O Exorcista continua voltando às telas, mas Ellen Burstyn já perdeu a paciência com a franquia.
- O recado de Ellen Burstyn
- Uma franquia sem fim?
- Mike Flanagan vai mudar o jogo?
- O legado precisa de mais um filme?
O recado de Ellen Burstyn
Tem personagem que fica para sempre na história do cinema. Chris MacNeil, vivida por Ellen Burstyn no clássico de 1973, é uma delas. Mas isso não significa que a atriz queira passar o resto da vida vendo a franquia voltar para a mesa de cirurgia.
Em entrevista à Variety, Burstyn demonstrou cansaço com a sequência de continuações e reboots de O Exorcista. “Já não chega de ‘O Exorcista’? Já chega”, disparou. É uma frase curta, mas com a energia de quem acabou de ouvir que alguém quer fazer mais uma reunião sobre o mesmo assunto.
E dá para entender o sentimento. O primeiro filme marcou época justamente porque transformou uma história de possessão em um terror íntimo, desconfortável e difícil de esquecer. Quando uma obra dessas vira propriedade intelectual a ser reativada a cada poucos anos, a pergunta deixa de ser “como expandir esse universo?” e passa a ser “será que ainda há algo novo para contar?”.
Uma franquia sem fim?
O problema não é uma continuação existir. Às vezes, uma nova história encontra um ângulo que realmente justifica a visita de volta. O problema é a sensação de que o nome famoso chega antes da ideia, como se a marca, sozinha, fosse capaz de assustar alguém. É o equivalente cinematográfico de acender a luz, mostrar o monstro e esperar que a memória do susto anterior faça todo o trabalho.
O filme mais recente antes do novo projeto, O Exorcista: O Devoto, não empolgou a crítica nem virou o fenômeno que o estúdio precisava. A produção arrecadou US$ 136 milhões, acima dos US$ 30 milhões de orçamento, mas bem abaixo dos US$ 400 milhões que a Universal Pictures desembolsou pelos direitos da franquia. Uma bilheteria respeitável não apaga a diferença entre recuperar dinheiro e transformar uma aposta gigantesca em vitória.
Esse contexto ajuda a explicar por que um novo reinício chama atenção, mas também aumenta a cobrança. A saga não precisa provar que ainda pode lançar outro filme; isso ela já fez. Precisa mostrar que tem uma razão criativa para existir de novo.
Mike Flanagan vai mudar o jogo?
O próximo longa, O Exorcista: Mártires, será escrito e dirigido por Mike Flanagan e terá Scarlett Johansson no elenco. Também estão confirmados Rahul Kohli, Chiwetel Ejiofor, Laurence Fishburne, John Leguizamo, Sasha Calle, Diane Lane e Jacobi Jupe.
A proposta é contar uma história nova dentro do universo do clássico, sem seguir diretamente os acontecimentos de O Exorcista: O Devoto. É uma escolha que pode abrir espaço para outra abordagem, em vez de simplesmente tentar consertar ou prolongar a trama do filme anterior. Flanagan tem experiência com terror e histórias de atmosfera, então existe motivo para curiosidade, mesmo com o pé atrás ligado.
Mas nome de diretor e elenco forte não são passe livre. A pergunta importante é se o filme vai encontrar um medo próprio ou apenas vestir a roupa de um clássico para chamar atenção. A diferença entre homenagem e repetição costuma aparecer rápido: uma cria tensão; a outra só pede que a gente lembre de quando sentiu medo pela primeira vez.
O legado precisa de mais um filme?
O Exorcista: Mártires tem estreia prevista para 12 de março de 2027. Até lá, a fala de Burstyn funciona como um lembrete bem-vindo de que nem todo legado precisa ser esticado até perder a forma. Um clássico pode continuar importante sem ganhar uma nova versão a cada geração.
Claro que o público decide se quer comprar mais um ingresso. E, se Flanagan tiver uma ideia realmente forte, pode surpreender até quem já está cansado de ouvir o nome da franquia. Só que a atriz tem razão em fazer a pergunta: quando a história já foi contada tantas vezes, insistir não é o mesmo que ter algo a dizer.
Agora resta esperar para descobrir se Mártires vai justificar esse retorno ou se será mais uma visita que ninguém pediu. A expectativa existe, mas, desta vez, talvez o melhor susto seja o filme provar que ainda havia algo novo escondido nesse universo.
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