MUCC no Anime Friends 2026 virou aquele tipo de noite que você lembra anos depois, como se o Distrito Anhembi tivesse virado portal. E sim, teve setlist, teve bastidor e teve fã chorando de leve como quem diz “20 anos de espera, agora eu posso respirar”.
- Setlist que não deixou ninguém sobrar
- Abertura, Seiren e o choque eletrônico
- Homenagem ao BUCK-TICK e momentos de tensão
- Mosh, hotzone e fechamento em catarse
- O que essa estreia diz sobre o futuro do MUCC no Brasil?
Setlist que não deixou ninguém sobrar
É muito fácil dizer que “todo show foi único”. Mas no caso do MUCC no Anime Friends 2026, a palavra combina com o que aconteceu no palco. A banda montou uma linha do tempo em camadas, alternando hits, músicas de atmosfera e momentos que parecem feitos sob medida para dois tipos de gente: quem chegou pelo anime e quem cresceu ouvindo J-rock do jeito raiz.
No começo, Seiren já entregou a cor do show, com um clima mais controlado e hipnótico, daqueles que dão vontade de prestar atenção nos detalhes. Só que aí vem a virada: guitarras com tensão, bateria firme e um desenho de som que te puxa para o próximo capítulo sem pedir licença.
Abertura, Seiren e o choque eletrônico
O roteiro continua com Nirvana, cumprindo a cota de anisongs como quem sabe exatamente o que o público quer ouvir quando sente que a noite finalmente começou. Depois, duas escolhas que acertaram em cheio quem acompanha há tempo: Saishuu Ressha e G.G. E o detalhe aqui é a dinâmica: músicas mais festeiras com espaço para canto em coro, deixando o evento com cara de “todo mundo virou parte da banda”.
Quando Classic entra, dá para sentir aquele reconhecimento coletivo, tipo quando você encontra um amigo que não via há anos. A sequência segue para um lado mais experimental, e aí rola o famoso “uau” sonoro: Under the Moonlight mistura ritmos eletrônicos e delays pesados de guitarra, como se o setlist estivesse brincando com contrastes.
Homenagem ao BUCK-TICK e momentos de tensão
Um momento bem cinematográfico acontece quando Miya solta uma brincadeira com cover de BUCK-TICK na guitarra. Para quem vive no universo do visual kei, isso é tipo easter egg com antecedência. E em Ai no Uta, a reverência fica ainda mais clara: a música já começa carregada, fazendo uma ponte sonora com o álbum Six/Nine. Se você curte rastrear referências, esse trecho é um prato cheio.
O show ainda puxa para uma vibe mais instável e pesada com Iris, onde entram rap lines, um clima quase reggae e um peso absurdo do baixo de Yukke, enquanto o Tatsurou transforma o vocal em ferramenta de impacto. A sensação é aquela de duas forças brigando dentro da mesma música: agachar para curtir ou bater cabeça para explodir.
Mosh, hotzone e fechamento em catarse
Depois do respiro animado de Yue ni Manterou, vem a hora de ligar o modo turbina. As primeiras notas de Ranchuu e pronto: todo mundo entende na hora. A roda abre, o mosh canta junto e, com o passar dos segundos, a energia vira um organismo só. Em inglês, o Tatsurou até enfrenta dificuldades para se comunicar, mas quem já conhecia o MUCC sabe que o recado não precisa de legenda.
O ápice acontece na sequência com hotzone em ação, com público entrando no ritmo e virando cenário vivo do show. E para fechar do jeito certo, Mother fecha como se fosse a última página do mangá: aquela calmaria depois de uma luta grande, só que todo mundo ainda no modo “mais uma música”.
Nos bastidores, destaque para interações sinceras com o público. O Yukke reagiu com empolgação ao clima do evento, e o Miya ainda soltou uma zoeira leve no cenário, deixando tudo com cara de banda humana, não de “personagem”. Para quem esperou décadas, é aí que a estreia vira memória afetiva.
Para contexto sobre a banda e suas fases, vale conferir a ficha do MUCC na Wikipédia.
O que essa estreia diz sobre o futuro do MUCC no Brasil?
Se teve show histórico no Anime Friends 2026 com 20 anos de espera virando energia coletiva, então a pergunta que fica é simples: o Brasil vai passar mais um tempo tão grande sem ver o MUCC de novo, ou agora finalmente virou ciclo?
Eu apostaria na segunda opção. Porque quando a setlist acerta em gerações diferentes e o público reage como fã de verdade, não é só estreia. É recado de continuação.
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