The Boys satiriza The Last of Us e escancara a fórmula

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The Boys segue com aquela habilidade rara de rir por cima do próprio mainstream e, de quebra, cutucar estruturas prontas do gênero pós-apocalíptico sem perder o timing.

A provocação mais direta do episódio

No quarto episódio da última temporada, The Boys resolveu mirar alto e trouxe uma semelhança com The Last of Us que quase vira um meme ambulante. A cena rola durante uma missão do grupo, quando a coisa sai do controle após contato com esporos, e os personagens começam a agir com aquela agressividade que só combina com apocalipse molhado e pânico coletivo.

É aí que Hughie (Jack Quaid) solta a comparação com The Last of Us. O detalhe é que não fica só no “ah, parece com aquela série”. O humor vem com francês na veia: Frenchie (Tomer Capone) rebate do jeito mais direto possível, resumindo o clima como uma versão de The Walking Dead com cogumelos. Ou seja, nada de sutileza. É sátira bem na cara, estilo “não é copy, é comentário”.

Dentro do episódio, a fala funciona como piada. Mas fora dele, ela acende uma discussão maior: o quanto o gênero pós-apocalíptico cria padrões e os espectadores estão tão acostumados que nem percebem.

Por que The Last of Us virou alvo perfeito

The Last of Us é um daqueles casos em que o público até aceita o golpe emocional porque a narrativa faz sentido. Joel e Ellie carregam uma dinâmica que mistura sobrevivência, culpa e afeto torto, daquelas que grudam. Só que, quando The Boys cutuca, ele não está dizendo “a série é ruim”. Está dizendo “ela participa do mesmo jogo que a gente vê por aí”.

O paralelo fica mais claro quando você lembra das estruturas que ajudam a história a andar: grupos se deslocam por territórios hostis, a tensão nasce do encontro entre humanos, e escolhas morais viram o verdadeiro campo de batalha. Mesmo com o peso emocional sendo o motor principal, a engrenagem é reconhecível.

E tem mais: a ameaça e a origem do surto também entram como linguagem. Em The Last of Us, o fungo Cordyceps explica o apocalipse. Então, quando a situação lembra “corpo infectado, sobreviventes em alerta e caos biológico”, a associação acontece no automático. The Boys só aproveita esse reflexo cultural.

O resultado é aquela sensação de “ok, eu pensei isso também, só que ninguém falava”. E isso, pra uma série que vive de provocar, é ouro.

The Walking Dead é a régua escondida

Se The Last of Us tem fungo e pavor mais cinematográfico, The Walking Dead entra com uma pegada bem mais “rotina de sobrevivência” e mistério persistente sobre a origem da tragédia. Mesmo assim, as duas obras compartilham o básico que sustenta o gênero: sobreviventes em grupos, conflitos internos e ameaças que vão além dos infectados.

Além disso, a narrativa costuma explorar relações humanas como combustível. Quem protege, quem trai, quem sacrifica, quem negocia. A rota emocional é sempre parte do caminho, não um extra. Por isso, quando The Boys puxa essa linha, ela está apontando para a estrutura que o público consome há anos, mesmo quando muda o “tema da vez”.

Em outras palavras: não é só “apocalipse com zumbis versus apocalipse com fungo”. É “apocalipse que testa caráter”. A sátira funciona porque não desmonta o impacto das histórias originais. Ela reforça como as fórmulas, mesmo com variações, continuam voltando.

Tem até uma camada de crítica aí: às vezes o que parece inovação é só uma reembalagem de recursos narrativos que já ganharam escala. E The Boys adora jogar essa luz em cima.

Satirizando a indústria e o jogo do streaming

Além da zoeira com obras do próprio ecossistema, The Boys segue atacando a engrenagem da indústria. A mesma temporada usa o episódio para cutucar, de forma bem irônica, o modelo de streaming e a falta de transparência nas métricas de audiência.

Em uma reunião da Vought, a série brinca com a ideia de que números são tratados como caixa-preta. Você tem produção popular, tem trabalho pesado, tem público, mas no fim a decisão vem sem explicar direito. É o clássico “a gente não sabe, mas vocês também não vão ficar sabendo” virando piada.

Isso conversa com a forma como The Boys escreve: ele sabe que o espectador é influenciado pelo que consome e, ao mesmo tempo, sabe que o mercado age como se previsse tudo. É sátira de bastidor com gosto de realidade.

Se você quiser um respiro de contexto sobre o fenômeno e a forma como essas plataformas tratam dados e produção, a página oficial do HBO ajuda a lembrar como cada empresa vende narrativa e marca, mesmo quando o bastidor é mais barulhento do que parece.

A piada vira espelho e a crítica pega no ponto

No fim, a sacada de The Boys é que a provocação com The Last of Us não reduz a obra da HBO. Ela mostra como o gênero pós-apocalíptico tem uma receita de ingredientes recorrentes e, às vezes, a gente só aceita porque a história vem bem temperada.

Quando a piada acerta no coração, ela deixa de ser só meme. Vira comentário social, vira crítica ao que o streaming incentiva e vira um lembrete de que, mesmo em mundos destruídos, o que realmente manda é a mesma pergunta humana: o que você faria quando tudo desmorona?

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