Tudo Pode Ser Visto já mira marca histórica

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Tudo Pode Ser Visto virou fenômeno de bilheteria nos Estados Unidos e já ocupa um lugar raro entre documentários.

Um feito de bilheteria

No quarto fim de semana em cartaz, o documentário dirigido por Lance Oppenheim e Nathan Fielder arrecadou US$ 80 milhões na América do Norte. Com esse resultado, tornou-se o segundo documentário não musical de maior bilheteria da história da região, segundo informações da Variety.

O único título à frente é Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, que somou US$ 119 milhões durante sua exibição nos cinemas em 2005. As projeções apontam que Tudo Pode Ser Visto pode alcançar US$ 100 milhões em bilheteria doméstica em breve. Não é pouca coisa para um documentário, formato que raramente disputa espaço com os grandes lançamentos de ficção.

Vale reparar no detalhe: o recorde citado é para documentários não musicais e considera a bilheteria norte-americana. Ou seja, não se trata de uma liderança entre todos os documentários nem de um total mundial. Ainda assim, chegar tão perto de um clássico de Michael Moore é um baita feito, especialmente em apenas quatro fins de semana.

A história por trás do filme

O longa acompanha Elizabeth Holmes nos 34 dias que antecedem o início de sua prisão. Holmes ficou conhecida por fundar a Theranos, empresa de biotecnologia que prometia mudar os exames de sangue com uma proposta ambiciosa: realizar diversos testes usando apenas uma pequena amostra.

A promessa, porém, não correspondia ao que a tecnologia da empresa conseguia entregar. A Theranos foi acusada de enganar investidores ao apresentar como funcional um sistema que não cumpria o prometido. Em 2022, Holmes foi condenada por quatro crimes de fraude contra investidores e sentenciada a 11 anos e três meses de prisão.

É uma história que parece escrita para uma série de suspense corporativo, mas aconteceu de verdade. A diferença é que, aqui, não precisamos esperar uma reviravolta de roteiro para descobrir que a ambição e a imagem cuidadosamente construída da fundadora escondiam problemas bem concretos.

Holmes diante da câmera

O interesse do filme também está no encontro entre quem entrevista e quem é entrevistada. Nathan Fielder, conhecido pela série O Ensaio e por situações que brincam com os limites entre realidade e encenação, conduz a conversa com Holmes. Ela, por sua vez, tornou-se mundialmente conhecida justamente por uma fraude que abalou a confiança de investidores e do público.

Esse contraste dá ao documentário uma camada curiosa: Fielder costuma deixar o espectador tentando entender o que é genuíno e o que faz parte de uma construção. Colocar esse estilo diante de uma figura cuja trajetória já envolve aparência, persuasão e engano cria uma tensão que não depende de perseguições ou música dramática. A própria conversa vira parte do espetáculo.

O filme é dirigido por Fielder e Oppenheim, cineasta de Primetime, e produzido pela A24. Em vez de recontar apenas a ascensão e a queda da Theranos, a proposta parte de um recorte específico da vida de Holmes, quando a prisão deixa de ser uma consequência distante e passa a estar logo ali.

Quando o filme chega ao Brasil

O lançamento internacional está previsto para o fim de novembro, e a chegada aos cinemas brasileiros já tem data: 26 de novembro. A distribuição por aqui será da Sony Pictures. A estreia fora da América do Norte também pode dar novo impulso à arrecadação global, embora o número de US$ 80 milhões divulgado até agora seja referente ao mercado doméstico norte-americano.

O desempenho mostra que existe público para documentários quando a história tem personagens marcantes, consequências reais e uma pergunta difícil de ignorar: como uma promessa tão extraordinária conseguiu convencer tanta gente? No caso de Holmes, a resposta envolve tecnologia, dinheiro, reputação e uma narrativa de sucesso que parecia boa demais para ser verdade.

Para quem acompanhou o caso Theranos ou só conhece a história por manchetes e dramatizações, Tudo Pode Ser Visto chega com um diferencial interessante: a chance de observar Holmes pouco antes de começar a cumprir a pena. E, com essa corrida de bilheteria, o documentário já deixou claro que o assunto ainda está longe de sair de cena.

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