Cara-de-Barro chegou aos cinemas brasileiros com força e conquistou o primeiro lugar nas bilheterias logo na estreia.
- Uma estreia de respeito
- Terror, tragédia e uma transformação monstruosa
- Os números também chamam atenção
- O que vem agora para o filme?
Uma estreia de respeito
O Cara-de-Barro não precisou esperar muito para deixar sua marca: o novo filme da DC Studios liderou as bilheterias brasileiras no fim de semana de abertura. A produção levou mais de 186 mil pessoas aos cinemas e arrecadou acima de R$ 4,2 milhões, contando também as sessões de pré-estreia realizadas na quarta-feira, dia 21.
É um começo bem interessante para um longa que aposta no terror e coloca no centro da história um vilão do Batman que, convenhamos, costuma ficar na sombra de nomes mais famosos como Coringa e Pinguim. Ver o público comprando ingresso para uma trama de horror corporal ligada a um personagem menos óbvio é uma boa notícia para quem quer que os filmes de super-heróis saiam um pouco da rota habitual.
Claro: liderar o ranking de um fim de semana não transforma automaticamente o filme em fenômeno. Mas o resultado mostra que havia curiosidade suficiente para levar o público às salas, e isso já dá à produção um empurrão importante nessa largada.
Terror, tragédia e uma transformação monstruosa
O longa acompanha Matt Hagen, um ator em ascensão interpretado por Tom Rhys Harries. Depois de ter o rosto desfigurado por um gângster, ele procura ajuda de uma cientista, vivida por Naomi Ackie, que trabalha com métodos nada convencionais. Uma fórmula química parece oferecer a chance de recuperar sua aparência, mas o preço da cura é uma transformação brutal.
A premissa tem um potencial trágico que combina muito bem com o personagem. Hagen não é apenas alguém que ganha poderes e precisa aprender a usá-los: sua história passa pela perda da própria identidade e pela obsessão em recuperar aquilo que foi tirado dele. É o tipo de ponto de partida que permite fazer horror de verdade, não só colocar uma criatura estranha na tela e chamar isso de susto.
James Watkins dirige o filme, enquanto Mike Flanagan assina o roteiro. Para quem conhece o trabalho de Flanagan em histórias de terror e dramas familiares, a combinação chama atenção. O elenco também inclui Max Minghella e Aaron Paul, embora seus papéis não tenham sido revelados.
Os números também chamam atenção
O desempenho brasileiro acompanha uma estreia internacional promissora. O filme chegou a US$ 43 milhões em bilheteria mundial, ultrapassando o orçamento de produção estimado em cerca de US$ 30 milhões. Vale o cuidado com a comparação: orçamento não é a mesma coisa que lucro. Custos de divulgação, divisão da arrecadação com os cinemas e outros fatores entram nessa conta, então não dá para tratar a diferença como dinheiro garantido no bolso do estúdio.
Na recepção, Cara-de-Barro aparece com 75% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e nota A- no CinemaScore, pesquisa que registra a reação do público norte-americano. São sinais positivos, embora cada indicador conte uma história diferente: um mede avaliações da crítica e o outro a impressão de espectadores que foram às sessões.
Para um filme de terror dentro do universo DC, esses números ajudam a mostrar que a aposta não ficou restrita à curiosidade dos fãs de quadrinhos. A mistura de horror e drama pode ter encontrado um público mais amplo, ainda que o desempenho das próximas semanas seja o que vai dizer se a estreia teve fôlego ou foi só um bom primeiro susto.
O que vem agora para o filme?
O desafio é manter o ritmo depois da abertura. Filmes de terror podem depender bastante do boca a boca, e uma história tão diferente das aventuras tradicionais de super-heróis tem espaço para virar assunto entre quem gosta de cinema de gênero. Se a experiência funcionar, o Cara-de-Barro pode deixar de ser apenas um coadjuvante assustador de Gotham e provar que também segura um longa inteiro.
Por enquanto, o recado das bilheterias brasileiras é claro: o público topou encarar essa versão mais sombria do universo DC. Cara-de-Barro já está em cartaz, então quem curte horror corporal e histórias de personagens quebrados tem um novo motivo para visitar o cinema. Só não espere sair da sessão com a pele exatamente no mesmo lugar.
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