Mercado japonês de anime bate recorde em 2025

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O mercado japonês de anime cresceu 15,8% em 2025 e atingiu um novo máximo histórico, com o público internacional a pesar cada vez mais.

Um recorde com forte impulso internacional

A animação japonesa continua a conquistar terreno fora de casa, e os números preliminares divulgados pela Associação Japonesa de Animação (AJA) confirmam que o fenómeno já não é apenas uma impressão de quem vê anime nas plataformas ou encontra produtos japoneses em todo o lado. Em 2025, o mercado global do setor chegou a 4,4491 biliões de ienes, cerca de 24,5 mil milhões de euros.

É um crescimento de 15,8% face a 2024 e um novo recorde. A apresentação aconteceu a 30 de outubro, durante a TIFFCOM, o mercado internacional de conteúdos ligado ao Festival Internacional de Cinema de Tóquio. O avanço ultrapassou, por pouco, os 15,7% registados no ano anterior e levou o setor além da marca dos 4 biliões de ienes.

O grande motor continua a ser a procura internacional. As receitas fora do Japão aumentaram 17,2%, para aproximadamente 2,543 biliões de ienes, o equivalente a 57,1% do total. Traduzindo para a linguagem da tripulação do Luffy: mais de metade do valor movimentado pelo anime japonês vem de consumidores de outros países.

O Japão também voltou a crescer

Seria fácil olhar para estes dados e concluir que o anime só está a crescer graças aos fãs estrangeiros. Mas a história é mais interessante: o mercado doméstico também avançou 14,1%, alcançando cerca de 1,907 biliões de ienes. Ou seja, a expansão de 2025 aconteceu nas duas frentes, com o consumo no Japão a recuperar dinamismo ao mesmo tempo que o interesse global continua em alta.

Essa combinação importa. Uma indústria que depende de um único público ou canal fica mais vulnerável quando os hábitos mudam. Cinema, streaming, produtos licenciados, música e eventos ajudam as obras a encontrar diferentes formas de chegar às pessoas. Uma série pode começar no ecrã e continuar numa figura de coleção, numa banda sonora ou numa ida ao cinema. Para muitas franquias, a aventura comercial não acaba quando sobem os créditos.

O streaming também tornou mais simples acompanhar produções japonesas em vários territórios. E, quando um filme ou uma série ganha visibilidade internacional, pode abrir caminho para outras partes da mesma propriedade intelectual. Não é magia de Devil Fruit: é distribuição, licenciamento e uma audiência que tem cada vez mais acesso a estas histórias.

O que estes números realmente medem

Há, no entanto, uma distinção essencial para não lermos o recorde como se fosse um cheque gigante entregue diretamente aos estúdios. O valor da AJA agrega receitas de várias áreas, incluindo filmes, distribuição digital, edições em vídeo, licenciamento, produtos, música e eventos. São atividades com diferentes empresas e titulares de direitos envolvidos.

Por isso, o tamanho total do mercado não corresponde automaticamente ao dinheiro que chega às equipas responsáveis pela animação. É uma fotografia ampla do negócio, não um recibo individual de cada estúdio. O crescimento é uma boa notícia para a dimensão global do setor, mas, por si só, não conta toda a história sobre como o valor é distribuído entre quem cria, produz e explora as obras.

Esta nuance não diminui o feito. Ajuda, isso sim, a perceber por que razão o sucesso de uma série ou de um filme precisa de ser acompanhado por modelos de negócio capazes de sustentar a produção e remunerar os vários intervenientes. Popularidade e saúde financeira podem andar juntas, mas não são exatamente a mesma coisa.

O próximo arco da indústria

O Japão quer elevar para 6 biliões de ienes as receitas internacionais anuais das suas indústrias criativas até 2033, com o anime entre as áreas importantes dessa estratégia. Para chegar lá, a indústria aponta para medidas como melhorar a localização dos conteúdos, adaptar traduções a diferentes públicos e combater a pirataria, além de expandir o merchandising e o licenciamento internacional.

São objetivos ambiciosos, mas fazem sentido num mercado em que mais de metade do valor já vem do estrangeiro. Traduzir bem, facilitar o acesso legal e apresentar produtos relevantes para cada região pode ajudar a transformar curiosidade em apoio duradouro. O relatório completo da AJA, previsto para dezembro de 2026, deverá trazer mais detalhe sobre os segmentos que contribuíram para este novo máximo.

Por agora, o recado é claro: o anime deixou de ser um nicho exportado para se tornar um negócio global, enquanto o consumo japonês também recupera força. O próximo desafio não é apenas bater outro recorde. É garantir que a popularidade crescente se converte em receitas sustentáveis para toda a cadeia, incluindo os estúdios que dão vida às histórias que nos fazem maratonar até às tantas.

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