Artificial: filme sobre a OpenAI já chega cercado de elogios

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Artificial já saiu das primeiras sessões com elogios fortes e comparações inevitáveis com A Rede Social.

Reações de tirar o fone

As primeiras sessões de Artificial aconteceram nos Estados Unidos, durante o Festival de Cinema de Nova York, e o burburinho inicial é daqueles que fazem qualquer cinéfilo levantar a sobrancelha. Críticos destacaram o roteiro, o tom sombrio e a capacidade do longa de transformar uma disputa corporativa recente em um drama humano bastante inquietante.

Matt Neglia, do Next Best Picture, elogiou a abordagem do diretor Luca Guadagnino e descreveu a história como envolvente e assustadora. Na leitura dele, o filme olha tanto para o nascimento do fenômeno da inteligência artificial quanto para as consequências que essa tecnologia pode trazer. Não é exatamente uma promessa de sessão leve para esquecer os boletos.

https://x.com/NextBestPicture/status/2107266767018143932

Já Eric Kohn, ex-IndieWire, chamou a produção de comédia sombria e apontou o contraste entre a sensação de apocalipse iminente e a falta de responsabilidade de quem está no comando. A combinação parece bem a cara de uma história sobre gente poderosa tomando decisões gigantescas enquanto o resto do mundo tenta entender o que acabou de acontecer.

Uma crise que parece ficção

O longa acompanha a ascensão da OpenAI e usa como eixo os turbulentos cinco dias de novembro de 2023 em que Sam Altman foi afastado da liderança da empresa e, pouco depois, voltou ao cargo. Foi um episódio real com ritmo de série política: conselho dividido, funcionários reagindo e uma companhia que parecia capaz de mudar de rumo a cada atualização.

É aí que Artificial pode encontrar seu melhor material. A disputa não é apenas sobre quem ocupa a cadeira principal, mas sobre poder, dinheiro e responsabilidade num setor que vende o futuro antes de explicar completamente como pretende administrá-lo. Parece ficção científica, mas a parte mais estranha é lembrar que a matéria-prima veio das notícias.

Clayton Davis, da Variety, foi ainda mais longe: avaliou que o filme é o melhor trabalho de Guadagnino em uma década. A comparação com A Rede Social surge naturalmente, já que os dois filmes dramatizam a criação de gigantes tecnológicos e as pessoas que se enfrentam pelo controle deles. Só que aqui o impacto potencial da tecnologia parece bem menos restrito a uma tela de computador.

Garfield e Borisov no centro do furacão

Andrew Garfield interpreta Sam Altman e, segundo as primeiras impressões, aposta numa atuação que mistura charme e desconforto. É um papel curioso para o ator: em vez de vestir o uniforme do Homem-Aranha, ele encarna uma figura real cuja imagem pública está ligada a uma das conversas mais acaloradas da tecnologia atual.

Yura Borisov, conhecido por Anora, também recebeu elogios. As reações destacam sua presença como contraponto à energia de Garfield e a forma como o personagem lida com as implicações morais da criação da OpenAI. O elenco ainda tem uma tarefa delicada: dar rosto e conflito a debates técnicos sem transformar o filme numa reunião de apresentação corporativa. Ninguém merece duas horas de slides, nem mesmo com fotografia bonita.

Guadagnino, que dirigiu Rivais, parece ter escolhido uma mistura de drama e humor ácido para contar essa história. Pelas descrições iniciais, a produção não trata os envolvidos como heróis impecáveis nem reduz tudo a vilões de desenho. O desconforto vem justamente de acompanhar pessoas reconhecíveis tomando decisões cujas consequências podem escapar do controle.

Quando o filme chega?

A NEON adquiriu os direitos de distribuição depois que a Amazon MGM deixou o projeto, que já estava pronto. A mudança chama atenção porque a Amazon havia firmado uma parceria comercial com a OpenAI, mas agora o filme segue para os cinemas norte-americanos pelas mãos de outra distribuidora.

A estreia nos Estados Unidos está prevista para o Natal de 2026. Por enquanto, não há data confirmada para o lançamento no Brasil, então ainda não dá para marcar sessão nem preparar o debate pós-filme no grupo da família. Mas o tema tem tudo para render conversa: Artificial chega cercado por elogios e toca numa discussão que está longe de sair de pauta.

Claro, primeiras reações não são veredito definitivo. Ainda assim, quando críticos diferentes destacam tanto a força das atuações quanto o olhar provocador do diretor, dá para entender por que o filme já está chamando atenção. Agora resta saber se, visto por inteiro, ele sustenta a promessa de ser o trabalho mais marcante de Guadagnino em anos.

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