One Piece supera Dragon Ball no balanço da Toei, mesmo após a aposta nostálgica de Daima.
- A vantagem virou dois dígitos
- O que explica a distância?
- Daima ajudou, mas não resolveu
- Goku ainda pode virar o jogo?
A vantagem virou dois dígitos
Dragon Ball Daima tinha um ingrediente difícil de ignorar: Goku de volta à infância, em uma história inédita e cheia daquela nostalgia que costuma fazer os fãs apertarem o botão de replay. Ainda assim, o balanço fiscal de 2026 da Toei Animation aponta que One Piece faturou mais com a marca durante o período.
Segundo os números apresentados aos investidores, a obra de Eiichiro Oda respondeu por 31% do faturamento de animação da empresa no ano fiscal encerrado em março. Dragon Ball ficou com 20%. A diferença é de 11 pontos percentuais, bem maior que os cerca de quatro pontos registrados uma década antes.
Um detalhe importante para não transformar o dado em manchete de campeonato: esses percentuais se referem ao faturamento de animação da Toei, não à receita total da companhia. Mesmo com essa distinção, o resultado mostra que One Piece está rendendo mais dentro de um conjunto que inclui licenciamento, produtos digitais e outras frentes de negócio.
O que explica a distância?
Não parece ser uma questão de um único filme ou de uma onda passageira. One Piece conta com episódios semanais, então a conversa sobre a série continua acesa entre uma grande estreia e outra. É o tipo de presença constante que mantém personagens, momentos e produtos circulando no imaginário do público.
No cinema, One Piece Film Red ainda teve fôlego em reexibições IMAX e em mercados secundários, enquanto Dragon Ball Super: Super Hero já havia encerrado sua cauda de rendimento no segundo trimestre. Isso não diminui o alcance do filme de Gohan e Piccolo, mas ajuda a entender por que as duas franquias não chegaram ao mesmo resultado neste balanço.
O licenciamento também pesa. O relatório destaca 19 acordos internacionais para One Piece, o dobro do rival, com iniciativas que vão de roupas a experiências temáticas. E, na métrica interna de engajamento digital da Toei, que combina visualizações em canais oficiais e interações em redes, a série de Luffy marcou 4,7 bilhões de impressões globais. Dragon Ball registrou 2,9 bilhões.
É quase como comparar duas máquinas lendárias: Dragon Ball ainda tem o impacto de uma transformação marcante, mas One Piece está no modo aventura contínua, com novidade e produto chegando sem depender de um evento isolado.
Daima ajudou, mas não resolveu
A Toei atribui parte do desempenho de Dragon Ball à sazonalidade. Traduzindo do corporativês: a franquia passa períodos sem uma sequência regular de novas histórias animadas. Desde 2018, Goku apareceu principalmente em longas-metragens e colaborações de jogos, enquanto One Piece seguiu ocupando espaço semanal na programação.
Daima melhorou a audiência do sábado japonês, mas, de acordo com o material de apoio, não gerou uma linha colecionável tão forte quanto a empresa esperava. As oito figuras de luxo lançadas em 2025 teriam ficado 18% acima da média histórica em unidades encalhadas. A nostalgia abriu a porta, mas não garantiu que todo mundo saísse da loja com uma carteira Saiyajin.
Esse é o ponto mais interessante: reconhecimento e carinho não viram faturamento automaticamente. Para sustentar uma marca, é preciso dar ao público motivos frequentes para acompanhar, comprar e compartilhar. One Piece está conseguindo fazer isso em mais frentes neste momento.
Goku ainda pode virar o jogo?
A disputa não está encerrada. A Toei sinalizou a aprovação de 12 novos personagens canônicos para 2027, enquanto a Bandai Namco prepara um jogo cooperativo on-line que deve integrar narrativas paralelas. A ideia, se sair do campo dos planos, pode criar novas portas de entrada para fãs antigos e para quem ainda não conhece o universo além das lutas clássicas.
One Piece também não está parado: a franquia se aproxima de momentos decisivos na história e pode aproveitar esse impulso para ampliar ainda mais sua presença. Mas vantagem financeira não significa vitória eterna. Dragon Ball continua sendo uma potência cultural; o desafio é transformar esse legado em histórias e produtos que pareçam relevantes agora, não apenas lembranças de uma época em que todo mundo tentava imitar um Kamehameha.
Por enquanto, Luffy está à frente no balanço da Toei. Para Goku recuperar terreno, nostalgia ajuda, mas uma nova fase consistente provavelmente fará mais diferença. Afinal, até o maior Saiyajin precisa de uma boa saga para voltar ao topo.
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