BioWare: político acusa EA de buscar lucro no fechamento

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BioWare virou alvo de uma disputa política no Canadá após o fechamento do estúdio e uma petição para tentar salvá-lo.

A reação de Don Davies

Don Davies, parlamentar que representa Vancouver Kingsway, criticou publicamente a Electronic Arts pela decisão de encerrar as atividades da BioWare. Para ele, o caso não é apenas mais uma mudança corporativa: é também um golpe para a indústria canadense de videogames e para os profissionais que construíram a reputação do estúdio.

Em uma publicação no Bluesky, Davies destacou que a desenvolvedora, sediada em Edmonton, criou séries marcantes como Mass Effect, Baldur’s Gate e Dragon Age. O político descreveu os games como uma exportação cultural importante do Canadá e classificou a BioWare como uma das histórias de sucesso do país.

BioWare is an Edmonton-based video game studio that created acclaimed series like #MassEffect, Baldur’s Gate, and Dragon Age. Canada’s video game industry creates some of our most important cultural exports, and #BioWare is among our greatest success stories.

— Don Davies (@donvdavies.bsky.social) 2026-11-06T17:48:44.930Z

O tom subiu quando Davies acusou grandes publishers de comprar estúdios, enfraquecê-los e desmontá-los em busca de lucro. Ele também apontou um padrão de empresas dos Estados Unidos adquirindo negócios canadenses e encerrando suas operações, deixando trabalhadores locais sem emprego.

A petição quer independência

A fala do parlamentar acontece enquanto uma petição para salvar a BioWare ganha força. A proposta pede que o governo canadense ajude os desenvolvedores e a liderança do estúdio a negociar uma compra da empresa e recuperar sua independência em relação à EA.

A ideia não é simplesmente manter uma placa com o nome BioWare na porta. Os apoiadores querem que o estúdio continue funcionando, preserve suas franquias e tenha condições de produzir novos jogos sob comando próprio. Davies afirmou que os profissionais da casa deveriam ter a primeira oportunidade de assumir o negócio, com apoio federal.

É uma proposta ambiciosa, claro. Fazer jogos de grande orçamento exige dinheiro, estrutura e planejamento por anos. Ainda assim, a reivindicação toca num ponto que a indústria insiste em transformar em planilha: estúdios não são só marcas ou propriedades intelectuais. São equipes com experiência acumulada, identidade criativa e gente que conhece por dentro as séries que os fãs acompanham há décadas.

O que ainda não se sabe

Por enquanto, não há indicação de que a EA esteja considerando vender a BioWare ou as franquias associadas ao estúdio. A petição e a manifestação de Davies colocam a possibilidade na conversa pública, mas não significam que exista uma negociação em andamento. Uma eventual compra dependeria da disposição da empresa e de um plano financeiro capaz de sustentar a operação.

O cenário também fica mais complicado porque a EA passou para o controle do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita. A mudança de comando e as obrigações financeiras ligadas à transação podem influenciar decisões futuras, mas não permitem cravar que a venda da BioWare esteja próxima. A possibilidade de a EA aceitar uma oferta para reduzir dívidas é uma hipótese, não uma confirmação.

Mesmo com apoio político, o governo canadense provavelmente teria de colocar uma quantia considerável na mesa para viabilizar a compra. E, depois da negociação, ainda seria necessário financiar equipes, tecnologia e anos de desenvolvimento. Salvar o estúdio é mais do que impedir o fechamento imediato: é garantir que ele consiga voltar a produzir sem ficar preso a uma nova crise financeira.

O futuro está em jogo

A fala de Davies dá peso político a uma discussão que normalmente fica restrita a comunicados corporativos e fóruns de fãs. Também reforça a pergunta que muita gente na indústria faz diante de cortes e encerramentos: quem deve decidir o destino de um estúdio, especialmente quando sua história e seus funcionários estão profundamente ligados a uma comunidade local?

Para quem cresceu com os diálogos de Mass Effect ou com as escolhas difíceis de Dragon Age, a notícia bate diferente. Mas nostalgia, sozinha, não paga salários nem mantém uma equipe trabalhando. A petição pode abrir uma porta, desde que venha acompanhada de investidores, apoio concreto e um plano sustentável.

Por enquanto, o futuro da BioWare permanece incerto. Davies já deixou claro que considera a decisão da EA um erro e quer que os desenvolvedores tenham a chance de assumir o próprio estúdio. Agora falta saber se a pressão pública será suficiente para transformar essa ideia em uma proposta real.

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