A Lista na Sessão da Tarde: [ENTENDA] com Lília Cabral e Tony Ramos

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O filme A Lista chega na Sessão da Tarde com Lília Cabral e Tony Ramos e entrega aquele combo raro: comédia dramática, afeto e um encontro que vira virada emocional.

O que A Lista faz de diferente logo de cara

A Lista não tenta ser “mais uma sessão bonitinha”. O longa aposta em afeto, memória e conflito entre gerações com um ritmo que lembra conversa de varanda, daquelas que demoram um pouquinho, mas ficam na cabeça. A aposentada Laurita, moradora de Copacabana, vive presa na própria rotina e, do nada, é jogada para fora do automático quando precisa conviver com a vizinha Amanda.

O legal é que a história não trata essa proximidade como “milagre de roteiro”. Ela cresce em camadas, mostrando como lembranças voltam quando a gente é obrigado a escutar de verdade. E sim, tem comédia, só que aquela comédia que nasce do constrangimento humano, não do “gag de comercial”.

Elenco e personagens que puxam o teatro para a vida real

O filme tem um elenco que dá peso e nuance. Lília Cabral segura o centro emocional da trama com uma mistura de firmeza e vulnerabilidade. Já Giulia Bertolli aparece como Amanda trazendo energia de juventude sem cair no estereótipo de “personagem que só entende por cima”. O encontro das duas funciona porque ninguém vira caricatura.

E aí entra o charme extra: Tony Ramos. Ele interpreta Antenor, colega de ensino clássico de Laurita, e o resultado é aquele tipo de presença que organiza o caos emocional. Além do trio, Letícia Colin, Cláudio Gabriel e Vitor Britto completam um universo que parece vivo, não encaixotado.

Outra sacada é a origem teatral. A história nasce nos palcos e ganha dimensão para o cinema, com ampliação do universo ao redor da protagonista. Para quem curte a ponte entre teatro e filme, vale revisitar a lógica dessa adaptação em filmes no geral.

Copacabana e o tipo de conexão que ninguém esperava

A trama começa com um gatilho simples: uma convivência inesperada com uma vizinha mais jovem. Só que, a partir daí, Laurita começa a ser atravessada por memórias e por sentimentos que estavam “guardados” no modo econômico. E Amanda, por sua vez, também não chega como solução pronta. Ela chega como relação real, com atrito, surpresa e vulnerabilidade.

É aquele tipo de narrativa que faz a gente pensar: quantas relações invisíveis a gente deixa de lado por achar que já “passou da hora”? O filme transforma o cotidiano em drama e comédia ao mesmo tempo, mostrando que afeto também é conflito, às vezes em voz baixa.

Por que o filme conversa com todas as idades

Mesmo sendo sobre envelhecimento e solidão, A Lista não fica preso no “problema da velhice”. Ele fala de escuta, escolhas e de como a gente se sabota achando que já sabe o final da história. A diferença de fases entre Laurita e Amanda vira motor dramático, mas também vira espelho.

O diretor Guilherme Piva parece apostar no que o público gosta de verdade: personagens com caminho, não só com discurso. O filme valoriza a convivência e o diálogo, com uma linguagem que equilibra humor, emoção e observação humana. Resultado: dá para assistir e, depois, ficar pensando em quais “listas” emocionais a gente carrega sem perceber.

O que você levaria para casa depois do filme?

Se A Lista mostrasse só uma coisa, seria isso: conexão inesperada pode bagunçar a rotina e, ainda assim, melhorar a vida. Você apostaria que uma vizinha pode virar uma chave emocional, ou acha que a gente precisa de mais tempo para essas viradas acontecerem?

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