Unabomber na Netflix virou o filme mais visto do ranking global em inglês, mesmo com a crítica torcendo o nariz.
- A liderança que pegou fogo
- Crítica e público, em lados diferentes
- A história real por trás do filme
- Os números com um pouco de contexto
- Vale o play?
A liderança que pegou fogo
A Netflix divulgou os números da semana de 21 a 27 de setembro, e Unabomber apareceu no topo do ranking global de filmes em língua inglesa. O longa somou 16,4 milhões de visualizações, uma vantagem considerável sobre o segundo colocado, Conforme a Música, que marcou 7,3 milhões.
É aquele tipo de resultado que faz a gente olhar duas vezes para a lista: enquanto a conversa sobre o filme passava pela recepção negativa de especialistas, os assinantes foram lá e apertaram o play em massa. Russell Crowe, Jacob Tremblay e Shailene Woodley ajudam a explicar o chamariz, mas o interesse por uma investigação criminal real também tem seu peso. Histórias de crimes que mobilizam o país costumam prender a atenção, mesmo quando a adaptação não conquista todo mundo.
Crítica e público, em lados diferentes
No Rotten Tomatoes, o longa registra 28% de aprovação entre críticos, com base em 43 avaliações. A pontuação do público é mais generosa, mas ainda dividida: 52%. Ou seja, não estamos diante de um raro caso em que a crítica detestou e todo mundo em casa declarou obra-prima. O cenário é mais morno, com uma diferença clara entre quem analisa e quem decide assistir.
Entre as ressalvas apontadas estão diálogos pouco inspirados e escolhas narrativas que soam familiares. E, sim, filme sobre investigação criminal pode cair fácil no piloto automático: detetive obstinado, pistas reveladoras e uma corrida contra o relógio. O tema real oferece material naturalmente intrigante, mas isso não garante que cada cena encontre um jeito novo de contá-lo. Ainda assim, números de audiência mostram que muita gente quis conferir a história por conta própria, sem esperar o carimbo da crítica.
A história real por trás do filme
O filme acompanha Theodore Kaczynski, conhecido como Unabomber. Superdotado, ele foi admitido em Harvard aos 16 anos e, mais tarde, se tornou uma das figuras mais temidas dos Estados Unidos. A produção atravessa diferentes momentos dessa trajetória, começando pelos anos acadêmicos do protagonista, vivido por Jacob Tremblay.
Nessa fase, a trama inclui os controversos experimentos psicológicos conduzidos pelo professor Henry Murray, personagem de Russell Crowe. Depois, o foco se volta para a investigação federal e a perseguição a Kaczynski, com Shailene Woodley interpretando a investigadora Joanne Miller. O elenco ainda reúne Alexander Ludwig, Annabelle Wallis, Steven Ogg e Marc Menchaca. A direção é de Janus Metz Pedersen.
O ponto de partida real dá ao suspense um peso que não depende só de reviravoltas. Também abre espaço para perguntas incômodas sobre poder, ética e os limites de experiências feitas em nome da pesquisa. É uma combinação potente, embora a execução, pelo que indica a recepção, nem sempre acompanhe a força do material.
Os números com um pouco de contexto
Os 16,4 milhões impressionam, mas comparar estreias exige cuidado. O Homem que Sussurra, com Robert De Niro, registrou 33,4 milhões de visualizações nos três primeiros dias, enquanto A Última Casa, com Wagner Moura e Greta Lee, chegou a 27,5 milhões no primeiro fim de semana. São recortes de lançamento diferentes da semana contabilizada para Unabomber, então não dá para tratar os totais como uma disputa exatamente equivalente.
O que dá para dizer é que Unabomber teve uma semana forte e liderou o ranking entre os filmes em inglês. No mesmo período, a série brasileira Habeas Corpus apareceu em décimo lugar entre as produções de língua não inglesa, com 1,6 milhão de visualizações. Não chega perto da marca do longa, mas é uma presença brasileira em uma lista global que merece ser notada.
Vale o play?
Se você curte dramas criminais baseados em fatos reais, a premissa pode ser suficiente para despertar curiosidade. Só é bom entrar sabendo que o sucesso de audiência não veio acompanhado de aclamação crítica. A produção parece funcionar melhor como um suspense acessível, daqueles que chamam atenção pelo caso e pelo elenco, do que como uma investigação cinematográfica capaz de reinventar o gênero.
No fim, os números deixam uma lição conhecida para qualquer fã de cultura pop: crítica e público nem sempre estão na mesma nave. Às vezes, como em uma saga de Star Wars que divide a galáxia, a conversa em torno da obra vira parte do próprio evento. Unabomber conquistou o topo da Netflix; se também vai conquistar você, só assistindo para descobrir.
Sugestão para o seu Set-up Nerd:
Encontramos produtos incríveis com desconto!
Ver livro A Sociedade Industrial e Seu Futuro manifesto Unabomber na Amazon















