Após O Agente Secreto, o Brasil voltou a mirar o Oscar e a pergunta agora é: quais filmes podem representar o país no ciclo de 2027? Spoiler: tem faro de produção grande, festival bombando e elenco de respeito.
- Do hype ao processo seletivo: como o Oscar começa aqui
- Os possíveis candidatos brasileiros para o Oscar 2027
- Festival como termômetro e o que a Academia observa
- O que realmente pesa na escolha do representante
- E agora: qual desses tem “cara de Oscar”?
Do hype ao processo seletivo: como o Oscar começa aqui
O Brasil conquistou, pelo segundo ano consecutivo, uma indicação ao Oscar na categoria de melhor filme internacional com O Agente Secreto. Depois de Ainda Estou Aqui, o sentimento é aquele de quando um personagem entra no jogo e vira main quest: não parece mais um evento aleatório, e sim um caminho.
Mesmo sem nenhuma definição oficial sobre qual título vai representar o país no próximo ciclo, a expectativa já tá alta. E aqui entra o detalhe que muita gente ignora: a decisão do representante brasileiro não acontece por sorteio nem por “vibe de bilheteria”, e sim por um processo conduzido por profissionais do setor. Ou seja: tem estratégia, tem leitura de mercado e tem torcida, claro.
Os possíveis candidatos brasileiros para o Oscar 2027
Se a gente for montar a “party” de possibilidades, a lista começa com longas que estão circulando bem lá fora ou que já demonstraram força em festivais. Olha só alguns que ganharam tração recentemente:
- Corrida dos Bichos, de Fernando Meirelles: uma disputa mortal criada por uma elite rica, colocando gente de classes baixas num jogo de sobrevivência com estética que lembra distopias do jeitão de Jogos Vorazes e Alice in Borderland.
- Feito Pipa, de Allan Deberton: a trajetória de Gugu, um jovem que sonha em ser jogador de futebol, mas esbarra em obstáculos que travam o desejo. O filme ganhou prêmio em Berlim.
- Geni e o Zepelim, de Anna Muylaert: inspirado em Chico Buarque, acompanha uma travesti em sua comunidade e os impactos da chegada de um comandante interpretado por Seu Jorge.
- Escola Sem Muros, de Cao Hamburger: baseado em trajetória real, foca a missão de um educador em transformar a visão sobre alunos estigmatizados como delinquentes.
- Velhos Bandidos, com Fernanda Montenegro e Ary Fontoura: dois aposentados arquitetam um assalto a banco, se aliando a jovens ladrões, enquanto um investigador tenta fechar o cerco.
- O Homem de Ouro: cinebiografia estrelada por Renato Góes, mergulhando num período sombrio e mostrando a atuação de um ex-policial violento ligado a um esquadrão da morte.
- 100 Dias, de Carlos Saldanha: atravessa a histórica travessia de Amyr Klink, com Filipe Bragança no papel central. E sim, o diretor já tem histórico de indicação ao Oscar.
Festival como termômetro e o que a premiação “pede”
No mundo dos prêmios, festival funciona quase como patch de evolução: se o longa performa em curadoria séria, ele ganha ritmo, conversa internacional e reputação. Por isso, Feito Pipa chamar atenção em Berlim não é só “troféu bonito”, é termômetro.
Além disso, tem uma característica que costuma agradar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas: filmes com linguagem própria, personagens bem desenhados e temas que dialogam com o momento global, sem virar panfleto. No Brasil, essa mistura tem potencial quando entra o equilíbrio entre drama, construção narrativa e impacto emocional. Velhos Bandidos, por exemplo, já nasce com peso por causa do elenco e do tipo de comédia amarga com atmosfera de suspense.
E claro, tem o fator “exportabilidade”. Histórias com tensão clara e trilha emocional consistente são mais fáceis de sustentar em discussões internacionais, mesmo quando o recorte é muito brasileiro.
O que realmente pesa na escolha do representante
A definição do representante brasileiro é feita pela Academia Brasileira de Cinema. O caminho envolve uma comissão de profissionais do audiovisual, que seleciona o filme que vai buscar vaga entre os finalistas do Oscar. A regra de ouro aqui é bem pragmática: impacto da obra e recepção em festivais internacionais entram como sinal principal.
Em outras palavras: não adianta só ser bom. Tem que estar no radar certo, com o tipo de resposta que atravessa fronteiras. Para esse contexto, a cobertura da Band vem servindo como termômetro cultural do que está pegando público e crítica, e isso ajuda a entender por que alguns nomes ganham manchete.
Também vale lembrar que o Oscar de filme internacional é um ecossistema: o representante precisa chegar com força narrativa e com chance de ser debatido por jurados em escala global. Então, a pergunta deixa de ser “qual filme é mais popular” e vira “qual filme tem mais tração de premiação”.
E agora: qual desses tem “cara de Oscar”?
Se eu tivesse que apostar no clima nerd da coisa, diria que a briga deve ficar entre títulos com estrutura forte para narrativa internacional e com desempenho em festivais. Corrida dos Bichos e 100 Dias trazem ambição e artesanato visual, Feito Pipa tem o plus do reconhecimento em evento grande, e Velhos Bandidos chega com um elenco que dispensa apresentações.
No fim, o Brasil já mostrou que consegue surpreender. Agora é manter o ritmo, acertar o timing e mandar para a academia um filme que não apenas represente a gente, mas que também cause aquela sensação de “ok, isso vai render conversa por semanas”. Bora ver qual vai ser o campeão do ciclo de 2027.














