O nosso papo na **LicensingCon Latam 2026** foi direto do modo “nerd curioso” para o modo “mercado de verdade”, com foco em **animês** e licenciamento. Vem conferir.
- O que foi a LicensingCon Latam 2026 e por que importa
- A nova onda dos animês: público mais amplo, mais dinheiro em jogo
- Planos de longo prazo: as negociações de licenciamento não são “pra ontem”
- Kagurabachi, Free Fire e Aniplex: o “sair do óbvio” na prática
Contexto rápido: feira B2B em São Paulo é onde o hype encontra contrato. E, na LicensingCon Latam 2026, deu para sentir que as marcas estão levando animês e mangás mais a sério, não só para camiseta e boneco, mas também para experiências e categoriações que andam junto com o comportamento do público geek.
O que foi a LicensingCon Latam 2026 e por que importa
A LicensingCon Latam 2026 rolou este mês em São Paulo e reuniu empresas e licenciantes que sustentam a ponte entre IPs (propriedades intelectuais) e produtos físicos e experiências. A gente esteve no primeiro dia a convite da Angelotti Licensing e viu de perto como o evento funciona: menos cosplay, mais reunião, mais estratégia e muito “quem fecha o comitê?”.
O recado geral é simples: quando o fandom cresce, o licenciamento cresce junto. E não é só “mais produto”, é mais linha de produtos bem pensada para diferentes faixas de idade.
A nova onda dos animês: público mais amplo, mais dinheiro em jogo
Segundo o CEO da Angelotti Licensing & Entertainment Business, Luiz Angelotti, houve uma virada perceptível a partir de 2018, com o interesse passando por diferentes bolsões do “mundo geek”. Durante a pandemia, então, a coisa acelerou: consumo de Naruto, Dragon Ball e One Piece virou explosão.
No evento, a Angelotti reforçou que a base de público não fica travada no “otaku raiz”. Ele comentou que hoje dá para mirar desde 6 anos até 40. Isso abre espaço para propriedades que entram sem pedir licença no nicho. O destaque foi a lista de marcas mais procuradas, com jogos de prateleira e intenção comercial bem alinhados.
Outra presença relevante foi a Vertical Licensing, ligada ao ecossistema Sony, com foco em licenciamento de conteúdos do grupo, incluindo obras associadas à Crunchyroll e ao universo de cinema, TV e games.
Planos de longo prazo: as negociações de licenciamento não são “pra ontem”
Um dos trechos mais “pé no freio” do dia veio na conversa com Claudia Archela, sócia-diretora da Vertical Licensing. A executiva ressaltou que o interesse aumentou e que a onda atual vai além do óbvio. Tem propriedade para público familiar, tem IP para 18+, e tem até evolução em formatos, saindo de itens básicos para experiências e categorias como alimentos.
Mas o mais interessante foi o timing. Claudia reforçou que licenciamento exige antecedência porque envolve etapas longas e, com raras exceções, negociações demoradas. Na prática, o que deve aparecer no mercado nos próximos anos já tem “história fechada”, muitas vezes em sigilo.
Kagurabachi, Free Fire e Aniplex: o “sair do óbvio” na prática
Quando a pauta é sair do óbvio, aparecem as apostas novas. Kagurabachi, por exemplo, esteve no radar via CyberAgent, e a produção divulgou uma “turnê global de lançamento” do animê. A conversa deixou claro que, por enquanto, a estreia no Brasil está confirmada, mas com planos para ativação maior em eventos como CCXP.
Se animê e games se misturam com força, Free Fire entrou na história com a série animada Daybreak. A Pepper2Play explicou que existem licenças diferentes para produtos do jogo e para produtos do animê, e que a leitura do mercado é bem positiva para o lançamento.
Já a Aniplex estava com estande próprio buscando contato direto com varejistas por propriedades como Demon Slayer e Madoka Magica. O ponto delicado é que as empresas japonesas costumam ser bem rigorosas: checagem de qualidade e comitês de aprovação são parte do processo. Mesmo assim, o evento ajuda por conectar parceiros e organizações, incluindo suporte via JETRO.
Para entender o que é a JETRO no contexto de acordos entre Japão e mundo, vale colocar isso em perspectiva, porque a feira vira um hub de aproximação real.
Licenciamento de animê em SP é só moda ou já virou o “próximo grande ciclo” do Brasil?
Honestamente? Depois de ver como Angelotti, Vertical Licensing, Aniplex e parceiros falam de agenda, comitês e expansão para experiências, parece que a pergunta já não é “se vai crescer”, e sim “quando a gente vai ver tudo chegando na sua cidade”. E você, acha que essa onda pega mais no colecionável ou nas experiências?
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