Os animes de 2026 que desiludiram mostram que uma ótima premissa e um mangá querido não garantem uma boa adaptação.
- Quando o hype não vira anime
- Do sétimo ao quinto lugar
- Clássicos que não ganharam vida
- Os dois tombos mais pesados
- A lição que fica
Quando o hype não vira anime
O ano ainda nem acabou, mas já dá para fazer aquela lista que dói um pouquinho: as séries que chegaram prometendo uma baita experiência e acabaram deixando fãs de mangá, webtoon e anime com um “era só isso?”. Tem retorno aguardado, clássico finalmente adaptado e até comparação inevitável com Solo Leveling.
O problema não foi necessariamente a ideia. Em vários casos, o material original tinha tudo para funcionar. O que pesou foi a execução: ritmo apressado, visual sem personalidade ou personagens que não seguram a história. A ordem abaixo vai da decepção mais moderada ao tombo mais difícil de ignorar.
Do sétimo ao quinto lugar
7. Tomb Raider King: a história de Seo Joo-heon, um saqueador de túmulos traído que volta quinze anos no tempo, tinha ingredientes para agradar quem curte aventura e relíquias sobrenaturais. A comparação com Solo Leveling veio quase no automático, mas o anime não sustentou a empolgação. O protagonista pouco cativante e a sensação de repetição acabaram pesando, enquanto vilões e coadjuvantes raramente passam do básico.
6. Drops of God: transformar uma disputa por vinhos em drama e mistério é uma daquelas ideias que só o mangá consegue vender com convicção. A adaptação de 24 episódios, produzida pela Satelight, teve dificuldade para traduzir a graça da obra. Visuais rígidos e CGI desajeitado chamaram atenção, mas o maior tropeço foi perder as descrições intensas e quase alucinadas que fazem cada prova parecer uma aventura.
5. Liar Game: com jogos psicológicos, traições e uma parceria improvável entre Nao Kanzaki e o vigarista Shinichi Akiyama, a adaptação tinha uma carta forte na mão. E ainda contava com a Madhouse. Só que o ritmo acelerado dos episódios iniciais tirou o espaço necessário para construir tensão e reviravoltas. A animação rígida também não ajudou. Pelo menos uma segunda temporada foi confirmada, então ainda há chance de recuperação.
Clássicos que não ganharam vida
4. From Far Away: a adaptação do mangá de Kyoko Hikawa era aguardada por fãs de fantasia e shojo há décadas. Noriko é transportada para outro mundo e encontra o espadachim Izark, numa aventura que merecia um cuidado visual à altura da arte original. As primeiras imagens, porém, causaram estranhamento, e a estreia não dissipou as dúvidas sobre a produção do Studio Deen. Como a temporada ainda está no ar, o veredito pode mudar.
3. Red River: outro clássico shojo que finalmente ganhou anime, mais de trinta anos depois do início do mangá. A jornada de Yuri pela antiga Anatólia tem escala, romance e intriga para render uma grande saga. A animação da Tatsunoko Production, no entanto, ficou aquém do traço de Chie Shinohara. Alguns elementos também podem soar datados hoje, mas uma adaptação visualmente mais caprichada talvez ajudasse a história a conquistar novos fãs.
Os dois tombos mais pesados
2. Snowball Earth: um adolescente isolado, um mecha gigante e um mundo congelado: convenhamos, o primeiro episódio tinha uma missão fácil, deixar a gente curioso. O anime começou bem, mas perdeu força quando o ritmo desacelerou e um combate pareceu se estender além da conta. A série não encontrou um gancho constante nas personagens nem no cenário. A segunda temporada já foi anunciada, então ainda pode corrigir a rota.
1. Fist of the North Star: HOKUTO NO KEN: poucas adaptações carregavam uma expectativa tão grande. O reboot foi anunciado como uma nova oportunidade de fazer justiça ao mangá de Buronson e Tetsuo Hara, e a história de Kenshiro merecia mesmo esse cuidado. Só que o CGI 3D rígido e os visuais desajeitados viraram o assunto principal, em vez da ação. O primeiro bloco terminou em junho, e outro chega em 2027: vai ser preciso mais do que nostalgia para reconquistar o público.
A lição que fica
O fio que une essas produções é simples: anúncio empolgante não substitui direção, ritmo e identidade visual. Adaptar um mangá querido não é só colocar personagens conhecidos na tela, assim como escolher um estúdio famoso não funciona como escudo contra uma execução irregular. Ainda há séries em andamento e continuações no horizonte, então alguns desses casos podem ganhar uma segunda chance. Mas, por enquanto, 2026 já deixou claro que nem todo hype merece virar maratona.
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