Diretora de Matrix revela recusa por elenco trans [ENTENDA]

Twitter
LinkedIn
Threads
Telegram
WhatsApp

Diretora de Matrix diz que o Hollywood recusou seu novo filme por conta do elenco trans. E agora o projeto tenta sobreviver de um jeito bem mais nerd.

O que Lilly Wachowski disse

Lilly Wachowski, uma das diretoras de Matrix, abriu o jogo sobre as dificuldades para colocar seu novo projeto em produção. Segundo o Deadline, no podcast The Business da KCRW, Wachowski contou que investidores de Hollywood não querem financiar o longa The Hunted por um motivo bem específico: o elenco seria majoritariamente formado por pessoas trans.

Em vez de ser um “não” por orçamento, elenco famoso ou cronograma, a recusa aparece como um bloqueio direto ao que o filme representa. E, pra quem cresceu acompanhando o universo Wachowski desde a era do “escolha a pílula”, isso soa como um bug gigante na matrix da indústria.

The Hunted: o que é esse thriller político

The Hunted é descrito como um thriller político distópico, com orçamento na casa de US$ 10 milhões. O roteiro é assinado pela própria diretora junto de Mickey Ray Mahoney, e o projeto está em desenvolvimento na produtora Anarchists United, parceria com a Ariadne, ligada a Natasha Lyonne.

Ou seja: não é um “filme aleatório” tentando aparecer. Tem gente conhecida por trás, tem estrutura de produção, e ainda assim o gargalo virou a parte mais humana do cinema: as pessoas que aparecem na tela e as histórias que elas carregam.

Por que Hollywood barrou o filme

No relato de Wachowski, a lógica dos investidores seria mais ou menos esta: eles até gostariam do roteiro, mas não querem bancar um projeto cujo elenco seja trans do começo ao fim. Em uma fala citada em entrevista, a diretora resume como se a rejeição viesse menos do texto e mais do “quadro” social que o quadro exigiria.

Essa barreira é especialmente pesada porque filme com temática trans existe, mas nem sempre chega ao financiamento sem sofrer tentativas de “ajuste” de narrativa. No caso, parece que o ajuste esperado seria justamente tirar a transgeneridade do centro da obra. E, sinceramente, isso é o tipo de decisão que mata qualquer tentativa de cinema com identidade.

Para quem acompanha a cultura pop, fica o paralelo com a velha história: quando a indústria diz que é “questão de risco”, muitas vezes o que está em jogo é medo de público, medo de backlash ou medo de reputação. Em 2026, ainda estar nesse nível é o roteiro do atraso.

Leitura ao vivo e novo plano para destravar

O projeto, para não morrer na gaveta, ganhou um caminho alternativo. The Hunted teve leitura ao vivo no último fim de semana, no Dynasty Typewriter. A ideia, como Wachowski comentou, é apresentar o filme de formas novas para o público e tornar o retorno mais “palpável” para quem decide financiar.

Isso é quase um upgrade de midia: em vez de depender só do pipeline tradicional, a equipe tenta usar o impacto imediato de performance e reação. É aquela mentalidade “se o mundo não compra, a gente mostra e convence ao vivo”.

Wachowski também falou sobre transformar frustração em processo criativo. O objetivo agora seria colocar a experiência e a alegria da comunidade trans na frente, mesmo que o resultado final seja diferente do que ela imaginou inicialmente.

Sobre o cenário cultural que cerca produções trans e debates de representação, dá para contextualizar o tema pelo histórico de transgeneridade e como a discussão evoluiu ao longo dos anos na cultura mainstream.

Quando o elenco trans vira “risco”, quem perde é o público?

Se o roteiro é bom e a história tem potência, negar financiamento por causa do elenco trans não soa como “proteção ao investimento”. Soa como medo de enxergar. E, nesse jogo, quem sai desatualizado é Hollywood.

Agora a pergunta fica no ar: você acha que essa insistência em representar é o caminho, ou a indústria vai continuar travando projetos até que mude de vez?

Sugestão para o seu Set-up Nerd:

Encontramos produtos incríveis com desconto!

Ver Coleção de Bonecos Funko Pop Matrix (série Neo/Trinity/Trinity) na Amazon