VisionQuest e o placar que a Marvel ainda mantém

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VisionQuest chegou a 90% de aprovação no Rotten Tomatoes e reacendeu uma pergunta incômoda: as séries da Marvel são mesmo tão ruins?

A nota alta não é um raio em céu azul

Nas redes sociais, falar da Marvel virou quase um esporte de contato. Cada estreia vem acompanhada de reclamações sobre cansaço, excesso de produções e a sensação de que o MCU perdeu a faísca. Parte dessas críticas tem fundamento, claro. Mas a ideia de que o estúdio só entrega série ruim não combina muito com os números da crítica especializada.

Desde WandaVision, que abriu essa fase televisiva em 2021, a Marvel lançou 19 séries, contando animações. Quatorze delas têm pelo menos 80% de aprovação no Rotten Tomatoes. Agora, VisionQuest se junta ao grupo com 90%, reforçando um histórico bem mais positivo do que a fama recente da marca faz parecer.

Não é preciso tratar o Tomatometer como oráculo. Ele reúne avaliações de críticos, não mede audiência e tampouco decide se uma série vai funcionar para cada fã. Ainda assim, serve como um contraponto útil ao discurso de que todo lançamento da Marvel é um desastre anunciado.

Visão e Tommy no centro

Estrelada por Paul Bettany, a série acompanha o Visão em uma jornada de autodescoberta e coloca em foco sua relação com Tommy, filho de Wanda Maximoff, interpretado por Ruaridh Mollica. O terceiro episódio aprofunda esse vínculo e mistura drama familiar, ficção científica e humor, ingredientes que já deram muito certo em WandaVision.

O ponto interessante é a tentativa de deixar os personagens respirarem dentro de um universo que costuma estar sempre olhando para a próxima grande ameaça. Aqui, identidade, família e pertencimento ajudam a sustentar a história. As inteligências artificiais ligadas a Tony Stark também seguem relevantes, conectando o drama pessoal do Visão à herança tecnológica do MCU.

Nem tudo parece encaixar com a mesma tranquilidade. Algumas tramas secundárias avançam depressa, e esse ritmo pode tirar o peso de certos conflitos. Ainda assim, quando a série se concentra em Visão e Tommy, encontra sua força. É o tipo de escolha que lembra que uma história de super-herói não precisa salvar o multiverso a cada episódio para ter algo a dizer.

O placar das redes é outro

O histórico recente ajuda a entender a diferença entre a conversa online e a recepção crítica. Ms. Marvel e X-Men ’97 chegaram a 98% no Rotten Tomatoes. Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha marcou 97%, enquanto WandaVision e Gavião Arqueiro ficaram com 92% cada.

Também existem tropeços, e não adianta fingir que não. Invasão Secreta parou em 53%, um resultado difícil de defender para uma produção com personagens e conceitos tão promissores. Eco e Marvel Zumbis também ficaram abaixo das produções mais celebradas. Mas alguns fracassos não provam, sozinhos, uma queda geral de qualidade.

A distância entre crítica e público, porém, é real. Olhos de Wakanda tem 92% entre críticos e 51% entre espectadores. Coração de Ferro aparece com 76% e 46%, respectivamente. Já Mulher-Hulk, apesar dos ataques que recebeu na internet, soma 77% da crítica e 32% do público.

Essas notas não são números de audiência, e vale separar as coisas. Mas sugerem que aprovação profissional nem sempre vira entusiasmo dos fãs. Com tantos personagens, lançamentos e conexões, acompanhar o MCU pode começar a parecer tarefa de casa, quando deveria ser diversão.

O desafio agora

VisionQuest é mais um sinal de que a Marvel ainda consegue encontrar caminhos criativos na televisão. Isso não apaga problemas de ritmo, nem resolve o desgaste de uma franquia que por anos pediu atenção constante do público. Também não significa que todo mundo precisa gostar da série só porque a crítica aprovou.

O desafio é transformar boas avaliações em vontade de assistir. WandaVision e Loki já foram assunto de teorias, memes e conversas que atravessavam a semana. Hoje, a Marvel disputa espaço com uma quantidade absurda de estreias e com espectadores menos dispostos a acompanhar cada peça do quebra-cabeça.

Se VisionQuest mantiver o foco em seus personagens, pode provar que ainda há histórias interessantes nesse universo sem depender apenas de participações especiais e pistas para o próximo filme. A nota de 90% é um bom começo. Agora falta reconquistar aquela sensação de que assistir a uma série da Marvel é um programa, não uma obrigação para entender a próxima fase.

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