Naruto e Boruto ficaram no topo do ranking de animes mais lucrativos da TV Tokyo no período de abril a setembro.
O topo tem dono
A TV Tokyo divulgou seu balanço financeiro do segundo trimestre do ano fiscal de 2027, e a notícia mais chamativa para quem acompanha anime é bem direta: Naruto ficou em primeiro lugar, seguido por Boruto. Yu-Gi-Oh!, Pokémon e Bleach completam os cinco títulos mais lucrativos.
O ranking não traz valores individuais para cada franquia, então não dá para saber quanto cada uma colocou no caixa. Ainda assim, ver Naruto e Boruto nas duas primeiras posições é um sinal claro da força comercial desse universo, que continua relevante mesmo com a história original encerrada há anos.
E vale separar as coisas: aparecer no topo não significa necessariamente que os animes estejam passando por uma nova explosão de audiência na TV. O balanço destaca o desempenho financeiro das propriedades, e a grana pode vir de diferentes frentes. A popularidade de uma franquia não vive só de episódio novo, por mais que a gente adore uma estreia para comentar no grupo.
De onde vem o dinheiro?
Segundo o relatório, jogos para smartphones e direitos de distribuição foram fatores importantes para os primeiros colocados. É uma combinação que faz sentido para marcas com alcance internacional: o fã pode acompanhar a série, jogar no celular e encontrar o conteúdo em diferentes mercados e plataformas.
O dado também ajuda a entender por que franquias antigas seguem tão competitivas. Naruto não precisa depender exclusivamente de uma temporada inédita para continuar rendendo. Personagens reconhecíveis, décadas de histórias e produtos derivados mantêm a marca circulando. Boruto, por sua vez, amplia esse universo e conversa com quem chegou depois, sem apagar o peso do protagonista original.
No setor de animes e streaming como um todo, o lucro operacional chegou a 4,38 bilhões de ienes, cerca de US$ 27,8 milhões, uma alta de 11,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso aconteceu apesar da queda na receita geral da empresa. Traduzindo do economês: o cenário amplo teve pressão, mas essa divisão conseguiu melhorar o resultado.
Um sucesso que vai além do Japão
A distribuição geográfica da receita reforça que o apelo dessas séries não está restrito ao Japão. A China respondeu por 30,8% do valor registrado, enquanto a América do Norte ficou com 25,7%. O próprio Japão representou 14,7%, seguido por outras regiões, incluindo a América Latina, com 10,5%, e pela Europa, com 10,1%.
Para quem cresceu vendo Naruto correr para o lado com os braços para trás, é curioso pensar que a nostalgia também virou um negócio global sofisticado. A série atravessou gerações e fronteiras, e o resultado mostra como uma história pode continuar encontrando público muito depois de seu momento inicial de exibição.
Isso não quer dizer que cada região consuma a franquia do mesmo jeito, nem que esses percentuais revelem o número de fãs. São dados de receita, não uma contagem de espectadores. Mas ajudam a mostrar onde a marca tem mais força comercial e por que a distribuição internacional pesa tanto na estratégia da empresa.
O futuro do mundo ninja
A perspectiva indicada no balanço é de continuidade para a franquia, com novos projetos previstos a partir de 2027, ano em que o anime clássico de Naruto completa 25 anos. Entre os planos mencionados estão o crossover animado NARUTOxNINKŪ, o mangá Naruto: Shadow Rising, um jogo de cartas e o lançamento global de Naruto Mobile.
Também está em desenvolvimento um filme live-action dirigido por Destin Daniel Cretton, com a Lionsgate envolvida na produção e a Sony Pictures responsável pela distribuição internacional. É um projeto que pode apresentar a saga a outro público, embora adaptações desse tipo sempre carreguem uma missão ninja complicada: condensar um universo enorme sem perder sua identidade.
O balanço não garante que todos esses lançamentos vão repetir o desempenho dos jogos e dos direitos de distribuição. Mas deixa uma coisa evidente: Naruto e Boruto continuam sendo ativos valiosos para a TV Tokyo. O desafio agora é transformar essa força financeira em projetos que respeitem o que tornou a franquia querida, em vez de apostar apenas no poder do símbolo da Folha.
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