Digger tem a menor nota de Tom Cruise na década

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Digger começou sua trajetória com um número pouco animador: é o filme de Tom Cruise com menor aprovação na década de 2020.

O número que acendeu o alerta

O novo longa de Tom Cruise, dirigido por Alejandro G. Iñárritu, apareceu com 53% de aprovação no Rotten Tomatoes. Com isso, Digger ocupa a posição menos favorável entre os filmes do ator lançados nos anos 2020, de acordo com o agregador. Para alguém que costuma ser associado a grandes sucessos e cenas de ação que desafiam a gravidade, não é exatamente a estreia dos sonhos.

Mas vale olhar para o tamanho da amostra antes de transformar o placar em sentença: no momento da publicação do levantamento, eram 99 críticas contabilizadas. A nota pode subir ou cair à medida que novas avaliações entram. Ou seja, o retrato inicial é um sinal de recepção, não uma votação encerrada para sempre.

Nota baixa não é veredito final

O Rotten Tomatoes não funciona como uma nota escolar que mede quanto cada crítico gostou do filme. O percentual indica a parcela de avaliações classificadas como positivas. Um resultado de 53% mostra que as opiniões estão divididas, mas não revela sozinho o que cada crítica elogiou ou contestou, nem o quanto alguém gostou da experiência.

É uma diferença importante. Dois filmes podem ficar perto dos 50% e provocar reações bem distintas: um pode ser considerado competente, mas pouco empolgante; outro pode dividir o público por apostar numa ideia mais estranha. O número ajuda a perceber a temperatura da recepção, só não substitui a conversa sobre o que funciona na tela.

Na filmografia de Cruise, há avaliações ainda menores em outros períodos. A Múmia, por exemplo, aparece com 15%, enquanto Jack Reacher: Sem Retorno tem 37%. Já o pior índice citado entre os títulos do ator é o de Cocktail, de 1988, com 11%. Então Digger não carrega o título de pior filme de sua carreira segundo o agregador, mas começou atrás dos trabalhos mais bem recebidos desta década.

O que a história promete

Em Digger, Cruise interpreta um magnata do petróleo que provoca uma catástrofe ecológica e tenta reparar os estragos. É uma premissa que coloca o personagem diante de uma conta enorme, daquelas que não se resolvem apenas com um discurso inspirador e uma corrida em alta velocidade. Aqui, a pergunta central parece ser menos se ele consegue escapar do problema e mais o que significa assumir responsabilidade depois de causá-lo.

Iñárritu descreveu a história a partir de três forças: luto, poder e responsabilidade. A combinação sugere um terreno diferente dos blockbusters de ação que fizeram de Cruise um nome tão familiar. Em vez de depender só de perseguições e façanhas físicas, o filme parece mirar também numa sátira sobre riqueza e influência. Claro, uma boa premissa não garante que todos os elementos se encaixem, mas pelo menos oferece algo interessante para acompanhar.

Esse contraste também ajuda a entender por que a recepção pode ser tão dividida. Um filme que mistura humor, crítica política e drama pode soar afiado para parte da plateia e irregular para outra. Sem transformar especulação em explicação oficial, é razoável dizer que uma proposta com tons diferentes corre mais riscos do que uma aventura montada para entregar exatamente o que se espera.

Ainda há tempo para virar o jogo?

Sim, a nota ainda pode mudar: 99 avaliações dão uma amostra relevante, mas não definitiva. E, mesmo quando o placar se estabiliza, ele não decide por ninguém se vale a ida ao cinema. Para quem acompanha Cruise, Digger tem outro atrativo: ver o astro trabalhar com Iñárritu numa história sobre um homem poderoso obrigado a encarar as consequências do próprio poder.

O longa tem estreia marcada para 1º de outubro. Até lá, o número de 53% funciona mais como um alerta de que o filme não conquistou a crítica de forma consensual do que como um aviso para fugir da sessão. Se a sátira tiver personalidade e Cruise sustentar bem esse magnata em crise, talvez Digger encontre seu público mesmo sem largar na frente no placar.

No fim das contas, a curiosidade está justamente no descompasso entre o tamanho do astro e uma recepção inicial morna. Digger pode acabar como um tropeço na fase recente de Cruise ou como um filme divisivo que ganha força na conversa depois da estreia. Por enquanto, o Rotten Tomatoes registra o primeiro capítulo, não a palavra final.

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