X-Men ’97: criador ouviu ofensas racistas na Marvel

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X-Men ’97 não é só sobre mutantes e poder telepático. Agora, nos bastidores da Marvel, o assunto pegou fogo: Beau DeMayo disse que ouviu comentários racistas, homofóbicos e sexistas durante seu trabalho.

O que DeMayo contou sobre sua saída e o ambiente na Marvel

Beau DeMayo, criador e ex-showrunner da animação X-Men ’97, reacendeu o debate ao falar sobre sua demissão e os bastidores do estúdio. Ele saiu do projeto em março de 2024, pouco antes da estreia da série, e agora, em entrevista à Vanity Fair, afirmou que durante seu período na Marvel ouviu comentários de teor racista, homofóbico e sexista.

O ponto mais pesado da fala dele não é só o desconforto. DeMayo sugeriu que, em vez de ser tratado como profissional e criador, ele sentiu que parte do grupo enxergava a contratação como “necessária” para cumprir metas internas. Tradução geek para o que rolou: ele diz que entrou achando que estava num ambiente seguro para trabalhar, mas descobriu que não estava.

Por que ele acredita que foi contratado por causa de DEI

De acordo com o roteirista, existia uma impressão constante de que ele teria sido contratado para atender pautas de diversidade, equidade e inclusão. Ele se identifica como homem negro e gay, então a lógica, segundo a visão dele, vinha carregada desse “rótulo” desde o começo.

Para piorar, DeMayo relatou que ouviu frases que soam como desprezo por ele não “ter cara” para determinadas funções. Em vez de ser elogiado pelo trabalho, o que ficava era a sensação de que sua posição profissional era colocada em dúvida. É aquele sentimento ruim de “não basta você fazer, tem que provar que merece existir no lugar”.

As ofensas que ele diz ter ouvido (e por que doeu)

Entre as falas atribuídas por DeMayo, estão comentários como: “você não tem cara de showrunner” e “você não tem cara de roteirista”. Ele conta que esse tipo de observação acabou reforçando a ideia de que o trabalho dele estava sendo tratado como questão de aparência e enquadramento, e não como capacidade e resultado.

Além disso, ele mencionou que ouviu comentários preconceituosos também ligados a outras frentes, como homofobia e sexismo. O resultado, na visão dele, foi um clima de trabalho que parecia menos sobre criação e mais sobre hierarquias sociais. E isso é especialmente irônico quando a série lida com marginalização, identidade e conflitos de pertencimento em alto nível.

O que ele relatou em Blade e o clima “não era seguro”

DeMayo também fez menção ao trabalho em Blade. Segundo ele, nesse contexto as atitudes preconceituosas teriam ficado ainda mais explícitas. Ele classificou a experiência como “muito traumática” e disse que chegou a acreditar que estaria em um ambiente seguro, mas concluiu que não era.

Esse é o tipo de relato que vira um divisor de águas porque, quando alguém que atua em projetos gigantes da indústria diz que o ambiente falhou, não é só “fofoca de bastidor”. É sobre a estrutura por trás do que chega na tela. E, sinceramente, faz o espectador pensar duas vezes sobre como a diversidade é tratada: como narrativa ou como compromisso real.

Como isso conversa com o impacto de X-Men ’97

X-Men ’97 virou um evento por um motivo: a animação consegue parecer atual sem perder o espírito da obra original. Mesmo quem não era deep em quadrinhos sentiu que os temas de identidade e preconceito estão no DNA do universo dos mutantes. Só que agora, com esses relatos, o debate deixa de ser apenas “sobre a história” e começa a bater na porta de “quem faz a história”.

Vale lembrar que a série segue em expansão e, segundo o que foi divulgado, a segunda temporada estreou no Disney+. Entre crítica, discussão e expectativas, fica o contraste: o mundo lá dentro fala com a realidade lá fora, mas os bastidores, pelo relato, teriam falhado em oferecer o básico. A Marvel sempre quis ser associada a inclusão, mas DeMayo diz que o dia a dia não acompanhou o discurso.

Quando o roteiro luta, mas o estúdio atrapalha, quem paga o preço?

No fim das contas, a fala de Beau DeMayo joga uma sombra grande sobre o tema que X-Men ’97 representa com tanta força. Se os comentários racistas, homofóbicos e sexistas realmente aconteceram como ele descreveu, não é exagero dizer que isso mexe com credibilidade, confiança e, principalmente, com a saúde mental de quem tenta criar dentro da indústria.

Enquanto o universo dos mutantes segue brilhando na tela, os bastidores continuam sendo o lugar onde as histórias podem nascer ou desabar. E, para quem é fã, isso não é só notícia. É o tipo de assunto que vira “crossover” com a vida real, daquele jeito que a gente preferia que não precisasse.

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