Brasil ganha plano de 10 anos focado na preservação do cinema nacional e transforma o tema “guardar filmes” em política de Estado, tipo aquele patch que resolve o save corrompido do passado.
- O que foi apresentado na 21ª CineOP
- Plano PDM 2026-2035 e o Eixo 7
- Arranjos regionais: a preservação sai do modo isolado
- Formação gratuita e diagnóstico nacional
- Cinemateca e Portal Filme Cultura: infraestrutura na veia
O que foi apresentado na 21ª CineOP
Na última terça-feira, 30, a preservação do audiovisual no Brasil recebeu um passo bem concreto. Durante a 21ª CineOP (Mostra de Cinema de Ouro Preto), a Secretaria do Audiovisual (SAv) do Ministério da Cultura apresentou um pacote de ações que aponta para a próxima década, com foco em proteger o patrimônio audiovisual e garantir que as próximas gerações tenham acesso ao que foi produzido por aqui.
O recado é claro: não dá para tratar preservação como “tarefa de fim de temporada”. A ideia é deixar o processo contínuo, amarrado em diretrizes e metas de longo prazo. Em linguagem de cultura geek, é como trocar uma quest aleatória por uma campanha principal com progressão e recompensas que fazem sentido.
Plano PDM 2026-2035 e o Eixo 7
A grande novidade para o horizonte de 10 anos é o Plano de Diretrizes e Metas (PDM) 2026-2035, que traz um eixo específico para preservar. Dentro desse plano, existe o Eixo 7, dedicado exclusivamente à Preservação. A estratégia é manter uma “engrenagem do Estado” funcionando por tempo suficiente para que salvaguarda não dependa do humor de uma gestão e nem vire uma iniciativa heroica, tocada no improviso.
Também é um movimento importante porque preservação é trabalho técnico e de bastidor. Não é só arquivar. Envolve organização, cuidados com materiais, conservação e modernização digital para que os acervos não virem peças de museu em estado crítico.
Arranjos regionais: a preservação sai do modo isolado
Para que a preservação aconteça no país inteiro, o plano aposta nos Arranjos Regionais. Pela primeira vez, estados e municípios precisam investir recursos específicos voltados ao fomento da preservação, criando uma estrutura descentralizada. Ou seja, não fica tudo concentrado em um único lugar como se o Brasil coubesse em um servidor.
O financiamento será impulsionado por mecanismos já conhecidos do setor, como a Lei Paulo Gustavo (LPG), a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e também orçamento direto da União. Na prática, isso ajuda a reduzir desigualdades e cria um caminho mais previsível para manter arquivos e instituições em atividade.
Formação gratuita e diagnóstico nacional
Além da estratégia, o artigo do plano também conversa com resultados intermediários entre 2023 e 2026. Tem Curso de Preservador Audiovisual, com 160 horas presenciais e certificação oficial do CTAv e do IFRJ. A proposta aqui é atacar uma carência histórica: falta mão de obra qualificada para cuidar do acervo do audiovisual.
O programa ainda prevê visitas técnicas de diagnóstico, com 24 visitas em instituições de todas as regiões, mapeando necessidades locais. E pra completar, rola um ciclo de 4 encontros virtuais com temas críticos como Preservação Digital, repositórios e patrimonialização.
Como cereja de nerd, dá para ver que existe uma preocupação em estruturar rede e criar continuidade, com expansão e termos assinados para garantir representantes regionais no processo de gestão do patrimônio.
Cinemateca e Portal Filme Cultura: infraestrutura na veia
A Cinemateca Brasileira, sediada em São Paulo, segue como instituição-âncora da preservação audiovisual. Ela é referência, guarda um acervo enorme e enfrenta desafios estruturais que exigem investimento contínuo. Segundo a pauta apresentada, os aportes do governo federal via SAv seguem robustos nos últimos anos, passando de R$ 60 milhões nos últimos três anos.
Outro ponto chave é o reforço da modernização digital com o novo Portal Filme Cultura, descrito como um hub da Rede Nacional de Arquivos Audiovisuais. A ideia é conectar organização, acesso e preservação em uma plataforma que ajude a não deixar o conteúdo “perdido no multiverso” do HD perdido.
Se você curte entender como isso se liga ao trabalho de arquivo e acesso público, vale encostar também no histórico de iniciativas de preservação no FIAF, que é uma referência internacional do assunto.
Quando a preservação vira regra, o filme não some
O plano de 10 anos apresentado na 21ª CineOP tenta resolver um problema bem brasileiro: a sensação de que o acervo sempre vai “sobrar para depois”. Ao criar metas de longo prazo, um eixo dedicado e mecanismos para participação de estados e municípios, o Brasil tenta transformar preservação do cinema nacional em política de Estado de verdade. E, pra quem vive de cultura pop, isso é como garantir que o próximo rewatch do seu filme favorito exista, com qualidade, daqui a décadas.
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