Paul Greengrass recusou 007 depois de transformar Bourne em uma das franquias de ação mais nervosas do cinema.
- O convite chegou no auge de Bourne
- A lealdade falou mais alto
- Bond e Bourne jogam jogos diferentes
- O que vem pela frente?
O convite chegou no auge de Bourne
O diretor Paul Greengrass contou que recebeu uma proposta para comandar um filme de James Bond depois do sucesso de A Supremacia Bourne, lançado em 2004. Em vez de trocar o agente Jason Bourne pelo espião mais famoso do cinema, porém, ele preferiu continuar com a franquia estrelada por Matt Damon.
A decisão chama atenção porque Bond é aquele tipo de convite que parece impossível de recusar. A licença para dirigir perseguições internacionais, vilões extravagantes e gadgets improváveis não aparece todo dia. Mas Greengrass já estava profundamente envolvido com o universo de Bourne, e a relação com a série pesou mais do que a chance de vestir o smoking de 007.
O cineasta falou sobre o assunto no podcast The Rest Is Classified. Ele também elogiou os produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson, além de demonstrar admiração por Daniel Craig como intérprete do agente. Ou seja: não foi uma recusa por desprezo à franquia. Foi uma escolha de prioridades.
A lealdade falou mais alto
Para explicar o sentimento, Greengrass comparou a situação a trocar o Manchester United pelo Manchester City. A ideia, resumindo, é que certas rivalidades e vínculos tornam uma mudança desconfortável, mesmo quando a oportunidade é enorme. Para o diretor, seguir com Bourne era uma questão de lealdade.
É uma resposta que combina com a maneira como ele fala da série. Greengrass dirigiu A Supremacia Bourne, O Ultimato Bourne e Jason Bourne, sempre com Damon no papel principal. Não estamos falando de alguém que passou por uma franquia como quem cumpre uma escala: ele ajudou a moldar o ritmo e a identidade de três capítulos importantes da saga.
Claro, fica a curiosidade nerd inevitável: como seria um Bond de Greengrass? A câmera inquieta e a ação quase documental do diretor poderiam render um 007 mais físico, menos polido e com aquela sensação de que o protagonista está sempre a dois passos de perder o controle. Seria uma abordagem interessante, mas talvez também aproximasse demais Bond da linguagem de Bourne.
Bond e Bourne jogam jogos diferentes
As duas franquias dividem espionagem, conspirações e gente correndo por cidades que provavelmente nunca mais serão as mesmas depois das filmagens. Só que suas fantasias são diferentes. Bond é estilo, charme e espetáculo; Bourne é paranoia, improviso e a impressão de que qualquer corredor pode virar uma armadilha.
Essa diferença ajuda a entender por que a escolha de Greengrass faz sentido. O diretor já tinha encontrado um terreno fértil em Bourne e podia continuar aprofundando a linguagem da série. Assumir 007 significaria entrar em uma máquina gigantesca, com tradição própria e expectativas de fãs que discutem até a forma correta de segurar uma taça. Não é pouca coisa.
Greengrass também disse que espera ver Bourne voltar, embora não saiba se isso vai acontecer. Matt Damon, por sua vez, comentou em junho que está aberto a retornar ao papel e que existem tentativas de encontrar uma nova história. A porta não está fechada, mas ainda falta o elemento básico: uma trama que justifique mais uma missão.
O que vem pela frente?
Enquanto Bourne segue no campo das possibilidades, o próximo filme de James Bond já está em desenvolvimento na Amazon MGM Studios. Denis Villeneuve, de Duna, vai dirigir, e Steven Knight, criador de Peaky Blinders, assina o roteiro. Amy Pascal e David Heyman também estão entre os produtores.
O novo intérprete de 007 e a data de estreia ainda não foram anunciados. Isso significa que a curiosidade sobre o futuro da franquia continua em aberto, mesmo sem Greengrass na cadeira de diretor. E, convenhamos, Villeneuve é uma escolha capaz de deixar qualquer fã imaginando como ele vai equilibrar escala épica, suspense e o charme clássico do personagem.
Já a recusa de Greengrass rende um daqueles universos paralelos deliciosos de imaginar, mas não parece ter sido uma oportunidade perdida por acidente. Ele escolheu permanecer com Bourne porque acreditava naquela história. No fim das contas, até um agente secreto precisa saber a quem é leal. E, nesse caso, a resposta não foi o MI6.
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