Christa Pike: o caso real por trás da série da HBO Max

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Christa Pike está no corredor da morte nos Estados Unidos, e seu caso é tema de um episódio de true crime da HBO Max.

O caso na HBO Max

A história de Christa Pike está no episódio 9 da segunda temporada de Garotas Malvadas, série documental que investiga crimes violentos cometidos por mulheres nos Estados Unidos. O capítulo se chama “Ela é o Diabo” e reúne depoimentos de pessoas ligadas ao caso.

O interesse não vem só do choque, embora o crime seja brutal. A produção também acompanha a trajetória de uma jovem condenada à morte e os argumentos que, décadas depois, ainda dividem a discussão sobre justiça, responsabilidade e contexto pessoal. É o tipo de história em que o true crime precisa tomar cuidado para não transformar uma tragédia real em entretenimento de susto fácil.

Na data da notícia, 28 de setembro de 2026, a execução de Pike estava marcada para quarta-feira, 30 de setembro, por injeção letal. Se a sentença for cumprida, ela poderá se tornar a primeira mulher executada no Tennessee em cerca de dois séculos.

O crime que chocou o Tennessee

Em 1995, Pike tinha 18 anos e conheceu Colleen Slemmer, então com 19, em um programa de treinamento profissional para adolescentes. Segundo o caso apresentado no julgamento, Pike passou a acreditar que Colleen estava interessada em seu namorado, Tadaryl Shipp. O ciúme virou o motivo apontado para uma agressão que terminou em assassinato.

Pike contou com a participação de Shipp e de Shadolla Peterson. Colleen foi espancada e torturada, e seu corpo foi encontrado com um pentagrama cortado no peito. A causa da morte foi traumatismo craniano. O ataque, segundo o depoimento de Peterson, durou cerca de 30 minutos.

O relato do que aconteceu depois também pesou no processo: testemunhas disseram que Pike guardou um fragmento do crânio da vítima e se gabou do crime. São detalhes difíceis de ler, mas ajudam a entender por que o caso provocou tamanha reação e teve consequências tão severas no tribunal.

Condenação e pena de morte

Em março de 1996, um júri condenou Pike por homicídio em primeiro grau e conspiração, decidindo pela pena de morte. Shipp recebeu prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional. Como tinha 17 anos quando participou do crime, não poderia receber a sentença capital. Peterson, que testemunhou sobre o ataque, obteve um acordo com imunidade parcial.

A pena de morte aplicada a mulheres continua sendo rara nos Estados Unidos. Desde que a Suprema Corte restabeleceu a punição, em 1976, 18 mulheres foram executadas no país, contra mais de 1.600 homens condenados à morte, de acordo com os dados citados na cobertura do caso.

No julgamento, a brutalidade do crime e as condições em que o corpo foi encontrado foram centrais para a decisão. A defesa atual, por outro lado, sustenta que o júri não conheceu plenamente o histórico de abusos físicos e sexuais, abandono e negligência que Pike teria vivido na infância. A série oferece um ponto de partida para conhecer o caso, mas não substitui a complexidade de acompanhar as provas e os argumentos jurídicos.

A execução ainda pode ser adiada?

Os advogados de Pike tentavam reverter a sentença com uma apelação de 226 páginas. Eles argumentaram que informações sobre os abusos sofridos por ela foram descobertas com mais detalhes depois da condenação e não puderam ser consideradas pelo júri. Pike também recebeu diagnóstico de transtorno bipolar na prisão, em 2021, e passou a ser medicada.

Até a publicação da notícia, a Suprema Corte do Tennessee havia rejeitado os pedidos apresentados e não suspendido a execução. A defesa também solicitou clemência ao governador Bill Lee, que nunca havia concedido perdão em um caso de pena de morte.

Pike pediu que familiares não estivessem presentes durante a execução e que apenas mulheres participassem do procedimento, alegando que uma equipe masculina agravaria seu trauma. O Estado informou que guardas mulheres fariam sua transferência, mas não garantiu que toda a equipe responsável pela aplicação da injeção seria feminina. May Martinez, mãe de Colleen, declarou que pretende assistir à execução.

É um caso que não cabe em uma resposta simples nem em um rótulo de vilã de série. A produção da HBO Max revisita os acontecimentos, mas a pergunta que permanece é maior: como um sistema decide se uma condenação à morte ainda pode ser revista quando novas informações chegam décadas depois?

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