Higor Campagnaro troca o piloto Marcondes, de Vale Tudo, por um vigia solitário em seu novo filme e volta ao teatro para encarar a solidão na era das redes sociais.
- Do Espírito Santo ao Festival do Rio
- Um vigia no centro da história
- O piloto que entrou em Vale Tudo
- Instagram como oráculo
- Duas décadas de carreira
Do Espírito Santo ao Festival do Rio
Higor Campagnaro, ator nascido em Aracruz, chega ao Festival do Rio com um papel bem diferente daquele que o público viu no remake de Vale Tudo. Em Diário do Fogo, longa de Maju de Paiva e Bernardo Florim, ele interpreta Souza, um vigilante que cruza o caminho de Graça, personagem de Isabel Teixeira. A estreia no festival está prevista para 3 de outubro.
O evento tem um gostinho especial para o ator: desde 2011, o Rio de Janeiro é a cidade que escolheu para viver e construir a carreira, enquanto sua família continua no Espírito Santo. Mostrar o filme por lá, como ele mesmo descreve, é apresentar o trabalho em casa. E, convenhamos, estreia em festival já é marcante; estrear na cidade que virou lar tem um peso extra.
Um vigia no centro da história
Em Diário do Fogo, Graça deixa o apartamento após um sonho e passa a enfrentar situações perigosas. Souza trabalha como vigia na região e, ao perceber o que está acontecendo, decide ajudá-la e protegê-la. A aproximação também envolve a filha da personagem, e transforma a rotina solitária do vigilante.
O longa reúne um elenco que inclui Ranieri Gonzalez, Dani Barros, Cátia Costa, Juliana Veloso e André Arteche. A trama parte de personagens atravessados pela solidão e pela resistência, temas que não ficam presos à tela: são questões bem reconhecíveis para quem já sentiu que a vida urbana consegue ser barulhenta e isoladora ao mesmo tempo.
Campagnaro também destacou a experiência de contracenar com Isabel Teixeira, atriz que já admirava no teatro. Para ele, dividir cenas com ela foi uma honra, e o ambiente criado pelos diretores e roteiristas ajudou o elenco a trabalhar com tranquilidade. Nada mal para um filme que, pelo ponto de partida, promete tensão de sobra.
O piloto que entrou em Vale Tudo
Na televisão, um dos trabalhos recentes de Higor foi Marcondes, piloto do avião particular de Marco Aurélio, vivido por Alexandre Nero, no remake de Vale Tudo. A participação foi pequena, mas colocou o ator dentro de uma história ligada à memória afetiva dele: quando criança, assistia à novela original e depois recriava cenas com os primos.
Na nova versão, Marcondes aparece logo no começo da trama e se envolve no mistério em torno de César Ribeiro, personagem de Cauã Reymond. Depois do voo, uma mala com dinheiro desaparece. Para quem acompanha novelas, é aquele tipo de detalhe que acende a luz de “tem coisa aí” antes mesmo de a investigação engrenar.
Instagram como oráculo
O cinema não é o único lugar onde o ator está em cartaz. Higor volta ao palco com O Extermínio da Cegonha, espetáculo idealizado e dirigido por Pedro Uchoa. A nova temporada acontece no Teatro Sérgio Porto, no Humaitá, entre 23 de outubro e 15 de novembro.
Na peça, ele interpreta Samuel, um torcedor do Fluminense que passa sozinho a véspera de um feriado em casa. Ao acessar uma rede social, reencontra virtualmente a namorada da adolescência, e esse contato dispara os conflitos da história. Um clique aparentemente banal vira o começo de uma noite bem menos tranquila.
A montagem combina referências às tragédias gregas com smartphones, carros automáticos e dilemas atuais. O Instagram funciona como uma espécie de oráculo: em vez de prever o destino por meio de uma profecia solene, põe personagens diante de lembranças, desejos e escolhas. A ideia tem uma ironia certeira: nunca estivemos tão conectados a telas e, ainda assim, a peça pergunta o quanto conseguimos nos conectar uns aos outros.
Duas décadas de carreira
Em 2026, Campagnaro completa 20 anos de trajetória, passando por cinema, televisão e teatro. Entre os destaques está Um Animal Amarelo, de Felipe Bragança, que lhe rendeu menção honrosa de Melhor Ator no Festival de Gramado. Também esteve em Os Últimos Dias de Gilda, exibido no Festival de Berlim, e em filmes como Os Primeiros Soldados, Doutor Gama, Fúria, de Ruy Guerra, e O Mensageiro, de Lúcia Murat.
Agora, o mesmo ator que passou pela confusão de uma mala desaparecida em Vale Tudo chega ao Festival do Rio como um vigia que protege desconhecidos e retorna ao palco para encarar a solidão digital. São projetos bem diferentes, mas todos mostram um artista que segue circulando por linguagens e personagens sem ficar preso a um único papel. Para quem gosta de acompanhar talentos capixabas, vale guardar esse nome: Higor Campagnaro está em uma fase cheia de bons encontros.
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