Capixaba de coração e documentário premiado: A Fabulosa Máquina do Tempo estreia nacional nos cinemas nesta quinta, trazendo o olhar de Eliza Capai para discutir futuro, gênero e infância com uma delicadeza que dá vontade de rever como quem volta pra casa.
- Estreia nacional depois de passarem em festivais
- Guaribas como centro do universo
- Oficina, brincadeiras e nada de roteiro engessado
- Por que isso importa hoje (e muito)
- O que você vai fazer depois de assistir?
Estreia nacional depois de passarem em festivais
Premiado no 33º Festival de Cinema de Vitória, o documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, dirigido por Eliza Capai, chega aos cinemas do Brasil nesta quinta-feira (30). A trajetória do filme é daquele tipo que a gente vê e pensa: “ok, esse aqui veio com moral”.
Antes da estreia comercial, a obra abriu a mostra Generation Kplus no Festival de Berlim, com sessões esgotadas. No Espírito Santo, integrou a 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas do festival, onde levou o Troféu Vitória de Melhor Fotografia, assinado por Carol Quintanilha.
É curioso como cinema e geografia se abraçam aqui. Eliza cresceu no Estado e define o festival como uma volta para casa. E, honestamente, dá pra sentir isso no resultado: o filme tem aconchego e firmeza ao mesmo tempo.
Guaribas como centro do universo
Em vez de apostar em explicações prontas, o documentário acompanha o cotidiano de meninas de Guaribas, no sertão do Piauí. A narrativa costura memórias da fome vivida por suas mães e a construção de sonhos para um futuro com mais oportunidades.
A coprodução de Globo Filmes, GloboNews e Canal Brasil ajuda a dar alcance, mas o coração do filme continua sendo o mesmo: olhar para o presente e perceber como ele molda (ou limita) o que vem depois. Ou melhor, como políticas públicas podem mudar o “roteiro” da vida.
Para quem gosta de cultura pop e fantasia, pense numa espécie de “máquina do tempo”, só que feita de cotidiano. Não é viagem com portal. É transformação acumulada.
Oficina, brincadeiras e nada de roteiro engessado
Antes de gravar, a equipe promoveu uma oficina de audiovisual com meninas entre 7 e 12 anos. E isso é importante para entender o estilo do filme. Segundo Eliza, praticamente nada foi encenado. O material nasce de conversas, entrevistas e brincadeiras que surgem do jeito mais orgânico possível.
Tem cena que nasce literalmente do susto infantil. A brincadeira do zumbi, por exemplo, apareceu quando uma das meninas descobriu que crianças também morrem. Não era roteiro. Era curiosidade. Era imaginação tentando organizar o mundo.
Outra camada nerd dessa história: o filme aprende com referências. Depois de assistirem documentários antigos, as meninas criam interpretações próprias, como se estivessem remixando linguagem cinematográfica do zero. Tem ali um “design” de narrativa construído na troca.
Por que isso importa hoje (e muito)
A Fabulosa Máquina do Tempo mistura realidade e imaginação para tocar em temas como desigualdade, machismo, infância e liberdade. E o jeito que isso aparece evita sermão. O filme convida. Não empurra.
Eliza aposta que a audiência se conecta com a própria infância e com seus sonhos. E vai além: o longa chama atenção para a importância de políticas públicas para que meninas não sejam empurradas para “o que sempre foi” na comunidade.
Se você gosta de entender contexto, vale a leitura de base sobre o próprio universo de festivais e circulação do cinema de documentário no gênero documentário. Não é pra virar aula. É pra chegar no cinema com mais leituras no bolso.
Você vai assistir no cinema ou vai deixar a “máquina do tempo” só na tela?
Documentário brasileiro costuma sofrer para ficar em cartaz, então a estreia nacional de A Fabulosa Máquina do Tempo é uma oportunidade rara. O filme já mostrou força em festivais, mas agora precisa da sala cheia para continuar vivo. E, sinceramente: depois de ver meninas sonhando, discutir futuro e imaginar outro Brasil fica difícil não querer que essa conversa siga.
Se você estiver no Espírito Santo, o filme também estará em cartaz no Cine Metrópolis (campus de Goiabeiras da Ufes). E a equipe ainda planeja sessões gratuitas em escolas, cineclubes e espaços culturais, pra debate não morrer na estreia.
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