London venceu o Leão Queer em Veneza e ainda colocou o filme brasileiro na vitrine da Semana da Crítica. Sim, é mais importante do que parece no feed de cinema cult.
- O que foi o Leão Queer, afinal?
- Por que “London” pegou tão forte com a crítica?
- O que rola na história de “London” (sem spoiler desnecessário)
- Victor Di Marco e Márcio Picoli: a dupla por trás do impacto
- Outros premiados: quem mais levou a Semana da Crítica
O que foi o Leão Queer, afinal?
Na 83ª edição do Festival de Veneza, a Semana Internacional da Crítica anunciou a vitória do longa-metragem “London”, de Victor Di Marco e Márcio Picoli. O prêmio foi o Leão Queer (Queer Lion), um troféu paralelo focado na melhor obra com temática LGBTQIA+ entre os títulos exibidos no festival.
O detalhe que deixa a cena ainda mais interessante: “London” dividiu o prêmio com o documentário britânico “Queer Edward II”, dirigido por Theo Rollason. Ou seja, não foi “um troféu qualquer”. Foi reconhecimento de proposta, linguagem e coragem temática.
Por que “London” pegou tão forte com a crítica?
O júri destacou a forma como o filme aborda corpo queer, desejo e sexualidade a partir de uma ideia central de autodeterminação e liberdade. E aqui entra um ponto que é meio “meta” para quem ama cinema: o texto elogia a sexualidade explícita, mas não como choque vazio.
Segundo a avaliação, os personagens jovens apresentam uma sexualidade orgulhosa, onde fetiche, prazer, amizade e resistência ajudam a construir identidades. Isso conversa com a tradição do chamado New Queer Cinema, que tenta expandir o que o cinema mostra sobre a vida queer fora dos clichês de sempre.
O que rola na história de “London” (sem spoiler desnecessário)
“London” tem 90 minutos e funciona também como estreia dos dois diretores em longa-metragem. Na trama, Victor Di Marco interpreta o personagem London, um jovem com deficiência que ganha a vida em performances eróticas, em uma casa de fetiches. É aquele tipo de narrativa que exige olhar atento, mas recompensa quem vai sem preconceito de “ser chato ou polêmico”.
O elenco ainda conta com Carla Cassapo, Jéssica Teixeira, Pedro Bertoldi, Priscilla Colombi, Emilio Farias e Manu Thedy. E tem um clima de filme que não pede desculpa por ser íntimo, humano e deslocado do “padrãozão”.
Pra completar: a produção foi exibida na Venice Open e na Semana Internacional da Crítica, o que reforça o objetivo do festival de caçar novidades e dar palco para novos talentos.
Victor Di Marco e Márcio Picoli: a dupla por trás do impacto
Antes de “London”, a dupla já tinha histórico de reconhecimento no cinema gaúcho. Em 2020, “O que Pode um Corpo” recebeu Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Gramado. Já em 2024, “Zagêro” venceu na categoria Melhor Montagem.
Victor Di Marco também foi premiado como ator por “Zagêro” e ainda tem “Possa Poder” (2022) no currículo. Traduzindo: não é “de repente apareceu alguém talentoso”. É uma trajetória sendo lapidada, e “London” chega como ápice criativo.
Em postagem nas redes, a produtora Proa & Popa comentou a conquista do protagonismo e da liberdade, e a parada foi carimbada como algo “de todos que acreditam que outros corpos e outras histórias precisam estar no centro”. Bem statement mesmo.
Outros premiados: quem mais levou a Semana da Crítica
Além de “London”, a Semana da Crítica premiou outros trabalhos. O documentário colombiano “El fin de los tiempos”, de Bibiana Rojas Gómez e Juan David Cárdenas, recebeu Melhor Contribuição Técnica, com menção especial do Grande Prêmio Iwonderfull. O filme tem pegada experimental, combinando arquivo e imagens geradas por inteligência artificial para imaginar futuros alternativos para a Colômbia.
Já o Grande Prêmio Iwonderfull ficou com “Prima della guerra”, do italiano Tommaso Usbertini. Se você curte cinema autoral e saídas criativas, esse recorte é prato cheio.
Para contextualizar o festival e as seções paralelas, vale acompanhar também a página do Festival de Veneza.
Você vai assistir “London” quando ele chegar no seu radar, ou vai esperar a crítica fazer o trabalho por você?
Porque depois de um Leão Queer em Veneza e destaque na Semana da Crítica, “London” não é mais só um filme novo. É convite para olhar o corpo, o desejo e a liberdade com outra lente.
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