (Steve Toussaint), e o exército da Triarquia, comandado por Sharako Lohar (Abigail Thorn), rival de longa data na luta pelo trono. E sim, a temporada promete dragões como tempero principal.

No terreno externo do complexo, a produção montou uma estrutura sob medida: um tanque azul em formato de T, com cerca de quatro metros de profundidade, capaz de bombear mil litros de água por minuto. Nele ficavam barcos, atores e figurantes, enquanto painéis em tela azul erguidos por guindastes preparavam o caminho para o fundo ser completado no pós-produção.

Na prática, é como se a cena fosse um videogame em modo campanha, só que com respingo real. Quando o diretor Loni Peristere chamava “ação”, o sistema reagia: navios se moviam, mastros se incendiavam, máquinas liberavam fumaça e a água virava parte da coreografia.

Ensaios, armaduras e a “piscina” mais cruel da TV

Se você acha que atuar em batalha é só pancadaria e grito heroico, a produção te corrige rapidinho. Os bastidores mostram que a precisão começa muito antes da tomada. Abubakar Salim, o Alyn de Hull, descreveu o dia como uma mistura de diversão e imprevisibilidade: água caía de lugares que ninguém controla totalmente, então a reação precisa ser humana e instantânea.

O clima era “parque de diversões” por um segundo, até virar modo sobrevivência, porque quem estava em cena precisava manter o foco enquanto o tanque fazia o papel de tempestade. E teve gente, segundo o relato, que saiu mais encharcado do que esperava. Em termos de atuação, isso vira teste de controle corporal e timing.

Já Steve Toussaint brincou que eles passaram de dois a três meses ensaiando com dublês usando roupas mais leves, tipo moletom e camiseta. Quando chegaram as armaduras, a sensação mudou: movimentos continuavam “lindos e poéticos”, mas apontar para detalhes do traje e manter postura sob esforço deixava tudo mais exaustivo. No fim, é aquele dilema geek clássico: traje épico é lindo, mas o conforto é praticamente um NPC inexistente.

Efeitos visuais que fazem o mar existir (mesmo em galpão)

A parte mais “mundo real” do projeto também foi a mais nerd. Para que os barcos se comportassem como se estivessem no mar, a equipe usou um método que começa com dados. Segundo a reportagem, o trabalho envolveu colocar uma caixa preta em um veleiro para entender padrões de movimento e reproduzir esses efeitos na montagem.

Com isso, os dados foram inseridos num sistema de pré-visualização, permitindo que a equipe previsse com mais fidelidade como o barco iria se mover dentro do espaço do set. A execução nas gravações foi feita com gimbals, suportes giratórios que inclinam e giram objetos em torno de eixos. Foram construídos cinco desses sistemas, consumindo cerca de 200 toneladas de aço e quase um ano de trabalho.

Para complementar, existiam dois tanques: um “molhado”, onde a batalha com água acontecia, e outro “seco”, voltado para gravações sem esse elemento. De la Noy, que já tinha experiência com água e navios em projetos como Titanic, destacou que os tanques foram desenhados especificamente para o que o diretor precisaria ver na tela, com ângulos pensados para a narrativa.

Por que essa estreia precisa começar gigante?

Tem também o lado “roteiro falando com o coração dos fãs”. A segunda temporada não investiu tanto em ação, e a Goela vira justamente o prato principal. O objetivo é que o drama aumente e a ação acompanhe até o oitavo e último episódio da temporada, exibido em agosto.

O showrunner Ryan Condal resumiu a lógica como uma parábola: eles estão no topo e precisam “ir para o outro lado”, acelerando acontecimentos para fechar o caminho rumo às temporadas finais. Isso explica por que o primeiro episódio da terceira temporada não vem só com clima de “recomeço”, mas com um evento em escala de blockbuster.

O diretor Loni Peristere chegou a chamar a sequência de “talvez o maior episódio de TV já feito”, e a própria reportagem reforça que a produção tratou isso com seriedade técnica e física. Ou seja: não é marketing vazio, é investimento pesado em água, metal, ensaio e timing de batalha. Em termos de universo de fantasia, é a diferença entre ouvir que vai chover e, de fato, sair com o traje ensopado.

Pronto para a Goela?

Se a terceira temporada de A Casa do Dragão vai realmente entregar o “maior episódio de TV” prometido, já dá para sentir o tom nos bastidores: tanque enorme, efeitos que viram narrativa, armaduras cansando e água fazendo o impossível ser filmável. Neste domingo, 21, às 22h na HBO e na HBO Max, a batalha decisiva que vem da Dança dos Dragões finalmente entra em modo final de jogo. Bora assistir como se fosse night raid, mas sentado no sofá.

*A jornalista viajou a convite da HBO.

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