Coligay na Mostra de SP divide a programação do Canal Brasil com a segunda temporada de Colônia e filmes brasileiros que merecem atenção.
- Duas séries que encaram o passado
- Coligay: uma torcida contra o conservadorismo
- Colônia volta a Barbacena
- Outros filmes na programação
- Onde e quando assistir
Duas séries que encaram o passado
O Canal Brasil chega à 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo com uma programação que mistura séries inéditas, ficção e documentários. Entre os destaques estão duas histórias brasileiras bem diferentes, mas ligadas por uma mesma inquietação: quem tem o direito de ocupar espaço e contar a própria história?
Uma delas acompanha a Coligay, torcida gremista criada em Porto Alegre durante a ditadura. A outra retorna ao Hospital Colônia, em Barbacena, para continuar a trajetória de personagens cercados pela violência institucional. Não são sessões para sair pensando apenas em escalação ou fotografia: as duas produções encaram feridas históricas que continuam reverberando.
Coligay: uma torcida contra o conservadorismo
Dirigida por Paulo Machline e protagonizada por Irandhir Santos, Coligay – A Torcida Impossível parte de uma história real. Em 1977, Ramon, dono da boate Coliseu, decide reunir a comunidade gay para apoiar o Grêmio, que atravessa uma fase difícil. O que começa como paixão pelo futebol ganha outro peso quando a torcida passa a desafiar a homofobia e as convenções da época.
A série também acompanha a relação complicada de Ramon com Edgar, seu pai e gremista fanático, que não aceita a orientação do filho. A criação da torcida vira uma tentativa de aproximação, mas não espere que um escudo tricolor resolva tudo em noventa minutos. O conflito entre afeto, tradição e preconceito é parte central da trama.
Com brilho, música e irreverência nas arquibancadas, a Coligay se tornou símbolo de resistência e pertencimento. A pré-estreia será em 21 de outubro, com os dois primeiros episódios, em uma sessão de 77 minutos. A série tem previsão de estreia no Canal Brasil no primeiro semestre de 2027 e é baseada no livro Coligay: Tricolor de todas as cores, de Léo Gerchmann.
Colônia volta a Barbacena
A segunda temporada de Colônia, criada e dirigida por André Ristum, terá sessão especial em 17 de outubro, com os cinco episódios exibidos em sequência. Inspirada no livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, a ficção revisita a história do Hospital Colônia, instituição de Barbacena onde mais de 60 mil pessoas morreram ao longo de sua existência.
Depois dos acontecimentos da primeira temporada, Elisa, interpretada por Fernanda Marques, tenta reconstruir a vida longe da instituição. Mas a possibilidade de o filho ainda estar vivo a leva de volta ao Colônia. Enquanto isso, sua mãe Antonieta parte em busca da filha, e a jornalista Marta investiga as mortes ocorridas no hospital com a ajuda de Wanda. A enfermeira Laura, por sua vez, segue tentando melhorar as condições dos internos.
É uma premissa pesada, como o tema exige, e a série não trata essa história como mero pano de fundo dramático. A exibição terá 150 minutos. Ainda não há data confirmada para a estreia da temporada no Canal Brasil.
Outros filmes na programação
A presença do canal também inclui quatro coproduções. Entre os longas de ficção, Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira, acompanha Gilberto e Jacira, casal que compartilha quase cinco décadas de vida. Quando Jacira é internada, acontecimentos perturbadores conduzem Gilberto por uma experiência entre o tempo e o desconhecido. O filme, exibido no Festival de Berlim, terá sessões nos dias 18 e 27 de outubro.
Já Pele de Rinoceronte, de Marcello Ludwig Maia, cruza os caminhos de uma repórter de jornal popular e uma advogada criminalista em torno de um homicídio que marcou o debate sobre feminicídio. A sessão está marcada para 21 de outubro, com outra exibição no dia 28.
Nos documentários, O Projeto investiga como o colonialismo e o racismo seguem moldando o presente, enquanto Alucinação revisita o Brasil dos anos 1970 a partir das canções de Belchior. A programação ainda reserva, em 22 de outubro, uma conversa sobre circulação, lançamento e formação de público para o documentário brasileiro. Uma pauta importante: filme bom também precisa encontrar quem queira assistir.
Onde e quando assistir
As sessões acontecem entre 17 e 28 de outubro, em espaços como o Espaço Petrobras de Cinema, Reserva Cultural, Cinesesc e Cinesystem Belas Artes Frei Caneca. A programação completa, sujeita a alterações, está disponível no site oficial da Mostra de São Paulo.
Se você estiver na capital, vale escolher a sessão com antecedência, especialmente para as estreias das séries. A programação do Canal Brasil combina memória, denúncia e cultura popular sem tratar esses assuntos como peças de museu. E, no caso de Coligay, prova que arquibancada também pode ser lugar de disputa, afeto e transformação.
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