A Mostra de São Paulo 2026 comemora 50 anos com 380 títulos, filmes premiados e mais de 70 produções brasileiras.
- Uma edição histórica para a cidade
- Dos grandes festivais para a tela grande
- O cinema brasileiro ganha espaço
- Tem mais do que filme na programação
Uma edição histórica para a cidade
A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo chega à 50ª edição com um daqueles números que fazem qualquer cinéfilo abrir a agenda e começar a negociar horários: são 380 obras de 93 países. O evento acontece de 15 a 29 de outubro e ocupa 57 salas, espaços culturais e CEUs espalhados pela capital paulista.
A abertura para convidados será no dia 14, na Sala São Paulo, com Tigre de Papel, de James Gray, que também recebe homenagem nesta edição. Antes do longa, o público verá Sul de Teerã, curta de Kleber Mendonça Filho sobre Jafar Panahi, cinema, memória e perseguição política. A programação pública começa no dia seguinte, então vale separar as datas para não confundir a festa de abertura com o início das sessões.
Meio século de Mostra não se celebra só empilhando números. A seleção mistura estreias, retrospectivas, filmes restaurados, séries, realidade virtual e sessões para crianças. É um panorama enorme, daqueles em que a melhor estratégia talvez seja aceitar que não dá para ver tudo e escolher o que mais conversa com seu gosto.
Dos grandes festivais para a tela grande
Um dos chamarizes é a presença de obras premiadas ou exibidas em Cannes, Veneza, Berlim, Sundance, Locarno, Roterdã e Annecy. Entre os destaques estão Mulher Desconhecida, de May el-Toukhy, vencedor do Leão de Ouro em Veneza, e Fjord, de Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Também entram na seleção Amor Possível, de Lee Chang-dong, e trabalhos de nomes como Ryûsuke Hamaguchi e Andrey Zvyagintsev.
Para quem acompanha a temporada de premiações, outro dado chama atenção: 21 filmes selecionados foram enviados por seus países para disputar uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional. Entre eles está o brasileiro Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton. É uma oportunidade interessante de conhecer títulos que podem voltar à conversa nos próximos meses, sem depender de uma estreia comercial futura ou de uma maratona de streaming.
O homenageado James Gray também ganha espaço com filmes de sua carreira e o Prêmio Leon Cakoff. A programação celebra ainda o centenário de Andrzej Wajda com cópias restauradas e reconhece cineastas como Marco Bechis. Para conferir sessões e horários antes de montar seu próprio roteiro cinéfilo, consulte a programação oficial da Mostra.
O cinema brasileiro ganha espaço
A Mostra Brasil reúne mais de 70 obras, e aqui está um dos pontos mais fortes desta edição: a chance de ver a variedade do cinema feito no país sem reduzir tudo a um único estilo ou assunto. A seleção inclui ficção, documentário e produções que passaram por festivais internacionais, como Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira, Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, e A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr.
Também há filmes como Dragões, Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, O Sertão das Nossas Memórias e Pequenas Tragédias. A seleção documental olha para artistas e figuras marcantes, entre eles Belchior, Elza Soares, Fernanda Montenegro, Ney Matogrosso, Chorão e Zé Celso Martinez Corrêa. É um cardápio amplo, que ajuda a lembrar que cinema nacional não cabe numa prateleira só.
Tem mais do que filme na programação
A Mostrinha traz 21 filmes de 20 países, com animações e títulos inéditos no Brasil. A abertura da seção será com Clarice Vê Estrelas, de Letícia Pires, e a programação circula por equipamentos do Circuito Spcine e outros espaços culturais. Para famílias, é uma boa porta de entrada para apresentar diferentes histórias e linguagens sem transformar a ida ao cinema numa aula com prova no final.
Quem gosta de olhar para a história da sétima arte encontra retrospectivas, homenagens e restaurações, incluindo Aurora, de F. W. Murnau, com trilha executada ao vivo pela Orquestra Jazz Sinfônica. Já o Encontro de Ideias Audiovisuais, entre 20 e 23 de outubro, reúne conversas e atividades voltadas ao mercado. Há ainda realidade virtual, séries e uma exposição sobre os 50 anos do evento.
As sessões também chegam a Belém, de 22 a 28 de outubro, e a itinerância do Sesc leva filmes a cidades do interior paulista. Em São Paulo, a oferta inclui circuitos pagos, populares e gratuitos; mais de 80 títulos terão recursos de acessibilidade pelo aplicativo MLoad. Com tanta coisa acontecendo, a dica é simples: escolha algumas sessões com antecedência e deixe espaço para uma descoberta inesperada. Afinal, em festival desse tamanho, às vezes o melhor filme da semana é justamente aquele que você não planejava ver.
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