Barbara Barrie morreu aos 95 anos, depois de uma carreira que atravessou cinema, televisão, teatro e até a animação da Disney.
- A despedida em Manhattan
- De Cannes à indicação ao Oscar
- Uma voz no Olimpo da Disney
- Palcos, livros e memória
A despedida em Manhattan
A atriz norte-americana morreu na quarta-feira, 28 de outubro, em sua casa, em Manhattan, aos 95 anos. Segundo informações compartilhadas por sua filha, Jane Harnick, com o The New York Times, Barrie enfrentava um câncer terminal e recorreu à morte medicamente assistida.
É uma notícia triste, mas também daquelas que fazem a gente olhar para uma carreira inteira, e não apenas para o obituário. Barrie trabalhou por mais de seis décadas em diferentes linguagens. Não ficou presa a um único tipo de papel, nem a uma única geração de público. Para muita gente, seu nome pode não ser imediatamente familiar; seu trabalho, porém, passou por produções que marcaram épocas bem diferentes.
De Cannes à indicação ao Oscar
Um dos primeiros grandes reconhecimentos veio com One Potato, Two Potato, filme de 1964 pelo qual Barrie venceu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Mais tarde, ela recebeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por O Vencedor (Breaking Away), drama de 1979 sobre um jovem ciclista.
Uma indicação à estatueta costuma virar a manchete mais fácil, mas não resume a trajetória de ninguém. No caso de Barrie, ela é um ponto de destaque em uma estrada longa, feita de cinema, televisão e teatro. E tem algo de especial em ver uma atriz conquistar reconhecimento em Cannes e, anos depois, chegar à disputa do Oscar: são palcos diferentes, cada um com seu próprio peso, e ela deixou sua marca nos dois.
Na televisão, Barrie interpretou Elizabeth Miller na comédia Barney Miller, entre 1975 e 1978. Também apareceu em séries como Suddenly Susan, Law & Order e Law & Order: SVU. Seu trabalho na TV ainda lhe rendeu indicações ao Emmy, outro sinal de uma carreira que não dependia de um único formato para seguir relevante.
Uma voz no Olimpo da Disney
Para quem cresceu com a animação da Disney de 1997, existe também uma conexão com o universo de Hércules: Barrie emprestou a voz a Alcmena, mãe do protagonista. Não é o papel que costuma dominar as retrospectivas sobre sua carreira, mas é uma participação que a coloca em uma animação lembrada com carinho por muita gente.
Vozes têm um jeito curioso de permanecer. Às vezes, a gente não reconhece o nome de quem está por trás do personagem, mas aquele trabalho continua ligado a uma lembrança de infância, a uma música ou a uma sessão repetida em casa. Alcmena é uma parte menor da filmografia de Barrie, claro, mas ajuda a mostrar como sua trajetória também alcançou públicos que talvez nunca tenham visto seus filmes ou peças.
Palcos, livros e memória
No teatro, Barrie fez parte do elenco original do musical Company, de Stephen Sondheim, que estreou na Broadway em 1970. Sua atuação lhe rendeu uma indicação ao Tony Awards. É uma conquista importante em uma carreira que já reunia cinema e televisão, e reforça o alcance de uma artista que também encontrou no palco um espaço para mostrar seu trabalho.
Ela ainda publicou livros infantis, como Lone Star e Adam ZigZag, além de duas autobiografias: Second Act e Don’t Die of Embarrassment. Nessas obras, abordou, entre outros assuntos, sua experiência com o câncer colorretal. A escrita acrescenta outra camada à sua história: Barrie não apenas interpretou personagens, mas também contou passagens da própria vida em suas palavras.
Casada com Jay Harnick de 1964 até a morte dele, em 2007, ela deixa os filhos Jane e Aaron Harnick e três netas. Fica uma carreira que não cabe em uma única premiação ou personagem: de Cannes à Broadway, de séries de TV a uma animação querida por fãs da Disney. E isso, convenhamos, é um legado bem maior do que qualquer lista de créditos consegue resumir.
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