Roteiro de Ultimato chegou às mãos de Anthony Mackie antes da estreia graças a um gesto de Chris Evans.
O spoiler que veio de um amigo
Tem spoiler que aparece num grupo de WhatsApp sem ninguém pedir. E tem spoiler que chega direto das mãos do próprio Capitão América. Anthony Mackie contou que Chris Evans compartilhou com ele páginas do roteiro de Vingadores: Ultimato antes de o filme chegar aos cinemas, em 2019.
Em entrevista à revista Cigar Aficionado, Mackie explicou que Evans recebeu aquelas páginas primeiro e decidiu dividir a cena com o amigo. Assim, ele descobriu antecipadamente que Sam Wilson receberia o escudo e assumiria o legado de Steve Rogers no Universo Cinematográfico da Marvel.
Chamar isso de “vazamento” até funciona como manchete, mas não foi um arquivo misterioso caindo na internet nem um segredo escapando por acidente. Evans mostrou o material de propósito, num momento íntimo entre colegas. O tipo de spoiler que, convenhamos, ninguém teria coragem de reclamar.
Um momento sem ego
O gesto ganha peso porque Mackie não estava apenas recebendo uma informação importante sobre o destino de seu personagem. Ele estava prestes a herdar um dos papéis mais marcantes da Marvel, interpretado por Evans desde Capitão América: O Primeiro Vingador, de 2011.
Mackie disse que considera Evans alguém muito próximo e querido. Descobrir a cena por meio dele tornou tudo mais emocionante. Também destacou que nem todo ator celebraria daquela maneira a chegada de alguém que, na prática, ocuparia o lugar que ele estava deixando.
É fácil imaginar como essa passagem poderia ter sido tratada com tensão. O escudo não era só um acessório famoso: carregava anos de histórias, o encerramento de uma jornada e a expectativa de uma nova fase. Evans, pelo relato de Mackie, preferiu transformar a despedida numa espécie de boas-vindas.
Esse tipo de parceria não aparece necessariamente na tela, mas ajuda a dar sentido ao que vemos. A troca entre Steve e Sam funciona melhor quando não parece uma disputa por protagonismo. O símbolo muda de mãos, mas o personagem que o recebe não precisa apagar quem veio antes.
A passagem do escudo
No fim de Ultimato, Steve Rogers retorna mais velho depois de viver sua vida no passado e entrega o escudo a Sam. A cena fecha o arco do Capitão América de Evans e deixa uma pergunta no ar: o que significa continuar esse legado sem tentar ser uma cópia de Steve?
Sam não tem soro de super-soldado nem a mesma trajetória. Seu caminho passa por outras experiências, pela parceria com Bucky e pela decisão de aceitar uma responsabilidade que ele não pediu para receber de forma simples. É justamente por isso que a escolha tem potencial dramático: o novo Capitão precisa conquistar o posto à sua maneira.
O momento também conversa com uma tradição clássica de histórias de heróis. O manto pode mudar de dono, mas a identidade do personagem não é um uniforme que se veste e pronto. A jornada de Sam depende de suas escolhas, e não de imitar cada passo do antecessor. Ainda bem, porque imitar o Steve seria uma missão impossível até para quem voa com asas tecnológicas.
Sam Wilson segue em frente
Depois de Ultimato, Mackie assumiu oficialmente o papel de Capitão América e estrelou Capitão América: Admirável Mundo Novo, lançado em 2025. A transição que começou naquela cena virou uma nova etapa para Sam, agora no centro de histórias que precisam provar o que esse símbolo representa nas mãos dele.
A revelação de Mackie acrescenta uma camada simpática aos bastidores de um dos momentos mais lembrados do filme. Não muda a cena, mas deixa claro que, fora das câmeras, a passagem do escudo também foi tratada com respeito e generosidade.
Evans poderia simplesmente ter guardado aquelas páginas até a estreia. Em vez disso, dividiu a descoberta com o colega que carregaria a história adiante. Para uma franquia que adora portais, viagens no tempo e ameaças cósmicas, às vezes o gesto mais marcante é bem pé no chão: reconhecer quem vem depois e torcer por ele.
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