Sul de Teerã: Kleber Mendonça Filho filma Jafar Panahi

Twitter
LinkedIn
Threads
Telegram
WhatsApp

Sul de Teerã aproxima dois cineastas em um curta de oito minutos sobre cinema, memória e perseguição política.

Um encontro entre cineastas

Kleber Mendonça Filho vai apresentar Sul de Teerã, seu novo curta-metragem com Jafar Panahi, na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A sessão de abertura para convidados está marcada para quarta-feira, 14 de outubro, e contará com a presença do diretor brasileiro. A programação da Mostra para o público acontece entre os dias 15 e 29.

O encontro tem uma combinação daquelas que fazem qualquer cinéfilo prestar atenção: de um lado, o olhar de Kleber, que transforma cidades, espaços e tensões sociais em matéria de cinema; do outro, Panahi, cineasta iraniano conhecido por uma obra marcada pela resistência e pela perseguição política. Não é uma parceria de longa duração ou um épico de três horas. São oito minutos, e a proposta parece estar justamente em concentrar o olhar.

O filme acompanha a observação de Mendonça Filho sobre Panahi. Em vez de imaginar uma grande produção, pense numa conversa cinematográfica compacta: dois realizadores, experiências distintas e a câmera como ponto de encontro. Às vezes, um curta tem mais a dizer do que muito longa que confunde duração com profundidade.

O que o curta observa

Filmado em 16mm em outubro de 2025, durante o Festival de Nova York, Sul de Teerã propõe uma reflexão sobre cinema e memória a partir da carreira de Panahi. O título também aponta para Teerã, cidade ligada à trajetória do diretor iraniano, embora o material divulgado não entregue detalhes de cenas ou de uma narrativa convencional. Melhor assim: não precisamos fingir que sabemos o que o filme mostra plano a plano.

O formato de 16mm dá ao projeto uma textura analógica, mas o interesse não está só no charme da película. A escolha dialoga com a ideia de memória: imagens registradas, preservadas e revisitadas. É um jeito de pensar o cinema não apenas como entretenimento, mas como testemunho. Uma câmera pode guardar um gesto, uma presença e uma história que alguém preferiria apagar.

Essa conversa ganha força porque Panahi enfrenta perseguição política no Irã e, segundo as informações divulgadas, está preso atualmente. O curta aborda essa realidade sem que seja necessário transformar a notícia em espetáculo. O simples fato de um cineasta olhar para outro, considerando a obra e o contexto em que ela foi criada, já carrega uma pergunta incômoda: quem tem o direito de filmar, contar e circular livremente?

Quando e onde assistir

A exibição de abertura está prevista para 14 de outubro, em uma sessão destinada a convidados. A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo acontece de 15 a 29 de outubro, mas a informação divulgada sobre Sul de Teerã destaca especificamente a apresentação de abertura. Por isso, vale acompanhar os canais oficiais do evento para conferir se haverá outras sessões e como será o acesso.

O curta tem oito minutos, então não é o tipo de obra que exige uma tarde inteira ou um caderno de anotações no colo. Mas duração curta não significa experiência descartável. Um filme assim pode funcionar como uma pequena fresta para a obra de Panahi e para as condições políticas que atravessam seu trabalho. E, convenhamos, ver um encontro desses numa tela de cinema é bem diferente de apenas ler uma sinopse no intervalo do almoço.

O peso de filmar e ser visto

O projeto reúne ainda fotografia de Evgenia Alexandrova, montagem de Edu Serrano e produção de Emilie Lesclaux. São créditos importantes para uma obra que nasce do encontro entre imagem, observação e memória. A equipe ajuda a dar forma ao olhar de Kleber, mas o centro da proposta é a presença de Panahi e tudo o que ela representa.

Há uma ironia triste em falar sobre cinema e liberdade enquanto um cineasta está preso por causa da perseguição política. Só que Sul de Teerã não parece querer oferecer uma solução simples, dessas que cabem num discurso bonito e acabam quando as luzes acendem. O curta coloca a câmera diante de uma realidade concreta e convida o público a prestar atenção.

Para quem acompanha o cinema de Kleber ou a trajetória de Panahi, a sessão já entra na lista de curiosidades fortes da Mostra. O formato é pequeno, mas o assunto não. Em oito minutos, Sul de Teerã pode lembrar que imagens também são memória, encontro e resistência. E, quando filmar se torna um risco, continuar olhando talvez seja um gesto político por si só.

Sugestão para o seu Set-up Nerd:

Encontramos produtos incríveis com desconto!

Ver DVD Taxi Teerã Jafar Panahi na Amazon