Filmes e séries já influenciam a escolha de destinos de dois em cada três viajantes, e cidades estão transformando locações em novas atrações turísticas. Sim, do sofá direto pro roteiro.
- Set-jetting: o nome chique do seu “quero ir lá”
- O impacto real: da tela para o orçamento
- Quando a cidade entende o recado
- Brasil também entra no mapa
- Você vai virar turista de locação agora?
Set-jetting: o nome chique do seu “quero ir lá”
Existe um termo internacional para o comportamento que a gente já conhecia na prática: set-jetting. A ideia é simples (e meio perigosa para o cartão de crédito): quando você assiste a filmes, séries e até programas de TV, você começa a querer visitar exatamente o lugar onde a cena aconteceu.
Em estudo citado pela Expedia com 25 mil viajantes, dois em cada três disseram que conteúdos assistidos influenciam suas escolhas. E, pra completar o combo nerd, o efeito costuma crescer quando a produção vira conversa global, com gente do mundo inteiro compartilhando “olha essa rua” e “tá no mesmo hotel”.
O impacto real: da tela para o orçamento
O streaming acelerou tudo. Antes, o máximo era “visitei tal lugar porque é turístico”. Agora, vira “visitei tal lugar porque eu já conheço da ficção”. É o turista chegando com mapa mental pronto, tipo personagem entrando em missão.
Entre os mais jovens, o motor emocional é ainda mais forte. A projeção para 2026 aponta que 81% dos entrevistados planejam viagens inspiradas pelo que assistem. Ou seja: não é só curiosidade, é planejamento.
Quando o destino aparece na tela, ele deixa de ser só um ponto no mapa. Ele vira cenário. Vira memória. Vira aquele “cara, eu queria muito viver isso”. E aí, sim, a viagem entra no orçamento com força.
Quando a cidade entende o recado
Agora imagina uma cidade vendo milhões de pessoas assistindo as mesmas cenas todo mês. Se ela enxerga oportunidade, ela transforma locação em experiência. É aí que surgem passeios temáticos, roteiros de bastidores, pontos instagramáveis com contexto e até parcerias com estabelecimentos que aparecem na obra.
Em “Emily em Paris”, por exemplo, fãs acabam buscando cafés, restaurantes, pontes e ruas associadas à protagonista de Lily Collins. Já em “The White Lotus”, o efeito foi tão real que hotéis ligados aos cenários ganharam destaque e receberam aumento de reservas na onda da série.
Esse tipo de fenômeno também cria uma vantagem esperta para o turismo local: não depende só de campanhas tradicionais. A produção funciona como vitrine internacional. E, se a obra continua relevante, o fluxo de visitantes pode durar por anos.
Set-jetting é o termo usado para descrever viagens motivadas por cenários vistos em produções audiovisuais.
Brasil também entra no mapa
Não é só Europa e EUA. O Brasil já começou a sentir o “cheiro de locação”. Em Recife, o sucesso de “O Agente Secreto” gerou interesse por pontos ligados ao filme e abriu espaço para passeios com foco em cenários. Na prática, aquela rua, prédio ou praça que antes era só parte da cidade ganha valor emocional por fazer parte da história que o público acompanha.
O criador do canal “Estevam Pelo Mundo”, Lucas Estevam, descreve bem essa mudança de comportamento: a plateia “enjoa” do cartão-postal genérico e quer pisar no lugar exato onde a cena aconteceu. Quando a história emociona, o destino entra no orçamento.
Se você é do time “quero ver o mundo, mas do meu jeito”, isso é praticamente a sua época de protagonista. E, convenhamos, é mais divertido do que tirar foto aleatória em ponto turístico que você nem lembra onde fica.
Você vai virar turista de locação depois dessa?
Porque, honestamente, quando filmes e séries viram mapa e a cidade vira cenário, a viagem deixa de ser só férias. Vira caça ao detalhe, mergulho na narrativa e aquela sensação de “eu tô dentro da história”. E aí: qual produção você acha que vai te puxar pelo braço na próxima viagem?
Referência de contexto: Para trailers e informações oficiais sobre produções que impulsionam o turismo de locações, o canal oficial do estúdio ou da plataforma é um bom ponto de partida.
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