Recém-divulgado, o Screen Tourism Forecast Index 2026 aponta que países e cidades devem receber mais visitantes em 2026 graças ao cinema e à televisão. Sim, é oficial: sua próxima viagem pode começar num episódio que você só queria “ver rapidinho”.
- O que é set-jetting e por que 2026 vai bater recordes
- Como o índice calcula onde a telinha vira roteiro
- Top destinos que vão puxar multidões em 2026
- O efeito “Game of Thrones” e outras cascatas de popularidade
O que é set-jetting e por que 2026 vai bater recordes
Ao longo da última década, o set-jetting deixou de ser só uma piada entre fãs e virou um motor real de turismo. É aquele fenômeno em que você olha pra uma rua, praia ou castelo que apareceu numa série e pensa: “ok, eu preciso viver isso”.
O exemplo clássico? Game of Thrones transformou Dubrovnik em um destino praticamente obrigatório para quem queria sentir que estava em King’s Landing. Antes, a vida era: ver a temporada, curtir os memes, seguir em frente. Depois: lotação, fotos no mesmo ângulo e fila para o “momento épico”.
E não para por aí. The White Lotus também virou mapa de viagem, de Taormina até a Tailândia, enquanto Crash Landing on You fez o mundo atravessar fronteiras por causa de uma aldeia suíça. Em 2026, com o streaming ainda mais voraz, a pergunta deixa de ser “onde vai dar vontade de viajar?” e vira “quem vai conseguir aguentar o impacto?”.
Como o índice calcula onde a telinha vira roteiro
Quem organiza a esperança (e a planilha) é o Screen Tourism Forecast Index 2026, criado pela Holafly. A ideia é bem nerd, no bom sentido: o índice usa quatro dimensões para gerar um Screen Tourism Forecast Score (STFS) de 0 a 100. Tradução: ele tenta prever quais lugares vão registrar mais turistas por causa de estreias de filmes e séries.
As dimensões avaliadas incluem a pontuação de dinamismo do conteúdo, que observa audiência e peso cultural do material; a iconicidade do local, ou seja, o quão inseparável o destino é da produção (Nova Iorque em Sex and the City quase vira personagem); o índice de sinal de procura, que mede o interesse turístico; e a capacidade de absorção, que checa se a estrutura aguenta a pancada, com rotas aéreas e oferta de alojamento.
Em resumo prático: o índice tenta entender se o público está vendo, se a série ou filme está com potencial de ficar viral, se o local foi realmente filmado no terreno e se existe infraestrutura para transformar fandom em viagem sem virar caos total.
Isso faz sentido também do ponto de vista de cultura pop. Quando um lugar aparece de forma consistente, com imagens fortes e cenas marcantes, o cérebro do fã faz o resto: cria atalho mental e já imagina o roteiro.
Top destinos que vão puxar multidões em 2026
Depois de todos os cálculos, tem um vencedor bem claro. Mas o ranking é o que deixa tudo divertido. O topo aponta para uma combinação de audiência explosiva, reconhecimento de cenário e infraestrutura pronta para receber gente curiosa.
1. Coreia do Sul, com All of Us Are Dead (temporada dois). A série tem um dos maiores registros de audiência para conteúdos não anglófonos na Netflix, e a nova leva de episódios deve incentivar reservas já no curto prazo. O índice destaca que, na Coreia do Sul, o turismo de ecrã virou pilar estrutural, não só um pico de eventos.
2. Espanha, impulsionada por House of the Dragon (temporada três). A história entrelaçou fandom e destinos reais no passado, e agora a tendência deve se repetir. Como Espanha já é muito procurada, o efeito deve aparecer mais em cidades medievais do interior, como Cáceres e Ourense, do que em números globais gigantescos.
3. Irlanda, com Wednesday (temporada dois). 4. Tailândia, com Jurassic World Rebirth. 5. Grécia, com The Odyssey. E ainda tem: Sicília, Glasgow, África do Sul, Jordânia e Chéquia.
Falando em The Odyssey, o filme de Christopher Nolan tem estreia prevista para 17 de julho. E aqui é onde a iconicidade pesa: a narrativa homérica é vista como indissociável da geografia grega, o que transforma a associação em “cola” difícil de quebrar.
Para quem gosta do tema por dentro, dá para acompanhar IMDb para ver cast, localizações e lançamentos relacionados a produções que puxam o set-jetting.
O efeito “Game of Thrones” e outras cascatas de popularidade
Uma coisa é a série ser boa. Outra é o lugar ser memorável o suficiente para virar destino próprio. O ranking do Screen Tourism Forecast Index sugere exatamente isso: quando o local é marcante e a produção tem tração, o turismo não vem só como curiosidade, vem como onda.
No caso espanhol, San Juan de Gaztelugatxe, conhecido como Dragonstone, já é prova disso. A expectativa é que novos episódios reativem buscas e acelerem o interesse, principalmente entre viajantes que gostam de fotografar e “traduzir” cenas para a vida real.
Na Grécia, o jogo é outro. Não é só praia e fotografia. É sentimento de narrativa: milhões já viram trailers e, ao mesmo tempo, a cultura clássica funciona como “chave” mental para entender o que será visto no terreno. Com os Peloponnese Trails, uma rota de 1.700 quilômetros que conecta pontos da região, a ideia de transformar o filme em itinerário fica ainda mais fácil.
E no fundo, é isso que o índice tenta capturar: se o destino tem imagem forte, momento cultural e estrutura para receber novos fluxos. Em outras palavras: o fandom não só assiste, ele planeja. E quando todo mundo planeja ao mesmo tempo, a agenda de viagens começa a parecer um calendário de lançamento de série.
Seu próximo “spoiler” pode ser um roteiro de viagem
Com o Screen Tourism Forecast Index 2026, fica mais claro que cinema e televisão já não são só entretenimento. Elas viraram mapa. E se o set-jetting já causou ondas antes, 2026 promete ser o ano em que o público vai transformar a timeline em itinerário, sem pedir licença.
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