Verity coloca Anne Hathaway em um suspense psicológico que, até agora, é o filme menos bem avaliado da atriz em 2026.
- O contraste com os outros filmes do ano
- Uma casa cheia de segredos
- Onde o suspense perde força
- Vale a sessão?
O contraste com os outros filmes do ano
Anne Hathaway vive uma temporada cinematográfica movimentada. Verity, que estreia nos cinemas em 1º de outubro, é o quinto longa com a atriz lançado em 2026. Só que a maratona não terminou com cinco acertos: o suspense aparece com 46% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, o menor índice entre os filmes do ano dela até o momento.
A diferença para os títulos mais bem recebidos é considerável. A Odisseia lidera a lista com 94% de aprovação, seguida por O Fim da Rua, com 86%. O Diabo Veste Prada 2 marca 78%, enquanto Mother Mary aparece com 69%. Os números podem mudar conforme novas críticas entram no agregador, mas o retrato atual deixa Verity bem atrás da concorrência.
Vale lembrar que porcentagem no Rotten Tomatoes não é uma nota direta para o filme. O índice indica quantas avaliações foram positivas, não se cada crítico deu uma nota alta. Ainda assim, a distância entre Verity e os outros trabalhos de Hathaway é um sinal claro de recepção mais dividida, ou simplesmente mais fria.
Uma casa cheia de segredos
Na trama, Dakota Johnson interpreta Lowen Ashleigh, uma escritora em dificuldades financeiras que recebe uma proposta tentadora: terminar, em segredo, os livros de uma série famosa. A autora original é Verity Crawford, vivida por Hathaway, que está catatônica e sem mobilidade após um acidente de carro.
Para assumir o trabalho, Lowen vai morar na casa isolada dos Crawford. Lá, conhece Jeremy, o marido de Verity, interpretado por Josh Hartnett, e o filho pequeno do casal. Enquanto procura materiais que ajudem a continuar a série, encontra um manuscrito autobiográfico que guarda confissões perturbadoras sobre o passado da família.
É uma premissa com ingredientes de sobra para um suspense de clima sufocante: uma mansão afastada, uma escritora cercada de versões conflitantes e um documento que talvez revele mais do que deveria. A adaptação vem do best-seller de Colleen Hoover, autora de É Assim Que Acaba, e tem direção de Michael Showalter, de Uma Ideia de Você.
Onde o suspense perde força
As críticas apontam que a produção encontra um tom difícil de controlar. A Variety questiona o ritmo e a tentativa de recuperar o suspense erótico clássico, além de notar situações que acabam soando involuntariamente engraçadas. Já o The Hollywood Reporter vê graça no melodrama da primeira metade, mas considera que as revelações seguintes enfraquecem o mistério.
O terceiro ato também virou alvo de reclamações. Para o The Guardian, a história passa a depender de conveniências pouco convincentes, e o final aberto pode parecer menos uma provocação inteligente do que um roteiro que não amarrou suas ideias. É aquele tipo de problema que suspense nenhum consegue esconder por muito tempo: se a reviravolta não convence, a tensão construída antes perde força junto.
Há, porém, quem compre a proposta sem exigir que tudo seja um mecanismo de precisão. O IndieWire elogia a entrega desinibida das protagonistas e enxerga no exagero melodramático um entretenimento escapista. Dependendo da expectativa, o que para uma pessoa é cafona para outra pode ser justamente a diversão da sessão.
Vale a sessão?
O índice mais baixo de Hathaway no ano não transforma automaticamente Verity em um desastre, mas mostra que a adaptação não conquistou a crítica como os outros projetos recentes da atriz. A ideia central é forte, o elenco chama atenção e o material original tem apelo para fãs de histórias cheias de dúvida e tensão doméstica. O desafio está em fazer as peças se encaixarem sem que as revelações pareçam convenientes demais.
Se você gosta de suspense melodramático, personagens pouco confiáveis e casas onde todo mundo parece esconder alguma coisa, pode encontrar diversão no caos. Se espera um mistério afiado, daqueles em que cada pista fecha como peça de quebra-cabeça, talvez seja melhor ajustar as expectativas. Verity chega com uma premissa intrigante, mas, pelo menos na recepção inicial, não repete o embalo crítico dos outros filmes de Anne Hathaway em 2026.
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