Todos nós temos que morrer um dia: é assim que Steven Knight resume o adeus de Tommy Shelby em Peaky Blinders: O Homem Imortal, enquanto os criadores ainda riam da cena dos porcos na lama.
- O “final verdadeiro” de Tommy Shelby
- No primeiro dia, porcos de verdade e muita lama
- Por que Tom Hardy e Arthur ficaram fora do foco
- Cillian Murphy no adeus final, choveu e mesmo assim funcionou
- Quem disse que morte não pode ser épica?
O “final verdadeiro” de Tommy Shelby
Peaky Blinders: O Homem Imortal chega como um fechamento de ciclo que já parecia inevitável depois de seis temporadas (e depois de tanto teorizar em fórum, né?). Segundo o criador Steven Knight, não era só questão de drama: era sobre encontrar o “único final verdadeiro” para Tommy Shelby. A frase que guiou a despedida não é exatamente leve, mas é certeira: todos nós temos que morrer um dia. Para ele, Tommy não estaria de volta para “jogar golfe” e virar uma espécie de lenda viva sem consequências. Era preciso morrer em grande estilo, carregando toda a desgraça que a gente aprendeu a aceitar junto com o personagem.
Agora, o detalhe que deixa o fim com cara de final de história grande de verdade é a dupla proposta da cena: Tommy tenta salvar o filho e, ao mesmo tempo, o país. Ou seja, o filme não trata a morte como só um ponto final. Trata como um desfecho que tenta transformar tudo o que deu errado em algo que faz sentido dentro do universo da gangue.
No primeiro dia, porcos de verdade e muita lama
Se você acha que bastidor de série é “sofrimento silencioso”, esquece. A parte mais caótica que os criadores lembraram envolve a famosa cena com porcos. O diretor Tom Harper contou que, no primeiro dia de filmagem, eles já estavam gravando essa sequência. Tradução: não foi aquela gravação “tranquila para testar luz”. Foi ele dirigindo dois atores principais enquanto tudo acontecia na lama, com porcos de verdade.
E quando Harper descreve, parece quase um patch de realidade: a cena ganhou importância por ser tão específica que não dava para “improvisar depois”. Ele ainda resumiu com humor que não tem nada melhor do que ver Cillian Murphy e Barry Keoghan rolando naquela situação absurdamente bizarra. É aquele tipo de cena que, mesmo que você não goste do desconforto, você entende o porquê: ela comunica, na prática, o mundo sujo e perigoso em que esses personagens vivem.
Esse tipo de trabalho lembra como a Netflix costuma apostar em finais com impacto visual. O que muda aqui é o nível de sujeira literal, sem metáfora. E sinceramente? A cena já começa a valer pelo “primeiro dia de caos”.
Por que Tom Hardy e Arthur ficaram fora do foco
Outro ponto que pegou os fãs foi a ausência ou o espaço menor para personagens como Arthur (interpretado por Paul Anderson) e a participação esperada de Tom Hardy. Houve a sensação de que seria “quase obrigatório” ver mais gente do elenco clássico marchando junto no filme. Só que Knight foi direto: o roteiro ditou o elenco.
Uma das ideias centrais era que Tommy precisava de algo que ele não conseguisse simplesmente perdoar. E o filme tem pouco tempo para administrar tudo, cerca de 90 minutos. Knight comparou isso sem dó com o ritmo da série, que permite mais espaço para arcos complexos. No cinema, você escolhe uma história e foca nela. E a história escolhida foi, basicamente, a de Tommy Shelby: por que ele se isolou, como ele chegou nesse ponto, e o que precisa acontecer para justificar o que vemos no final.
Hardy é “brilhante e ótimo”, como Knight reconheceu, mas a decisão foi manter o foco. É o tipo de escolha que divide o público, mas faz sentido quando você lembra que Peaky Blinders sempre foi sobre consequências e ritmo, não sobre fan service infinito.
Mesmo assim, a curiosidade fica: Netflix colocou o ponto final no streaming com o que tinha de mais importante para contar, sem transformar o filme num desfile.
Cillian Murphy no adeus final, choveu e mesmo assim funcionou
O lado humano do bastidor também apareceu na conversa. Cillian Murphy teria descrito a filmagem da cena final como “decepcionante” porque choveu e o set precisou ser interrompido abruptamente. Só que Tom Harper discordou, pelo menos na sensação. Ele disse que a cena virou uma das lembranças favoritas justamente porque mostrava Tommy vendo Ada (Sophie Rundle).
Ou seja, mesmo com nevoeiro, chuva e eles filmando num ambiente que virou quase um pântano, o diretor considerou que o momento ficou perfeito. A parte “deprimente” era o clima e o ambiente. A parte “linda” era a atuação, a emoção e a construção do instante. Harper defendeu que nem todo imprevisto estraga uma cena. Às vezes, o caos atmosférico é só o universo ajudando a dar aquela camada de peso que o personagem precisa.
E aí volta a ideia do tema: não é só morrer. É morrer num lugar emocionalmente coerente. Tommy vai embora carregando Ada, carregando o passado e carregando o que sobrou de esperança quando todo mundo já achou que era tarde demais.
Quem disse que morte não pode ser épica?
No fim, Todos nós temos que morrer um dia acaba funcionando como uma espécie de mantra de direção. Knight e Harper não venderam o adeus como tragédia gratuita, mas como conclusão inevitável. Entre porcos na lama, escolhas de roteiro que priorizam Tommy e uma cena final marcada por chuva e nevoeiro, Peaky Blinders: O Homem Imortal tenta entregar um “último capítulo” digno do mito.
E honestamente? Se a série terminou com cara de destino e de decisão, então talvez a pergunta não seja se Tommy merecia morrer. A pergunta é: quem mais iria fechar uma história desse jeito e ainda fazer a gente rir do bastidor enquanto sente o golpe no final?














