Street Fighter: filme aposta em flashbacks 2D

Twitter
LinkedIn
Threads
Telegram
WhatsApp

Street Fighter mostrou trechos de sua animação 2D feita à mão, usada nos flashbacks de Ryu e Ken.

Flashbacks com sabor de game

O filme de Street Fighter ganhou um vídeo de bastidores com uma novidade que deve chamar a atenção de quem cresceu vendo os personagens trocarem golpes na tela: algumas passagens da história serão contadas em animação 2D desenhada à mão. As imagens divulgadas dão uma primeira amostra dessa escolha visual.

As sequências aparecem nos flashbacks de Ryu e Ken, dois nomes que dispensam apresentação para qualquer pessoa que já tenha escolhido um personagem antes de começar uma partida. Em vez de resolver todas as lembranças dos lutadores com cenas em live-action, o longa vai alternar linguagens. É uma decisão que combina com uma franquia cuja identidade nasceu, justamente, de personagens estilizados e movimentos que parecem feitos para virar desenho.

Não é só um enfeite nostálgico, pelo menos no papel. A animação pode ajudar a separar o passado do presente e dar às lembranças uma energia própria. Claro, tudo depende de como essas cenas conversam com o restante do filme. A ideia é boa; agora falta ver se ela encaixa sem parecer um intervalo entre duas lutas.

A mão por trás da animação

O trabalho ficou com a Titmouse, estúdio conhecido por produções animadas para cinema e televisão. O detalhe importante aqui é a técnica: os trechos foram desenhados à mão, em 2D, e não apresentados como simples filtros aplicados sobre imagens digitais. Isso abre espaço para uma textura diferente dentro de uma produção de ação em live-action.

As primeiras imagens não revelam a extensão dessas passagens nem quanto tempo elas ocuparão na narrativa. Também não dá para cravar, só com esse material, como será o acabamento final no cinema. Mas existe algo especialmente simpático em ver uma adaptação de videogame abraçar o desenho em vez de tentar traduzir cada elemento para um realismo genérico.

Em uma franquia como Street Fighter, essa escolha parece menos um truque e mais uma oportunidade. Os jogos sempre tiveram poses exageradas, golpes impossíveis e personagens com silhuetas marcantes. A animação 2D pode preservar um pouco dessa personalidade sem exigir que cada flashback pareça uma cena de luta filmada em câmera lenta.

Ryu e Ken no centro da história

Na trama, ambientada em 1993, Chun-Li recruta Ryu e Ken para participar do próximo torneio World Warrior. O que começa como uma disputa entre lutadores acaba envolvido em uma conspiração mortal e nos passados dos protagonistas. É nesse último ponto que a animação desenhada à mão deve entrar em cena.

Andrew Koji interpreta Ryu, enquanto Noah Centineo vive Ken Masters. Callina Liang assume o papel de Chun-Li. A premissa junta um torneio, rivalidades e uma ameaça maior, ingredientes que fazem parte do DNA da série. O desafio é dar a cada personagem espaço para ser mais do que uma roupa reconhecível e um golpe especial aguardando sua vez.

Os flashbacks podem ser uma ferramenta útil para construir essa dimensão, sobretudo para os dois lutadores que compartilham uma história. E, convenhamos, quando uma franquia tem décadas de confrontos e versões diferentes, qualquer recurso que ajude a organizar o passado sem transformar o filme numa aula de lore já começa com alguns pontos a favor.

Um toque 2D que pode fazer diferença

Adaptações de games vivem tentando encontrar o equilíbrio entre agradar quem conhece cada golpe e receber bem quem só quer assistir a um bom filme. A animação 2D pode ser uma ponte interessante: conversa com a linguagem original de Street Fighter, mas também cria uma assinatura visual própria para as lembranças de Ryu e Ken.

O risco, claro, é a novidade ficar isolada, como uma ideia legal que não influencia o ritmo nem a narrativa. Para funcionar, as cenas precisam dizer algo sobre os personagens e não apenas lembrar ao público que o filme conhece os jogos. O material de bastidores mostra uma direção promissora, mas é o longa completo que vai provar se essa mistura tem impacto de verdade.

Por enquanto, o que temos é um motivo a mais para prestar atenção na identidade visual do projeto. Num universo em que um Hadouken já desafia qualquer compromisso com o realismo, um pouco de animação tradicional pode ser exatamente o tipo de ousadia que faz sentido.

Quando o filme chega aos cinemas?

Dirigido por Kitao Sakurai, Street Fighter tem estreia prevista nos cinemas brasileiros para 15 de outubro. A proposta combina ação em live-action, torneio e conspiração, mas agora também sabemos que as memórias dos protagonistas terão outro estilo visual.

Se a animação 2D for integrada com cuidado, ela pode ser mais do que uma piscadela para os fãs antigos: pode ajudar o filme a encontrar uma linguagem que seja realmente sua. E aí fica a pergunta que importa para quem já escolheu entre Ryu e Ken no controle: será que essa parceria entre live-action e desenho vai acertar o golpe especial?

Sugestão para o seu Set-up Nerd:

Encontramos produtos incríveis com desconto!

Ver livro A Rede Social Ben Mezrich na Amazon