Em dez anos, os k-dramas da Netflix saíram de aposta de catálogo para fenômeno global, com o público brasileiro no time da frente.
- Uma aposta que ganhou força
- Round 6 abriu as portas
- O Brasil entrou de cabeça
- A próxima década já começou?
Uma aposta que ganhou força
Em 2016, a Netflix começou a investir de forma mais consistente em produções sul-coreanas. Na época, talvez pouca gente imaginasse que a iniciativa viraria uma das marcas mais fortes do streaming. Hoje, olhar para trás é quase como rever o primeiro episódio de uma série longa: já havia sinais de que aquela história ia crescer.
Um dos primeiros grandes marcos foi Okja, filme dirigido por Bong Joon-ho. A produção ajudou a apresentar ao público internacional uma combinação que o cinema e a TV sul-coreanos fazem muito bem: ideias ousadas, emoção sem vergonha de ser emoção e histórias que não ficam presas a um gênero só.
O catálogo foi se expandindo para além do drama romântico. Vieram suspense, ação, comédia, reality show e histórias de tons bem diferentes. Essa variedade importa. A Coreia do Sul não virou sinônimo de um único tipo de produção, e a Netflix percebeu que havia espaço para públicos com gostos bem distintos.
Round 6 abriu as portas
Se Okja ajudou a pavimentar o caminho, Round 6 fez muita gente atravessar a porta correndo. A série se tornou um dos maiores sucessos da história recente da plataforma e colocou a produção sul-coreana no centro da conversa global. De repente, sobreviver a jogos mortais virou assunto de quem já acompanhava k-dramas e de quem nunca tinha dado play em um.
O impacto aparece também nos números divulgados pela Netflix: o conteúdo em coreano é o segundo idioma mais assistido no serviço, atrás apenas do inglês, e 210 títulos sul-coreanos já chegaram ao Top 10 global. Não é só uma onda passageira puxada por um único fenômeno. É um catálogo que encontrou audiência para diferentes estilos e continuou alimentando essa curiosidade.
De dramas como Além do Direito a realities como Guerra Culinária, passando pelo romance de Beijo Explosivo, a estratégia foi diversificar. E, convenhamos, esse é um jeito bem mais esperto de conquistar espectadores do que tentar fazer todo mundo gostar da mesma receita.
O Brasil entrou de cabeça
Por aqui, o público abraçou os k-dramas com uma dedicação que qualquer fã de maratona entende. Segundo os dados da retrospectiva, produções sul-coreanas apareceram no Top 10 brasileiro em 49 das 52 semanas de 2025. Isso dá quase o ano inteiro com pelo menos uma história coreana disputando espaço entre as mais assistidas.
A retrospectiva também destaca um momento em que três produções sul-coreanas estavam simultaneamente no Top 10 nacional: a comédia romântica Um Choque de Amor, o suspense 100 Dias de Mentiras e o drama Doctor X. É um retrato da variedade que mantém o público por perto. Tem romance para torcer pelo casal, mistério para desconfiar de todo mundo e drama para testar a resistência emocional.
Para quem cresceu acompanhando séries com temporadas intermináveis, os k-dramas também oferecem um atrativo especial: histórias que costumam ter um arco bem definido e personagens que ficam na cabeça. A gente começa dizendo “só mais um episódio” e, quando percebe, já está defendendo o protagonista como se fosse amigo de infância.
A próxima década já começou?
A Netflix afirma que preparou 34 novos títulos sul-coreanos para 2026, entre séries, filmes e programas de competição. A plataforma também diz que quer abrir espaço para novos talentos: no último ano, um em cada três títulos coreanos contou com alguém estreando na direção ou no roteiro.
Esse investimento pode manter o catálogo interessante, desde que a busca por novidades não transforme cada produção em uma tentativa de fabricar o próximo Round 6. O sucesso da Coreia do Sul veio justamente da diversidade de histórias e de vozes. Repetir a fórmula até ela perder o sabor seria como pedir o mesmo prato em todo episódio de um reality culinário.
Uma década depois do começo dessa aposta, os k-dramas já não parecem uma seção de nicho para curiosos: são parte central da conversa sobre streaming. E o público brasileiro, pelo visto, ainda tem espaço na lista para mais uma história viciante. A retrospectiva completa da plataforma está disponível no Tudum da Netflix. Agora vale a pergunta: qual produção coreana merece entrar na sua próxima maratona?
Sugestão para o seu Set-up Nerd:
Encontramos produtos incríveis com desconto!















