Uma Forza mistura o mapa de Forza Horizon 4 com as garotas-cavalo de Umamusume: Pretty Derby, tudo reconstruído no Unity.
- Uma mistura que não devia funcionar
- O trabalho por trás do mapa
- Não é mod nem vai virar jogo
- Um crossover com energia de fãs
Uma mistura que não devia funcionar
Tem crossover que nasce em reunião de marketing. E tem Uma Forza, que parece ter surgido quando alguém olhou para as estradas britânicas de Forza Horizon 4 e pensou: “Tá, mas e se as corredoras fossem garotas-cavalo?”. O resultado é tão específico que fica difícil não respeitar a audácia.
O projeto foi apresentado pelo PetracoreProxy Dev Channel no vídeo “I Reverse Engineered Forza Into an Uma Musume Game”, publicado em 20 de outubro. A ideia combina o cenário de corrida em mundo aberto da Playground Games com personagens de Umamusume: Pretty Derby, franquia da Cygames em que garotas inspiradas em cavalos de corrida disputam provas e vivem seus dramas de idol. Sim, é um conceito que já nasceu com energia de conversa de madrugada entre fãs.
Em vez de simplesmente colocar uma personagem numa pista, o criador recriou a Grã-Bretanha de Forza Horizon 4 no Unity. Haru Urara e Agnes Tachyon aparecem correndo pelo mapa, ocupando o lugar dos carros numa experiência que transforma o passeio automotivo em algo bem mais… equino.
O trabalho por trás do mapa
O vídeo não mostra apenas uma paisagem parecida com a do jogo original. Segundo o autor, a reconstrução aproveita arquivos de Forza Horizon 4 para reproduzir elementos como estradas, construções, tráfego, céu, iluminação, clima e efeitos sonoros. É uma lista considerável de peças para remontar, ainda mais quando o objetivo é fazer tudo funcionar em outro motor gráfico.
As personagens também não são bonecos parados passeando pelo cenário. O projeto usa modelos 3D, animações e falas de Umamusume: Pretty Derby. A combinação dá ao vídeo aquela sensação curiosa de ver dois jogos que nunca foram feitos para dividir a mesma tela, mas que, por alguns minutos, parecem ter combinado de se encontrar.
Há ainda um detalhe que entrega o cuidado técnico: parte das cenas foi gravada durante as próprias sessões do criador, enquanto outras usam um sistema de câmeras reconstruído a partir de Forza Horizon 4. Com ele, aparecem tomadas de pré-corrida, replays e pontos panorâmicos, acompanhados pelo áudio do jogo. Não é só “olha a personagem correndo”; é uma tentativa de capturar também o jeito como Forza apresenta seu mundo.
Não é mod nem vai virar jogo
Aqui vale segurar a empolgação antes de imaginar uma instalação no PC: Uma Forza não é um mod disponível para baixar e não tem lançamento público anunciado. O criador descreve o trabalho como uma demonstração de engenharia reversa, feita para mostrar o que é possível reconstruir a partir de um jogo. Em outras palavras, por enquanto é vitrine técnica, não um novo modo de jogo escondido no horizonte.
O projeto não tem vínculo nem aval da Microsoft, da Playground Games ou da Cygames. O próprio criador atribui os direitos de Forza Horizon 4 e Umamusume: Pretty Derby às respectivas empresas. Isso também ajuda a entender por que o vídeo não deve ser confundido com um produto oficial ou com uma colaboração entre as franquias.
Forza Horizon 4 foi retirado de venda em dezembro de 2024, enquanto Forza Horizon 6 chegou em maio de 2026, de acordo com as informações divulgadas sobre o projeto. Ainda assim, é o mapa britânico do quarto jogo que serve de palco para essa experiência. Talvez porque, para muita gente, aquelas estradas já tenham o status de lugar conhecido, quase como uma volta para casa depois de anos jogando.
Um crossover com energia de fãs
O charme de Uma Forza está justamente na mistura improvável e no trabalho que sustenta a piada. Dá para rir da ideia de trocar carros por corredoras de anime e, ao mesmo tempo, reconhecer a quantidade de sistemas e detalhes necessários para fazer esse encontro parecer convincente. É o tipo de projeto que começa como “e se?” e termina mostrando que alguém realmente foi lá e tentou.
Também existe uma diferença importante entre imaginar um crossover e construir uma demonstração que percorre um mapa inteiro, com câmeras, áudio e cenários reconhecíveis. O vídeo transforma uma brincadeira de fandom numa pequena vitrine de pesquisa técnica. Não precisa virar jogo completo para cumprir esse papel, embora seja fácil entender quem gostaria de apertar os controles e explorar o mapa por conta própria.
Eu ainda escolheria um Dodge Viper clássico para acelerar pelas estradas britânicas, porque certas tradições merecem ser respeitadas. Mas admito que ver Haru Urara e Agnes Tachyon correndo por aquele mundo aberto tem um apelo próprio. Uma Forza não troca uma franquia pela outra: só prova que, na cabeça de um fã com as ferramentas certas, até as garotas-cavalo podem ganhar um passeio por Forza Horizon.
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